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Nos navios, as escravas eram estupradas a viagem toda |
RAY CUNHA
BRASÍLIA, 28 DE MARÇO DE 2025 – Escravidão
(Editora Globo, Rio de Janeiro), trilogia de Laurentino Gomes, é composta dos
seguintes títulos: Volume I – Do primeiro
leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares (2019, 479
páginas), Volume II – Da corrida do outo
em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil (2021, 511
páginas) e Volume III, Da Independência
do Brasil à Lei Áurea (2022, 591 páginas). Trata-se da mais abrangente
pesquisa do tráfico de escravos africanos no Atlântico. Assim, lança luzes
sobre a construção do Brasil, a queda do Império e a Proclamação da República.
O autor, Laurentino Gomes, é um
dos mais respeitados jornalistas e ensaístas brasileiros. Paranaense de
Maringá, seis vezes ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura, é formado em
Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação pela
Universidade de São Paulo, e membro da Academia Paranaense de Letras. É um dos
ensaístas brasileiros mais traduzidos e vendidos. Laurentino tem o texto tão
bom, contextualiza tão bem e é tão culto que as 1.581 páginas da trilogia são
paradoxalmente uma delícia, apesar do tema infernal.
Escravidão é fruto de seis anos de pesquisa em doze países de três
continentes, abarcando o período de 8 de agosto de 1444, registro do primeiro
leilão de cativos africanos em Portugal, até a promulgação da Lei Áurea, em 13
de maio de 1888, no Brasil, 444 anos de tráfico e escravidão no Atlântico, da
África para a América, em um total de 12,5 milhões de escravos, 40 por cento,
ou 5 milhões dos quais, para o Brasil, o último a libertar seus cativos.
Todo mundo tinha escravos, do
Papa a cativos alforriados. A princípio, eram prisioneiros de guerra entre
tribos africanas e depois começaram também a ser capturados pelos europeus.
Eram usados como animais de carga. As mulheres, especialmente as mais bonitas,
eram estupradas diuturnamente, a começar do embarque na África. Recém-nascidos
eram jogados ao mar ou no mato. No Brasil, em algumas fazendas, havia um curral
para reprodução de escravos.
Toda a Europa se envolveu no
tráfico, principalmente bancando. Os escravos enriqueceram os países europeus e
americanos. No Brasil, construíram o país, foram o motor da produção agrícola e
depois de ouro, e foram enviados como bucha de canhão para a Guerra do
Paraguai.
Português não trabalhava no
Brasil. Os escravos faziam tudo. E mesmo sem motivo eram torturados. Apanhavam,
às vezes, até morrer.
O império brasileiro era
escravocrata. O imperador Pedro II era escravocrata. Ele não tinha saída, pois
quem mandava, de fato, eram os latifundiários, e eles não queriam nem ouvir
falar em fim da escravidão, mas na véspera da Lei Áurea, a pressão da
Inglaterra e dos abolicionistas era tão grande que a herdeira do trono, a
princesa Isabel, então regente, não teve escolha.
Libertados, os escravos continuaram
escravos. Os que não se sujeitaram ao que seus antigos donos lhes ofereciam,
quase nada, morriam de fome. Assim, cerca de 700 mil escravos se viram livres,
mas sem ter como se sustentar.
No ano seguinte, em 15 de
novembro de 1889, o Exército derrubou o Império e fundou a República. Dom Pedro
II estava doente, a herdeira do trono era mulher, infantilizada e fiel ao Papa,
e não havia mais a escravidão para sustentar os brancos. Em 1891, Rui Barbosa
foi ministro da Fazenda e da Justiça do Brasil. Para limpar o Brasil dos crimes
contra os africanos e branquear o país, mandou queimar quantos arquivos da
escravidão fosse possível. Mas sobrou muito coisa. O bastante. Porque a nódoa
da escravidão é irremovível; não é negra, mas cor de sangue coagulado, e
antiga.
Prólogo do meu romance O OLHO DO TOURO: “A evocação de
sofrimento a transportava para outros tempos, como sequências de um pesadelo,
cinzento, empoeirado, teias de aranha na senzala, mas vivo como gritos
lancinantes. O som do mar lhe trazia tudo isso. O preto pegajoso das noites sem
estrelas. Era o que sentia diante de Navio
Negreiro. O horror! O horror! O tríptico de Di Cavalcanti, de 4 metros por
6 metros, pintado a óleo, em 1961, retrata o transporte de escravos africanos
para o Brasil, o Novo Mundo, o país das araras, das cores e luz tropicais. O
painel esteve durante 26 anos, de 1993 a 2019, no Museu Nacional de Belas Artes
(MNBA), no Rio de Janeiro, emprestado em comodato pelo banco norte-americano J.
P. Morgan, que, no Brasil, tem sede em São Paulo/SP, para onde Navio Negreiro
retornou.
“O local onde estava o
tríptico, na Galeria de Arte Brasileira Moderna e Contemporânea do Museu
Nacional, foi ocupado por Primeira Missa no Brasil, de Candido
Portinari. O painel, de 5,01 metros por 2,71 metros, pintado em 1948, em
Montevidéu, Uruguai, foi encomendado a Portinari pelo português Thomaz Oscar
Pinto da Cunha Saavedra, quinto barão de Saavedra, para decorar a sobreloja da
sede do Banco Boavista, no Rio de Janeiro. Em 2012, foi adquirido pelo
Instituto Brasileiro de Museus, por 5 milhões de reais, e transferido para o
acervo do Museu Nacional.
“De 25 de fevereiro a 30 de junho de 2022, Navio Negreiro
integrou a exposição Esse Extraordinário Mário de Andrade, no Museu Afro
Brasil, no Parque Ibirapuera, em comemoração ao Centenário da Semana de Arte
Moderna, que aconteceu de 13 a 17 de fevereiro de 1922, em São Paulo/SP.
“De 13 a 17 de fevereiro de 2023, o Museu Nacional conseguiu
que o J. P. Morgan emprestasse novamente Navio Negreiro e o instalou no
mesmo espaço que ocupara durante 26 anos. Alessandra Romanov Souza, Alesão para
os íntimos, foi no primeiro dia da exibição de Navio Negreiro, uma
segunda-feira, no meio da tarde. Além dela, não havia nenhum visitante na
galeria. Sentou-se no banco defronte ao painel e pôs-se a admirá-lo. Anos
atrás, estivera ali, várias vezes, naquele mesmo banco. Di Cavalcanti era seu
pintor favorito, além de Pablo Picasso. A tela lhe transmitia as mesmas emoções
que O Navio Negreiro, de Castro Alves: falta de ar, ausência da sensação
de liberdade, de sonhar, de agora, de eternidade, a ponto de sentir vontade de
chorar, tomada pela magia das grandes obras de arte, que têm vida própria, um
mundo próprio, com seus próprios cheiros. Mas, no fim das contas, Navio Negreiro fazia-a sentir a presença
do mar dentro da noite e, depois, o sol. O trópico.
“A liberdade é uma emoção. Mesmo acorrentado e na escuridão
um escravo pode ser livre, pode pensar livremente, pode se sentir eterno,
sentir a sensação de escalar o Pico da Neblina e saltar, lá de cima, de asa delta,
sobre Copacabana, mergulhar, montado na luz, no azul, cair em um abismo para
cima, ouvir Mozart, o silêncio da madrugada, viajar em velocidade quântica à
Andrômeda. Essa liberdade se passa no coração, onde só há um tempo, aqui e
agora. O tempo não existe, pois sem matéria não há tempo, e a matéria é também
uma ilusão, sonho dos espíritos. Sonhamos com primaveras, com pessoas queridas,
com a permanente festa da vida, lembranças como o cataclismo do primeiro beijo,
o perfume dos jasmineiros, um farol em meio à tempestade” – pensou, aquele tipo
de pensamento que é mais um silêncio absoluto, despido de raciocínio, apenas um
fluxo.
“Ao apreciar Navio
Negreiro podia sentir os escravos tentando respirar, sem liberdade, sem
futuro, pois o que é o futuro senão a liberdade de sonhar? Os que sobrevivessem
teriam apenas o passado para se agarrar nele, como náufragos do presente.
“A trágica mancha da escravidão, o horror!, o horror!,
estava ali, viva, como as cores do Trópico. Nos navios negreiros, as negras
viajavam separadas dos negros; as mais bonitas eram forçadas a se tornarem
amantes dos comandantes e eles as trocavam entre si para experimentarem as que
serviam a seus colegas quando se encontravam nos portos, e as demais eram
estupradas pela tripulação durante toda a viagem. Os negros tinham que conviver
com suas próprias fezes e vômito, até que o porão onde eram transportados se transformava
no próprio inferno.
“Os europeus, em geral, e os ibéricos, em particular, os
norte-americanos e os brasileiros, saquearam e estupraram um continente: a
África. Já havia escravidão na África antes dos europeus, mas era entre eles
mesmos. Aliás, escravidão sempre houve, inclusive de brancos, e aumenta cada
vez mais, especialmente de mulheres louras, de olhos azuis e verdes, do leste
europeu. Os portugueses se especializaram na indústria escravagista.
Justificavam-na com a ladainha de que os negros não tinham alma, eram animais
irracionais. De 1500 a 1900, a escravidão foi a maior indústria europeia no
Atlântico. Enriqueceu reis e países”.
Alguns escravos eram príncipes;
outros, tinham instrução; e, alguns, liderança. Quando havia oportunidade,
empregavam a lei do olho por olho, dente por dente, estupravam, torturavam e
matavam seus donos e famílias. Na Revolta dos Escravos no Haiti, ou Revolução
Haitiana, de 1791 a 1804, não escapou praticamente nenhuma família francesa do
banho de sangue que os escravos promoveram, resultando na independência do
Haiti e na abolição da escravidão no país.
A escravidão continua. Segue trecho do meu romance O CLUBE DOS ONIPOTENTES: “No Ocidente, desde os anos 1960, as mulheres vêm adquirindo
autonomia e novo status, ombreando-se com os homens, e, em alguns casos, ultrapassando-os
em renda, quociente intelectual e força física. Mas esse é ainda um pequeno
passo ante a escravidão em que vivem desde os primórdios da Humanidade. Se elas
progrediram no Ocidente, europeus, americanos e ibero-americanos engendraram
meios mais sofisticados de usá-las, capturando-as em armadilhas, de modo que
quando elas percebem que foram capturadas e que se tornarão, doravante,
escravas, principalmente para orgias sexuais, está tudo preparado para que elas
se tornem mortas-vivas, zumbis, exploradas até a última gota de sangue.
“Assim, todos os anos, milhões de mulheres são enredadas
numa diabólica teia, onde fenecem aos pouquinhos, como se fossem degustadas por
vampiros. Segundo a fundação francesa Scelles, havia, no mundo, no ano da graça
de 2010, cerca de 42 milhões de pessoas atiradas à prostituição, 98% mulheres –
75% mulheres entre 13 e 25 anos. O Instituto Europeu para o Controle e
Prevenção do Crime estima em cerca de 500 mil pessoas por ano traficadas de
países pobres só para a Europa. De acordo com a Organização das Nações Unidas
(ONU), a cada ano, cerca de 2,5 milhões de pessoas são vendidas no mundo, 80%
das quais são mulheres destinadas à escravidão sexual.
“Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) dá
conta de que as pessoas prostituídas geralmente apresentam baixa escolaridade,
moravam nos subúrbios das grandes cidades e são pobres, beirando, às vezes, a
miséria. São de países politicamente instáveis, onde a corrupção é sistêmica, a
economia é fraca, há pouca oportunidade de trabalho, enfrentam conflitos
armados e, nos lares, há violência doméstica. Essas pessoas são escravizadas
por escravocratas ricos e sanguinários, que exploram o próximo para extrair
dele trabalho gratuito e incansável, até o esgotamento, além de prazer sexual e
órgãos. O resto das carcaças é incinerado, ou jogado no lixo.
“A prostituição é organizada de modo que apresenta
baixíssimos riscos de prisão e altíssimos lucros. Legalmente, essas mulheres
são turistas, modelos, babás, garçonetes, dançarinas. Trabalham em torno de 12
horas diárias e não podem recusar nenhum cliente, por mais asqueroso que seja,
de modo que costumam se drogar para aguentar o tranco, e acabam aceitando
sobreviver nesse inferno como se fosse a única realidade.
“Assim, se deparam com doenças sexualmente transmissíveis,
são espancadas por clientes e violentadas pelos aliciadores e mafiosos, e
revendidas, para a mais abjeta exploração, até seus corpos não suportarem mais.
Do dinheiro que recebem só ficam com uma parte para se alimentarem e pagarem
aluguel, quando não vivem em cárcere privado. A OIT estima que o tráfico humano
movimente cerca de 32 bilhões de dólares por ano, o que equivale ao rendimento
líquido da JBS, de Goiás, sétima maior empresa do Brasil e maior frigorífico do
mundo.
“Segundo o Departamento de Estado americano há 20 países com
alta incidência de tráfico, sem que os governos nada façam para conter esse
crime hediondo. A maioria é de países pobres da África e da Ásia, mas há
gigantes no negócio diabólico, como China e Rússia. Nesse contexto, o tráfico
de crianças é o mais trágico. Em 2010, uma de cada quatro pessoas traficadas no
mundo era criança. Em algumas regiões, porém, o número de crianças supera o de
adultos; por exemplo, em países da África, dos Andes, dos Bálcãs e do Sudeste
Asiático.
“As crianças são usadas como escravas sexuais, para
transportar drogas, para extração de órgãos, para trabalho estafante e até como
soldados. Segundo a ONU, entre janeiro de 2012 e agosto de 2013, na República
Democrática do Congo, África, foram registrados cerca de mil casos de crianças
recrutadas por grupos armados congoleses. Relatório do Departamento de Estado
americano dá conta de que na Papua Nova Guiné, Ásia, crianças com até cinco
anos são entregues à exploração sexual ou trabalho forçado por seus próprios
parentes, e líderes tribais chegam a trocar crianças e mulheres por vantagens
políticas e armas.
“Na China, a política de filho único levou ao infanticídio
de meninas e à consequente falta de noivas. Aí, o tráfico de meninas foi
intensificado no vizinho Mianmar rumo à China. Segundo relatório da ONU,
somente em 2010 foram registrados 122 desses casos. No Laos e Camboja, Ásia,
escravos são levados para alto-mar, onde trabalham até 20 horas por dia, sete
dias por semana. Os doentes ou muito fracos são mortos e atirados no mar.
“Durante a pesquisa, Alex encontrou um material
inacreditável. Onde? Na Alemanha! A Alemanha é mesmo surpreendente. O site
Conexão Política publicou matéria de Thaís Garcia sobre uma história
inacreditável, revelada por um estudo da Universidade de Hildesheim. Em Berlim,
por quase três décadas, projeto aprovado pelo Senado alemão entregou crianças
sem teto a pedófilos. O projeto foi concebido pelo psicólogo, sexólogo e
escritor alemão Helmut Kentler, em 1969.
“Para Kentler, que gozava de prestígio, os pedófilos são
“pais muito, muito amorosos”. E pais amorosos foram presenteados com crianças
de rua em Berlim Ocidental. “Nossas vidas foram destruídas” – disse Marco, um
dos órfãos, que, aos nove anos de idade, recebeu abrigo de Fritz H., um
criminoso perturbador. Marco foi estuprado por Fritz anos a fio. Na época,
Kentler tinha um cargo de alto nível no Centro de Educação de Berlim.
Acreditava que “o sexo entre adultos e crianças é inofensivo” porque “as
crianças também são seres sexuais que têm o direito de experimentar sua
sexualidade”.
“Com essa conversa, Kentler conseguiu convencer vários
políticos a aprovarem seu projeto nefando, com o argumento central de “ganho
mútuo”, com as crianças descobrindo sua sexualidade e os pais adotivos
desenvolvendo o amor pelas crianças. De 1969 quase até a virada do século foi
uma bacanal de estupros. Só Fritz H conseguiu pegar 10 meninos de rua. As
autoridades de Berlim, quando souberam dos abusos contra as crianças, não
intervieram. Por que? Porque havia uma rede de pedofilia que incluía autoridades
e profissionais da educação.
“Havia, entre os pais adotivos das crianças de rua muitos
homens solteiros e com altos cargos em universidades. Foi a política Sandra
Scheeres, da Câmara Municipal de Berlim, quem coordenou a apuração do projeto
Kentler. Ela qualificou essa história inimaginável de “inimaginável” mesmo.
Carrascos como Helmut Kentler e Fritz H já morreram, e as bestas que ainda
estão vivas ficaram livres de processo, pois o caso prescreveu.
“Alex descobriu pela mesma jornalista, correspondente
internacional do site Conexão Política, que também na Alemanha os comunistas
alemães defendiam como normal o sexo com crianças. Jan Fleischhauer, do Spiegel, escreveu um artigo sobre isso.
O negócio começou com estudantes do Instituto de Psicologia da Universidade
Livre de Berlim, que criaram o que eles chamavam de pós-escola, para crianças
de 8 a 14 anos, em Keuzberg.
“O nome da escola era Rote Freiheit, Liberdade Vermelha,
porque o objetivo era moldar uma personalidade socialista nos alunos. Segundo
Thaís Garcia, em 1970, Úrsula Besser, do Parlamento do Estado em Berlim, pelo
partido conservador União Democrata-Cristã (CDU), pelo qual foi nomeada para o
comitê de educação, encontrou uma pasta à porta da sua residência contendo
relatórios diários datilografados sobre o trabalho educacional realizado na
Liberdade Vermelha.
“O primeiro relatório data de 13 de agosto de 1969, e, o
último, de 14 de janeiro de 1970. De acordo com os relatórios, quase que
diariamente os alunos liam revistas pornográficas coletivamente e participavam
de mímicas de relações sexuais, todos nus.
“Úrsula visitou então o Instituto de Psicologia em Berlim.
No porão, encontrou dois quartos separados por um grande espelho unidirecional;
em um deles havia um colchão. Um funcionário explicou que o porão era usado
como “estação de observação” para estudar o comportamento sexual das crianças.
Depois dessa visita, ela repassou os relatórios a um editor do jornal, Der
Abend, de Berlim Ocidental, que publicou trechos do documento. Mas essa
história de terror não ficou somente nisso.
“O Manual de
Doutrinação Infantil Positiva, comunista, publicado em 1971, diz o
seguinte: “As crianças podem aprender a apreciar o erotismo e as relações sexuais
muito antes de capaz de compreender como uma criança é concebida. É valioso que
as crianças abracem os adultos e que a relação sexual ocorra durante o
aconchego”. Em 1980, o grupo pedófilo Comuna Indiana, de Nuremberg, compareceu
à primeira convenção do Partido Verde, na cidade de Karlsruhe, no sudoeste da
Alemanha, reivindicando “sexo livre para crianças e adultos”.
“Em 1985, durante convenção do Partido Verde, em
Lüdenscheid, eles reivindicaram o seguinte: “As relações sexuais consensuais
entre adultos e crianças devem ser descriminalizadas”. Atualmente, segundo
Thaís Garcia, a Alemanha está investigando uma rede cibernética de cerca de 30
mil suspeitos de pedofilia só em Bergisch Gladbach, cidade na região
administrativa de Colônia, estado de Renânia do Norte-Vestfália.
“O tráfico apontava, agora, para a Rússia, país com
17.075.400 quilômetros quadrados, parte disso gelo, mas o maior país em área
territorial do planeta, mais de um nono da superfície da Terra, fazendo
fronteira seca com a Europa e pelo oceano Pacífico com os Estados Unidos, pelo
Estreito de Bering, e com o Japão pelo Mar de Okhotsk. De 1721 a 1917,
tornou-se império. De 1922 a 1991, foi a sede da União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS).
“A partir da queda do Muro de Berlim, em 1991, a corrupção
atingiu níveis estratosféricos e o crime organizado quase tomou conta do país,
até 31 de dezembro de 1999, quando o presidente Boris Iéltsin renunciou,
passando o posto para Vladimir Putin, nomeado primeiro-ministro e depois
presidente. Com mão de ferro, Putin retomou a ordem à Rússia, que herdou da
URSS o maior arsenal de armas nucleares do mundo, constituindo-se no maior
exportador mundial de armas convencionais.
“Ex-chefe dos serviços secretos soviético e russo KGB e FSB,
respectivamente, Putin entende os russos como ninguém. A máfia russa
constituía-se em um poder paralelo na Rússia, até a chegada de Putin ao poder.
Para governar, Putin sabia que teria que eliminar os chefões, e foi o que fez,
o que não quer dizer, de forma alguma, que tenha pulverizado a máfia. Não, a
máfia russa está mais viva do que nunca, agindo inclusive nos Estados Unidos.
“No Brasil, durante a era do Partido dos Trabalhadores, o
PT, de 2003 a 2016, os petistas tentaram descriminalizar a pedofilia através do
Ministério da Educação (MEC). Segundo Thaís Garcia: “O objetivo da esquerda
sempre foi a destruição da família. Através de investidas de uma mídia
corrompida, da pedofilia disfarçada de arte e da doutrinação nas escolas, as
crianças passariam a absorver gradativamente ideias contrárias aos seus valores
tradicionais e seriam transformadas em um instrumento nas mãos do socialismo.
“Uma vez erotizadas, as crianças se tornam adultos não
comprometidos em formarem família, prejudicando as suas percepções e seus
convívios sociais. Em contrapartida, eleitores conservadores se uniram e
conseguiram eleger um novo governo, também conservador e defensor da criança,
livrando assim o Brasil da tentativa da esquerda em cometer um absurdo muito
parecido com o ocorrido na Alemanha. E, dessa forma, a autoridade dos pais
sobre a educação sexual dos filhos está, momentaneamente, segura.
“Os pais brasileiros precisam continuar alertas, a luta é
constante e é preciso garantir à criança o direito de ser protegida, de
brincar, estudar e ter a tranquilidade de um lar bem estruturado. Não é por
acaso que o ensino no Brasil está repleto de teoria marxista. Uma vez que a
teoria marxista é disseminada por professores e se espalhe entre milhões de
estudantes, transforma-se, progressivamente, em realidade, e é assimilada pela
sociedade. A técnica da Janela de Overton está sendo aplicada e invertendo os
valores da nossa sociedade. Não perder a capacidade de discernir o bem e o mal
é a única forma de sobrevivermos às investidas marxistas”.
“A Associação para a Prevenção e Reinserção da Mulher
Prostituída (Apramp) dá conta de que o Brasil apresenta o maior número de
mulheres traficadas para fins sexuais da América do Sul. Segundo a Pesquisa
Nacional sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes (Pestraf), há 110
rotas nacionais e 131 rotas internacionais de mulheres para escravidão sexual
no Brasil, 32 das quais levam à Espanha.
“A professora Telma Durães, da Universidade Federal de Goiás
(UFG), durante pesquisa intitulada Tráfico Internacional de Mulheres: Goiás –
Pensando a Prevenção, realizada ao longo de 2012 e 2013, identificou que
Anápolis é a cidade goiana mais citada como origem das mulheres traficadas para
Portugal e Espanha. Mas a prostituição corre solta em todo o Brasil,
principalmente nas cidades costeiras e especialmente no Nordeste, onde, nas
grandes cidades, é comum se ver enxames de turistas de olho nas crianças que
andam ali pela praia, prostituindo-se por um prato de comida ou por cinco ou
dois reais.
“A ilha de Marajó é maior do que a Jamaica, Porto Rico ou
Trinidad e Tobago, no Caribe, ou do que a Córsega, na França mediterrânea, ou a
ilha de Creta, no mesmo mar europeu-africano, e o arquipélago é rico: suas
praias atlânticas são deslumbrantes; seus açaizais, imensos; seu rebanho bubalino
é o maior do Brasil; sua cerâmica é exportada para o mundo inteiro, via
Icoaraci, ou Vila Sorriso, bairro de Belém; e sua produção de pescados
contribui para que o Pará seja um grande produtor de peixes, mas neste
arquipélago ratos d’água atacam casas de ribeirinhos, roubam e estupram as
mulheres; curumins morrem devorados por verme, ameba, giárdia, malária, ou são
estuprados dentro de carros enquanto balsas cruzam os rios e no interior de
embarcações, silenciadas no seu sofrimento por comida; nas balsas que cruzam os
rios do arquipélago crianças são empurradas aos mais torpes atos, às vezes a
troco de querosene, para acender lamparinas.
“Quando as embarcações se aproximam, meninas partem em grupo
em canoas e remam em direção a balsas, barcos e navios. É lançada uma corda
para ajudar as “balseiras”, como são chamadas, a subir às embarcações, onde
tentam vender produtos agrícolas. Mas os homens geralmente estão interessados
em outra coisa, e as estupram a troco de pacotes de biscoito, leite em pó ou condensado,
ou óleo diesel. Em declaração ao jornal Beira
Rio, da Universidade Federal do Pará (UFPA), a pesquisadora Monique Loma
explicou que as famílias não veem isso como exploração sexual, mas como “uma
oportunidade para eles; além de gerar renda, os pais olham para a prática como
uma chance de as meninas se casarem com algum marinheiro e terem uma chance
melhor na cidade”.
“E revela: “Quando contamos à família o que está
acontecendo, o que essa atitude gera, percebemos que eles não tinham noção
sobre a legislação ou sobre os Direitos da Criança e do Adolescente. Jamais
poderiam fazer uma ocorrência, pelo simples fato de aquilo ser o cotidiano
deles, não um crime”. E o choque: “Foi uma surpresa ver que, para elas, aquilo
era brincadeira. Algumas afirmaram estar procurando o príncipe encantado. A
naturalidade com que elas falavam de tudo foi um choque. Como eu poderia falar
de violência sexual, de exploração, se elas nunca tinham ouvido esses termos?”
“Segundo estudo produzido em 2018 pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP),
50,9% dos casos registrados de estupro em 2016 foram cometidos contra menores
de 13 anos de idade. Nesse contexto, há um florescente comércio de vídeos de
menores sendo estuprados. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2011 e
2017, foram registrados 184.524 casos de violência sexual no país, 58 mil dos
quais, ou 31,5%, contra crianças, inclusive bebês, e 83 mil, 45%, contra
adolescentes; 70% dos casos aconteceram no lar das vítimas.
“Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e o
Fórum Brasileiro de Segurança Pública oito pessoas desaparecem, por hora, 192
por dia, no Brasil; só de crianças e adolescentes são 40 mil desaparecidos por
ano. Causas: fuga de casa devido a conflitos familiares, transtornos mentais,
alcoolismo, tráfico para venda de órgãos, trabalho escravo, prostituição e
adoção ilegal”.
Para piorar, o PT e seu comandante, Lula da Silva, voltaram,
agora com proteção do Supremo Tribunal Federal (STF). Em alguns bairros das
cidades grandes a polícia não entra e as meninas têm que se submeter a tudo.
Nas escolas, as crianças aprendem anatomia do pênis vendo ao vivo o vergalho de
um marmanjo, e, se quiserem, trocam de gênero. Quanto aos negros e pardos, a
maioria da população brasileira, se não estudaram, e muito, continuarão na
mesmice de sempre. Igual os índios.