segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Como funciona o sistema

RAY CUNHA 

RASÍLIA, 26 DE JANEIRO DE 2026 – O sistema são peças de uma engrenagem. Do grego “combinar”, “ajustar”, sistema é um conjunto de elementos, componentes, órgãos, entidades, partes que se relacionam entre si com um objetivo geral a ser atingido. Se o sistema funciona com sinergia entre as partes, esse objetivo logo é alcançado, do contrário sofrerá pane e falência. Também pode acontecer de o sistema entrar em homeostase, o que quer dizer que, mesmo diante de mudanças no meio externo, consegue manter o meio interno estável – disse Bond. 

Alex ouvia, enquanto degustava a truta frita na manteiga, com arroz a piemontese, ou risoto piemontês, cremoso. O nome do prato faz referência à Piemonte, região ao noroeste da Itália, a terra natal do risoto. No Brasil, risoto pode incluir nozes, creme de leite, queijo parmesão, champignon e diferentes tipos de castanhas. 

Bond voltou a falar. Quando começava, era como uma enciclopédia. 

– No caso do sistema político brasileiro, oficialmente é uma República Federativa Presidencialista, com três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, e eleições diretas para representantes. O país é apresentado como uma união de entes autônomos, Estados, municípios e Distrito Federal, com o presidente da República acumulando funções de chefe de Estado e de governo. Mas, na realidade, o Brasil é um império: o presidente da República é o imperador e os Estados, as províncias. Tem Constituição, mas a Carta Magna é ignorada. 

– E de onde vem o poder do imperador? – Alex perguntou. 

– Antes de responder diretamente à sua pergunta, quero falar sobre regime. Enquanto sistema são peças de uma engrenagem, regime é um conjunto de regras, normas ou sistemas que governa o funcionamento de um sistema. No caso de regime político, são as regras que definem a forma de governo, ou o exercício do poder. Por exemplo: a democracia é baseada na soberania popular e liberdade. Já o autoritarismo é a concentração de poder nas mãos do governante e o povo no cabresto. No totalitarismo, o Estado controla tudo; não há cidadania nem lei. A Constituição é o próprio governante. 

– Então, de onde vem o poder do ditador? – Alex insistiu. 

– Das famílias mais poderosas, ricas e influentes do país – disse Bond. – São clãs tradicionais. No topo da lista vêm os Moreira Salles, com fortuna estimada em 21 bilhões de dólares, com participação principalmente no Itaú Unibanco e mineradora – a família detém 70% da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder global na produção de nióbio –, passando pelo setor editorial e de mídia. Depois, vem os Safra, de ascendência judaico-libanesa, dona do Banco Safra; a família é uma das principais doadoras para aos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês. Segue-se a família Setubal/Villela, uma das maiores dinastias financeiras do Brasil; controla o Itaú Unibanco, juntamente com os Moreira Salles. Aí, vem a família Trajano, do Magazine Luiza; os Batista da JBS (José Batista Sobrinho). E há os Marinho, do Grupo Globo, o maior conglomerado de mídia da América Latina. Essas famílias mandam no Brasil. 

Alex havia terminado o prato de truta com arroz a piemontese. 

– Elas financiam o poder, a mídia e até as universidades federais. Sabemos que parte do dinheiro que financia os Estados de Esquerda vem do narcotráfico e de lavagem, mas só parte. A outra parte é financiada pelos bilionários. Os ditadores não podem pôr a mão no dinheiro deles porque o dinheiro está espalhado pelo mundo, em ações e paraísos fiscais. Os bilionários estão juntos aos governantes, que os fazem mais ricos. Não vê o caso de Lula da Silva? É amado pelos banqueiros, e pelo povão também. Hoje, 48 milhões de miseráveis vivem do Bolsa-Família. 

Estavam se preparando para sair. 

– Há três sistemas que dão as cartas no mundo: Os Estados Unidos; os comunistas, principalmente a China e a Rússia, sim, porque Vladimir Putin apenas fundiu czarismo com o comunismo; e os terroristas islâmicos. Os Estados Unidos representam a democracia e China, Rússia e terroristas, o eixo do mal. Nessa queda de braço, os Estados Unidos detêm o poder de enfrentar o Eixo do mal e sair vitorioso. De vez em quando Putin ameaça com armas nucleares, mas ele joga para a plateia. Se os comparsas dele perceberem que não está blefando, o matarão. 

– Dependemos de Trump – disse Alex. 

– Sim! Trump está minando a sinergia do sistema brasileiro. Já viveram muito em homeostase e, hoje, não dá mais. Hoje, meu caro Alex, a guerra é principalmente econômica e tecnológica, e o Brasil está quebrado e na Idade Média – Bond fez uma pausa. – Eliminação de pessoas é com a Esquerda – disse. 

Entraram no carro de Bond, na frente do Copacabana Palace, e zarparam.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Pipocam movimentos para derrubar a ditadura: Caminhada pela Liberdade, faróis acesos de dia e buzinaço nacional ao meio-dia de domingo 25

Nikolas Ferreira lidera a Caminhada Pela Liberdade, na luta
pela soltura imediata de todos os presos políticos no Brasil

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 23 DE JANEIRO DE 2026 – Lula da Silva e seus seguidores usam a expressão “democracia relativa”, argumentando que a Venezuela não é uma ditadura, mas uma democracia relativa, bolivariana, totalitária. É claro que os estúpidos, os jumentos, engolem essa baboseira, daí que os intelectualoides usam e abusam dessa barbaridade.

O Brasil também vive uma democracia relativa. A Constituição foi engavetada, o Congresso Nacional é ignorado e Lula governa por meio do Supremo Tribunal Federal (STF). A única pessoa que pode autorizar impeachment de ministro do Supremo é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), mas Alcolumbre está de quatro para o Supremo, assim como o presidente da Câmara, Hugo Motta. O regime tem até banco, o Master.

A consequência disso é que há centenas de presos políticos, pelo crime de criticar o regime: parlamentares, jornalistas, donas de casa e velhinhos. Alguns já morreram na prisão. O caso mais emblemático é o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, em vez de estar em uma UTI, porque se encontra morre não morre, está preso na Papuda, a Penitenciária de Brasília, sentenciado a 27 anos e três meses pela Primeira Turma do Supremo, sob a alegação de que liderou um golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023. Nesse dia, nem no Brasil Bolsonaro estava. Bota imaginação nos operadores do sistema.

O povo brasileiro não é como os franceses, que tocam fogo no país e degolam reis quando querem fazer prevalecer sua vontade. Nem como o povo iraniano, que, mesmo assassinados aos milhares, à bala, estão derrubando o Estado terrorista do Irã, parceiro de Lula.

Assim, os brasileiros procuram encontrar soluções menos trágicas para derrubar os abortos de ditador que aterrorizam o povo. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) deu início, segunda-feira 19, à Caminhada pela Liberdade, de 240 quilômetros, entre Paracatu/MG e Brasília/DF, pela BR-040, com chegada prevista domingo 25, na Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental, à altura do Sudoeste, bairro de Brasília.

À medida que Nikolas avança, a multidão vai aumentando. Ao chegar a Brasília, espera-se que centenas de milhares de pessoas se reúnam na Praça do Cruzeiro para exigir a soltura dos presos políticos, imediatamente, com anistia total, inegociável.

As pessoas que não poderão estar em Brasília neste domingo começaram também um protesto nas cidades e estradas de todo o Brasil: motoristas em movimento deixam os faróis dos seus carros acesos durante o dia, mesmo nas circunstâncias em que não seja obrigatório, até que os presos políticos sejam libertos.

Ainda, ao meio-dia de domingo, horário de Brasília, deverá soar um buzinaço em todas as cidades do país. Um aviso de que os comunistas poderão até tomar conta do país, mas não gozarão de boa pressão arterial.

Quanto à China, que estava comprando tudo na América do Sul, principalmente no Brasil, onde comprou até mina de urânio, já foi apeada pelos Estados Unidos. Os chineses engoliram o choro, pois além de não darem conta dos Estados Unidos em uma guerra convencional não querem perder mercado.

A Rússia não meterá a cara, nisso. Os russos têm bombas atômicas capazes de explodir todo o sistema solar, mas não são suicidas, tanto que não vai demorar para levarem Vladimir Putin ao cepo.

E o Irã? O queridinho de Lula está mais perdido do que cego em tiroteio.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

As vísceras da ditadura da toga começam a espirrar. A Caminhada Pela Liberdade só terminará quando soltarem os presos políticos

Dias Toffoli é relator do caso Banco Master no Supremo 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 22 DE JANEIRO DE 2026 – Da mesma forma que o ex-presidente Jair Bolsonaro é assassinado a conta-gotas, as vísceras da ditadura da toga começam a espirrar também a conta-gotas. A imprensa já descobriu, por exemplo, que a lavanderia das narcoditaduras da Ibero-América é o Banco Master. Agora, a imprensa estourou o Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro/PR. 

Outro baque na ditadura da toga: o deputado Nikolas Ferreira (PL/MG) lidera a Caminhada Pela Liberdade, de 240 quilômetros, pela BR-40, de Paracatu/MG a Brasília/DF, aonde chegará domingo 25 e, ao meio-dia, encontrará manifestantes de todo o Brasil na Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental, em Brasília, pela soltura de todos os presos políticos no país. A caminhada já reúne milhares de pessoas e mais pessoas estão a caminho de Brasília, inclusive caminhoneiros. 

A Caminhada continuará até soltarem todos os presos políticos no Brasil. Continuará em outras modalidades e na paralização de categorias por tempo indeterminado. 

Espera-se que não haja massacre como no Irã, onde o povo foi para as ruas para derrubar a ditadura iraniana e está sendo assassinado em massa. 

O assunto do momento, além da Caminhada Pela Liberdade e o Banco Master (há uma infinidade de atrocidades, como o roubo dos velhinhos do INSS), é o Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro, norte do Paraná, às margens da Represa de Chavantes, no Rio Paranapanema, com turismo náutico, águas cristalinas, caiaques, seis piscinas (três aquecidas), academia, quadras de esportes, cassino com máquinas de vídeo-loterias, máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de carteado, blackjack – modalidade de aposta com cartas valendo dinheiro, proibida no Brasil –, heliponto e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tratado pelos funcionários como proprietário. O que não quer dizer que seja, esclareça-se.

O resort, que está ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi construído pela família de Toffoli, irmãos e primo. 

Dias Toffoli é de Marília/SP, onde nasceu em 15 de novembro de 1967. Bacharel em direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (1990), foi consultor jurídico na Central Única dos Trabalhadores (CUT), de 1993 a 1994; assessor jurídico da liderança do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, de 1995 a 2000; e advogado de três campanhas presidenciais de Lula da Silva, em 1998, 2002 e 2006. Em 2009, foi indicado por Lula para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. 

Em 1994 e 1995, prestou concurso para juiz substituto do Estado de São Paulo. Foi reprovado em ambos os concursos. Mas constituiu-se bom advogado para o Partido dos Trabalhadores (PT). Atualmente, é relator, no Supremo, da investigação sobre o Banco Master.

Memorial dos sentidos



RAY CUNHA


Haverá obra de arte mais emocionante do que mulher muito linda?

Sim, nua!

Cheirando a púbis!                 

E mais bela do que isso?

Grávida!

Amamentando!

Mais belo

Só crianças rindo!

Luz se eternizando!

 

Sinto cheiro de mulher nua

Ostra com Antarctica enevoada, em julho, às 9 horas

No ar saturado de mulheres lindíssimas e suadas, em Salinas

 

Tu precisas me lamber com teus olhos verdes como lápis-lazúli

Para eu sentir o acme

Precisas apenas sorrir e tocar nos meus finos lábios

Para que eu morra como as rosas, que não morrem nunca

Porque são imortais na sua explosiva beleza

 

Imobilizo minha amante pelos cabelos

Beijo-a na boca, faço-a gritar de prazer

Ela é a própria noite

Café noturno, cheio de mulheres misteriosas de tão lindas

Que dizem oi quando passo

 

O cheiro de púbis ruivo

Inunda meu olfato, meu paladar, meu cérebro.

Degusto Antarctica, com Jorge Tufic, em Manaus, no Nathalia

Lambo o rosto da Tharcilla

Beijo os lábios carnudos e mordo o pescoço da Mara

 

Como fez Isnard Brandão Lima Filho, oferto rosas para a madrugada

Ao extrair gemidos da mulher amada, percorrendo sua pele de jambo

E sonho com leões caminhando na praia, ao amanhecer

 

Igual Picasso, com seus olhos negros, nonagenários

Sou como pássaro que nunca envelhece

Nasci com asas invisíveis

Que se equilibram no éter, como avião de caça

Riscando um golpe vermelho no azul           

 

A noite chega, ouço os alísios

Que me falam de Macapá e da Estação das Docas

Então compreendo que o som que vem do vento

São vozes e risos femininos

Como a nudez das mulheres muito lindas

Boeing pousando

Navio todo iluminado e em festa, no porto

Cataclismo de rosas

O atrito da Terra no éter

O Concerto Para Piano e Orquestra, em Ré Menor, de Mozart,

O choro dos jasmineiros

Chanel 5

Shoppings lotados

De mulheres seminuas

Em Brasília, e em todas as grandes cidades do mundo

Os lábios de Alinne Moraes ao meu ouvido

Prenhes de romance e mistério

A mulher amada

Que habita o azul dos meus gritos

 

Na minha memória

Barcos deslizam na latitude da Linha Imaginária, na boca do rio Amazonas

E despencam no Atlântico

Espero as chuvas com a mesma sofreguidão com que aguardo

O outono, o inverno e a primavera

O verão, como ocorre em todas as estações da vida,

Inunda um planeta de rosas tão azuis que sangram

E mangas doces como seios de mulheres de olhos de esmeraldas

E, se é madrugada, a chuva se confunde ao som

Que não se interrompe nunca

Do mar

Então, o atrito da Terra no espaço invade minha alma

E se mistura ao perfume das virgens ruivas

Misterioso como mulher nua

Como a luz, como o éter, como o próprio triunfo

 

Ah! meu amor, tu és meu amor porque teu riso impulsiona meu coração

Porque tu crias a vida, pois à tua passagem os jardins se levantam

E a luz infinita vibra em oração

Que escapa dos teus lábios

 

Quisera eu ser poeta, e dominar a força de gravidade com palavras

Para te dedicar versos

Que contivessem o mar

Um oceano inteiro de rubis, azuis como o céu

 

Depois que te conheci, exorcizei o medo

Aprendi a escutar o silêncio das madrugadas

Comecei a voar no perfume dos jasmineiros

 

Sou teu, todo teu, inteiramente teu

Pertencer-te é o mesmo que a liberdade

É ascender, vencer a eternidade, e sentir a presença de Deus!

 

A noite mais azul é quando

Assassinos me perseguem, derroto-os

E durmo com a princesa.

Isto só acontece nas noites tão azuis

Que um Boeing 777 fere-as

E sangue verte sobre as rosas

Que o acme da princesa

Transforma em rosas colombianas.

A noite mais azul é tórrida e os jasmineiros choram

O mundo recende a maresia      

E o meu corpo

Volta a ser rijo como os punhos de Muhammad Ali

Quando acabou com George Foreman, no Zaire.

Então me transformo em luz

Nesta noite excessivamente azul

 

Estou sentado em um quiosque defronte ao Macapá Hotel

Mas há mulheres tão lindas que as vemos apenas em grandes aeroportos internacionais

Estou só, mas o rio Amazonas, o maior do mundo, ruge como o mar em Copacabana

Na maré cheia, e salpica meu rosto, escanhoado para esta noite

Estou aparentemente só

Pois ouço merengue

E meu Pai enviou uma legião que me acompanha por todo o sempre

Estou só com meu coração

Pois sinto o perfume das virgens ruivas

Relicário de pedras preciosas como acme da mulher amada e o choro dos jasmineiros

Nas tórridas noites da Linha Imaginária do Equador

Estou só                         

Mas estão comigo Belém, Manaus e Rio de Janeiro

E meus amigos logo chegarão

Minha solidão é como a dos pugilistas e dos escritores

Quando começa o assalto ninguém os pode socorrer e eles só contam com a própria luz

Por isso nunca estou só

Pois ouço do mar o Concerto para Piano e Orquestra, em ré Menor, de Mozart

Estou só

Mas o céu é tão azul que chove rosas vermelhas colombianas

E o ar é prenhe do cheiro de mulher nua

 

Sinto rosas desabrochando como a vertigem do primeiro beijo

No ar prenhe de Chanel 5

Meu coração respira o sabor da mulher amada

Cheiro de mar numa tarde de julho

Ao choro dos jasmineiros

Em tórrido anoitecer na Estação das Docas

Sinto o cheiro de madrugadas

Acme nos lábios da mulher amada

Secos de gozo, e que ela umidifica com a língua

Tirando os cabelos do rosto

Meu coração está prenhe do sabor indescritível

De púbis, abismo de galáxias

Inalcançáveis, mas que cintilam no azul da minha vida

 

Anoitece

O rio Amazonas ruge defronte ao Macapá Hotel,

Debaixo do Trapiche, rodovia que conduz à noite

Tão azul que sangra

Estou sentado

Sozinho

Em um quiosque

Degusto Cerpinha enevoada

Parece que estou só

Mas converso com meus antepassados

Com a mulher amada

Com meus anjinhos e minha princesa

Com Isnard Brandão Lima Filho

Alcinéa Maria Cavalcante

Iara Marcille

Deury Farias

Olivar Cunha

Joy Edson

José Montoril

Fernando Canto

Raimundo Peixe

Alcy Araújo

Luiz Tadeu Magalhães

Manoel Bispo

Myrta Graciete

Tereza, Leila, Sílvia e Telma

Um cataclismo de rosas vermelhas

Juntam-se a nós Ernest Hemingway

Antoine de Saint-Exupéry

Gabriel García Márquez

Vargas Llosa

Pablo Picasso

André Cerino

Ouço merengue

Um navio, grande como uma cidade, surge, lento, até aportar, feérico

Despeja uma legião de espíritos e anjos

Que se juntam a nós

Chanel Número 5, Dom Pérignon, maresia e leite da mulher amada

Tomam conta de tudo

Como paz se alastrando na minha memória

 

Por que escreves? – pergunta-me o jornalista

– Para viver – respondo

Pois só com as palavras desnudo a luz

E voo até o fim do mundo

Por isso, escrevo granadas intensas como buracos negros

E garimpo o verbo como o primeiro beijo

Escrevo porque escrever traz aos meus sentidos

Cheiro de maresia

Dom Pérignon, safra de 1954

O labirinto do púbis no abismo do acme

Mulher nua como rosa vermelha desabrochando      

 

Que sensação estranha

Na hora de ser enforcado

Ser salvo e dormir com a princesa

 

O primeiro beijo que me deste explodiu

Como relâmpago na minha alma

Feriu-me, doce como brisa,

Pétalas pousando no púbis de um anjo

 

Desde então, flor da minha vida,

Sou prisioneiro do teu olhar

Grávido de ti, como um abismo,

Mulher amada

 

Segue-me, pois te mostrei quase nada.

Tenho a chave dos sonhos,

Que conduz para a eternidade

 

A fogueira do nosso amor, minha namorada,

O voo vertiginoso

Da luz movida a acme

 

Meu bem, estou à tua espera, vibrando de alegria

Pois esperar-te é como a emoção que precede o garimpeiro

Ao encontrar a maior pepita de ouro, dez anos depois

No morro do Salamangone, Serra Lombarda, município de Calçoene

É como a felicidade de abraçar crianças que escaparam de um naufrágio

Ao largo de Marajó

Ver rosas nuas em toda parte

Só de te esperar!

Amor da minha vida, esta noite será eterna

Porque nesta casa

Só haverá nós dois e a noite, presente de Deus,

para ti

Já arrumei tudo, as flores, o vinho e a comida, camusquim com camarão pitu

Seremos nós dois e os diamantes que garimpei toda a minha vida

E que só encontramos no céu de Macapá, em agosto, nos anos 1960

Ouviremos La Cumparsita, na voz de Julio Iglesias

E dançaremos lentamente, nossos lábios se roçando

E ouviremos Suave é a Noite, com Alcione

E Amarcord, de Nino Rota

Então, voando nas asas de Dom Pérignon, safra de 1954

Beberei colostro e sentirei o sabor da tua pele e do teu púbis

E será madrugada

A quem ofertarei teus gemidos, que espalharei no jardim da minha alma

Mulher amada

Vem logo

Pois a noite já chegou

Como um navio, um continente, uma galáxia

Só nossa!

 

Teu dorso, à sombra da tarde que finda e escoa em murmúrios

É alvo como pétala de rosa vermelha; sinuoso; nu

Agarro-me aos cabelos, às ancas, aos ombros, ao perfume, bêbedo de gemidos

A noite se instala como transatlântico no porto

Feérico, iluminado como o Copacabana Palace

Tuas costas são alvas como jambo

De olhos fechados, sorvo cheiro de nudez

Sabor de Dom Pérignon, safra de 1954

Ouço Concierto de Aranjuez, de Joaquin Rodrigo

E os 14 minutos e 10 segundos do Bolero, de Maurice Ravel,

Sob a regência de Silvio Barbato

Abro os olhos e enxergo o halo azul da noite

Suave como o primeiro movimento, allegro,

Do Concerto para Piano e Orquestra, em Ré Menor,

Número 20, K. 466, de Mozart

Pulsar longínquo, o atrito da Terra no espaço

Gemidos femininos se esvaindo

Som de maresia

Sangue circulando nos tímpanos

O segundo movimento, romanze,

É de estrelas se acamando no azul da alma

O terceiro movimento, rondó,

Flores se abrindo ao riso de crianças

Solto o urro, vibrante, de leão alado, ao ouvir gritos abafados,

E sentir que desmaias ao acme

 

Ah! Tu és como uma flor rindo ao sol

Linda como asas que sustentam o voo impossível

Intensa como a vida

Nua, sob vestido de seda

Esplendorosamente inalcançável

Ah! Tu és a alegria que não finda

Luz que inunda a galáxia

Iridescente como pedras preciosas

Néctar que sorvo em sonhos

Enlevado na vertigem da subida íngreme

Azul abismal

Leva-me para a cumeeira

Inda que eu não regresse

Nem desperte

 

Procuro na luz dos teus olhos

Misteriosos como a noite

Nos teus lábios de rosa vermelha esmigalhada

Nos meridianos do teu mar

Perder-me no azul

E sentir o sabor da tua boca

Do teu leite

Do teu púbis

Num desejo que me consome e não cessa nunca

 

As mulheres são a ilusão mais pungente

Que existe

Porque tornam o desejo inesgotável

E não saciam nunca

Porque, por mais que as amemos, são inacessíveis

E, no entanto,

Basta o olhar da mulher

Para acenderem-se todas as chamas

Munir de asas o homem mais medíocre

E engravidar de perfume o mundo

 

Em movimento imperceptível, como estrelas nascendo,

Pouso o olhar nas penugens do teu corpo.

Durante muito tempo meu olhar permanece imóvel,

E agora é navalha te lambendo.

Avião rasgando o azul do céu de agosto da Amazônia,

Que, de tão azul, sangra.

Ainda te agarrando com as tenazes do meu olhar

Começo a imaginar meu falo na tua boca,

Esguichando morno suco, que bebes avidamente.

Então a fera faminta e enjaulada fenece, arquejante, até ressuscitar,

Como erupção de desejos.

Mas isso é só no olhar, porque vou sugar-te a vida com minhas mãos ensandecidas

E devolvê-la com mais fogo ainda.

Por ora, o olhar desliza no dorso imobilizado, suplicante.

Tu pareces adormecida, mas estás atenta, à beira da explosão,

À espera da minha língua, das mãos que te pegam suavemente.

Tu suplicas ação, mas meu olhar te lambe pacientemente,

Até deixar tua pele penugenta úmida de saliva.

Meu olhar é como uma boca.

Meu olhar estaciona no teu olhar.

Teu olhar é sorridente e meigo, mulher amada.

Meus olhos sugam teus seios como bebê faminto.

Tentas pegar-me. Mas ainda não deixo.

Deslizo pelo teu ventre, vagarosamente,

Até o tufo de pelos, que sugo avidamente,

À porta que se abre para meu olhar latejante.

 

Perfume da minha vida, tu e eu somos só fogo, assim como as rosas

Mas não nos consumimos, ilusão alguma nos detém na jornada

Nem o abismo, que a tudo cerca, pode nada

Pois tu e eu, como as rosas, somos eternos porque agora

 

Querida, nem lágrimas, nem o pavor do incompreensível

Nem as ilusões, o horror, os pesadelos

Têm o poder de abalar as rosas, na sua tênue existência

Simplesmente porque elas são indestrutíveis

 

Música da minha alma, nossa viagem no éter

A caminhada sem começo nem fim

Apenas começou nesta fogueira

 

A luz que alimenta o infinito

É a lei que a tudo governa

O fogo que vivifica, amor da minha vida

Estou pronto para ti

Sereno como um homem deve ser diante de uma mulher nua

Pegar-te-ei com tanta suavidade, e firmeza,

Que lamentarás o prazer, intenso como o voo do orgasmo

Tocarei cada ponto dos teus meridianos

No fundo mais recôndito dos teus abismos insondáveis

Cavalgar-te-ei, preso em ti, na tua boca, nos teus seios, no teu sexo

Como a Terra gravitando em torno do Sol

A 108 mil quilômetros por hora

O sistema solar girando em volta do núcleo da

Via Láctea

A 830 mil quilômetros por hora

A Via Láctea indo para o Grupo Local

A 144 mil quilômetros por hora

O Grupo Local voando para o aglomerado de Virgem

A 900 mil quilômetros por hora

E tudo isso seguindo em direção ao Grande Atrator

A 2,2 milhões de quilômetros por hora

O Grande Atrator fica para além de Centauro

A 137 milhões de anos-luz da Terra

 

Como deve o acupunturista proceder nos casos das paixões avassaladoras?

Haverá agulha tão comprida, e fina, que atinja a alma?

Ou prescindiriam, os danados, de cura?

Pois os pacientes desse mal, ou bênção, sobrevivem nas trevas e na luz

São cinza e asas

E seus corações atingem a velocidade dos despenhadeiros

Do mergulho no maremoto

Do olho do furacão

Do desespero

Não será tamanho sentimento, em si mesmo, o triunfo?

Voo concedido a poucos?

Eterno porque agora?

Creio que descobri um mal – ou bênção?

Que a acupuntura não sana

Pois como apagar a luz com luz

Como ouvir o som da Terra no espaço

Se o coração não se inflama?

 

Ah! Tu és como flor se abrindo ao sol

Nua como preciosas pedras

Leve como asas que sustentam o voo

Do abismo a queda

 

Conduz-me à cumeeira

Dos sonhos

Ainda que eu não desperte

Como se estivesse morto

 

Na bacanal de rosas vermelhas

Esvaem-se os sentidos

Embriagados de estrelas

 

No labirinto do teu púbis

Afogo-me na maresia

E ressuscito em gozos múltiplos

 

Vou acalantar-te nesta noite

Vou te dizer coisas carinhosas

E tu e eu seremos dois amantes lúcidos.

Mais tarde, quando eu te penetrar e sentirmos

O gosto do sexo, da carne, da vida

Suspirarei baixinho ao teu ouvido.

E quando o sexo, a carne, a vida terminarem

Haverá mais sexo, carne e vida para

comermos

Até irmos ao banheiro.

 

Tua boca é pura flor embelezando-se ao sol de Copacabana

E tua figura é um desenho gostoso esculpido ao sol de Copacabana

E quando Copacabana inteira se prostituir

Os gemidos de amor serão a canção da moda em

Copacabana

Então a praia Copa será uma enorme cama.

 

Impor-nos o abandono físico

Ingerir grandes quantidades de álcool

E fumar interminavelmente

É o pior que se faz

Quando uma mulher se ausenta

Definitivamente.

 

Mas ela tinha cheiro de madrugada

Um leve sabor de vinho

E qualquer coisa espanhola

 

Sinto, agora, mais intenso ainda, perfume de jasmineiros

Chorando nas tórridas madrugadas de Macapá

Chanel 5, o mar, azul sangrando.

A eternidade se aproxima

Vertiginosa como a Terra girando

Profunda como o mistério de mulher nua

Como galgar o Pico da Neblina

Morar no Hilton Internacional Belém

Viver em Copacabana.

Agora compreendo, claramente,

Só há éter, energia, vibração, sintonia,

Nem matéria, nem tempo, existe

A vida é abismo interminável, e ascendente,

É como cair para cima

Cheiro de púbis de virgem ruiva, sabor de gozo,

Como se eu engravidasse de rosas vermelhas.

É permanente, agora, a sensação de autografar livros

De bater papo com Fernando Canto

Sobre telas de Olivar Cunha

Flutuando numa garrafa de Dom Pérignon, safra de 1954,

Neste 7 de agosto, como em todos os anos