terça-feira, 31 de março de 2026

Dois ícones do Amapá aniversariam, hoje: o gênio do pincel Olivar Cunha e a Seringueira

Olivar Cunha: um dos maiores pintores expressionistas do Brasil

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 31 DE MARÇO DE 2026 – Era 31 de março de 1952 quando João Raimundo Cunha comemorou o nascimento do seu filho, Olivar Cunha, plantando uma Seringueira no quintal de sua casa, na Rua Iracema Carvão Nunes, esquina com a Rua Eliezer Levy, uma casa amarela, remanescente do antigo aeroporto, ao lado do Colégio Amapaense, em Macapá/AP. 

Em 1983, a casa amarela não existia mais e João Raimundo Cunha falecera. Das árvores do quintal, só sobreviveu a Seringueira, que agora interceptava o muro oeste do Colégio Amapaense, na Rua Eliezer Levy, e apresentava uma grande lesão no tronco. Debilitada, foi atacada por fungos e insetos. Estudantes pressionaram a Prefeitura de Macapá e o Governo do Estado para que autorizassem abater a árvore, alegando risco de vida para quem transitava por ali. 

Após minuciosa inspeção, o engenheiro florestal Luiz Guilherme Dias Façanha, nascido em 18 de julho de 1952 e amigo de infância de Olivar Cunha, especialista em seringueira (Hevea brasiliensis) na extinta Superintendência da Borracha (Sudhevea), um dos órgãos federais absorvidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), verificou que a árvore estava se recuperando do ferimento, embora muito lentamente, e em razão disso posicionou-se contrário ao abate. 

Então, solicitou ao repórter Antônio de Pádua, da Rede Globo, que gravasse com ele uma matéria junto à Seringueira para dar sua opinião sobre o caso. “É claro que pesou na minha decisão todo o histórico da nossa infância brincando em volta daquela árvore: Olivar, João, Chico e eu” – disse, referindo-se a Olivar Cunha e dois de seus irmãos, os gêmeos Francisco e João. Conclusão: a Rede Globo e Luiz Façanha salvaram a Seringueira. 

Tombei-a no romance A CASA AMARELA, no qual ela se torna personagem e assume sentimentos humanos. Quando o protagonista do romance, Alexandre Picanço Cardoso, é assassinado nos porões da Fortaleza de São José de Macapá, a Seringueira verte látex e suas folhas se agitam, mesmo sem vento. 

A Seringueira está à espera de um vereador que apresente um projeto de seu tombamento, pois está ligada à história de um dos maiores artistas do Amapá e vem sendo agredida, servindo, seu tronco, com o ferimento já sarado, de lixeira. Quanto a Olivar Cunha, tornou-se um dos maiores expressionistas do país. 

Aluno do pintor Raimundo Peixe na Escola de Artes Cândido Portinari, de Macapá, em 1968, aos 16 anos de idade, Olivar Cunha expôs sua primeira individual, na sede da Associação Comercial do Amapá, então na Rua General Rondon com a Avenida FAB. Durante o tempo em que a exposição ficou aberta o salão da Associação Comercial se transformou no ponto de encontro de artistas e intelectuais de Macapá, entre os quais Raimundo Peixe, o jornalista e cronista Alcy Araújo e o poeta e cronista Isnard Brandão Lima Filho. 

Eu não perdia uma noite e participava como ouvinte atento dos papos entre esses pesos-pesados da história artística de Macapá, pois tinha 14 anos, mas já me movimentava nos meios literários locais, dando os primeiros passos, ao lado de Fernando Canto, Alcinéa Maria Cavalcante, José Edson dos Santos, Binga, Rodrigues de Souza (Galego), e por aí vai. No meu romance JAMBU faço uma homenagem a estes dois gigantes: Olivar Cunha e Isnard Brandão Lima Filho. 

Fernando Canto, maior colecionador de trabalhos de Olivar Cunha, chegou a abrir sua casa para uma mostra do pintor. 

– Os 71 anos do pintor Olivar Cunha é um acontecimento que jamais deveria passar em branco, pelo menos em sua própria terra, pois ele representa a ponta criativa de uma geração de artistas dos quais poucos sobreviveram, ainda que deixassem um espólio significativo para as artes locais – disse Fernando Canto, em 2023. Olivar Cunha está fazendo 74 anos.

"Olivar Cunha, como é conhecido pelos amigos, pinta a resistência de um povo e incorpora os problemas sócio-ambientais, transportando para a tela o inenarrável dilema das grandes metrópoles, ao lado da miséria das periferias das cidades amazônicas, de que foi testemunha ocular nas suas andanças observacionais.

"E com esse olhar aguçado retrata o mundo desconhecido da nossa região ao lidar com seus pincéis e tinta acrílica com animais em extinção e sentimentos impiedosos, denunciando, assim, o caos da destruição criado pelo não-sentimento e pela ganância do capital.

"O artista passou por diversas fases na sua trajetória vitoriosa. Escolheu (ou foi escolhido por Atena, a deusa grega das Artes) para representar com veemência, e por meio da escola expressionista, um universo temático tão perto de todos, mas perceptível apenas pelos artistas. Então sua vida é um mosaico de brilho intenso que envolve mistérios e enlua os apreciadores de sua arte. Por isso eu brindo com vinho do Porto à saúde do meu amigo Olivar Cunha. Feliz aniversário!" – brinda Fernando Canto.

Depois de Macapá, Olivar Cunha estudou no Parque Lage, no Rio de Janeiro, onde foi aluno de Charles Watson, e no Museu Nacional de Belas Artes, onde fez um curso de restauração. Mora, atualmente, em Serra, na Grande vitória, Espírito Santo, onde vem restaurando pinturas e esculturas sacras em vários municípios do Estado.

A Seringueira na edição da A CASA AMARELA da amazon.com

O romance JAMBU homenageia Olivar Cunha e Isnard Lima Filho

domingo, 29 de março de 2026

As mulheres que não amam as mulheres: Senado aprova PL da Misoginia, que explodirá as bolas não só dos homens, mas de toda a sociedade

Robôs incendeiam a imaginação dos homens (divulgação)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 29 DE MARÇO DE 2026 – O Senado Federal aprovou, terça-feira 24, o PL da Misoginia (ódio ou aversão a mulheres), que prevê pena de até cinco anos de cadeia, inafiançável, sem prescrição, para o homem que for acusado de ter menosprezado uma mulher. O projeto seguiu para a Câmara. Se não for barrado, lá, e for aprovado, isso vai gerar o isolamento das mulheres, pois nenhum homem, devidamente informado sobre a lei, vai querer sequer conversar com uma mulher, e, muito menos, empregá-la. Até maridos se tornarão frios. 

Também o projeto censura as redes sociais e castra textos humorísticos, programas de auditórios, obras de artes e até comentários jornalísticos. Por exemplo: não se poderá dizer, em sentido figurado, que determinado comunista tem mais neurônios no intestino grosso do que no cérebro. 

O Projeto de Lei 896/2023, da senadora Ana Paula Lobato (PSB/MA), foi aprovado por 67 votos a favor, sem voto contrário nem abstenção. Até o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), candidato à Presidência, votou a favor, provavelmente com medo de perder voto feminino. Ele devia saber que as canhotas só votam em Lula da Silva ou em poste. 

O PL é um equívoco total. Trata-se de uma lei que funcionará como uma bomba no seio da sociedade, de ideologia claramente comunista, pois os comunistas destroem o Estado de direito para impor a ditadura. 

O PL da Misoginia não vai reduzir o número de assassinato de mulheres, mais conhecido pelos comunistas pelo neologismo “feminicídio”. O homem que mata uma mulher não está nem aí para a lei. O que vai acontecer é que os homens que amam as mulheres, que as protegem, não vão querer conversa com mulher nenhuma. É provável que o comércio de robôs femininos e mulheres de plástico aumente alguns milhares por cento.

sexta-feira, 27 de março de 2026

O dia em que o Judiciário debochou do povo

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 27 DE MARÇO DE 2026 – Com o título de “O dia em que o Judiciário virou as costas para o Brasil”, a AJOIA Brasil (Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Associados) publicou, ontem, nota sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) mandar encerrar no Congresso Nacional a apuração do roubo bilionário dos aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e chancelar os penduricalhos que turbinam o salário dos ministros. O comportamento dos ministros que votaram por essas aberrações é, simplesmente, inominável. Se isso não indignar o povo brasileiro, então, pronto, nada mais tirará a manada da estupidez. 

E tudo isso ocorre com o aval do presidente do Congresso Nacional e do Senado, senador pelo Estado do Amapá, Davi Alcolumbre (União Brasil), notório porteiro e segurança dos desmandos que vêm minando a Pátria e jogando o Brasil nos braços do clube infernal das ditaduras e narcoestados globais, e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), ambos do Centrão, bloco de partidos políticos sem ideologia definida, que atua para garantir interesses próprios e governabilidade em troca de cargos e verba, seja o presidente da República de Esquerda ou de Direita, tanto faz. 

Segue a nota da AJOIA Brasil: 

HÁ MOMENTOS na história de uma nação em que o silêncio institucional se torna cumplicidade. E há momentos em que decisões oficiais falam tão alto que ecoam como afronta direta à sociedade. O que se viu recentemente na mais alta Corte do Judiciário (STF) não pode ser tratado como mera rotina jurídica, foi um recado. 

Ao interromper a apuração que poderia expor irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Corte não apenas encerrou uma investigação. Ela fechou uma porta que deveria permanecer aberta: a da transparência. 

Num país onde a corrupção insiste em desafiar as instituições, impedir o avanço de investigações sensíveis soa, para o cidadão comum, como blindagem, e não como justiça. 

Como se não bastasse, ao chancelar os chamados “penduricalhos”, o Tribunal institucionaliza privilégios que ferem frontalmente o princípio da igualdade. 

Em termos práticos, diz-se ao brasileiro que trabalha, paga impostos e enfrenta um Estado ineficiente: há regras para você, e exceções para eles. 

Não se trata mais de percepção isolada. Trata-se de um abismo crescente entre quem decide e quem vive as consequências dessas decisões. 

O Judiciário, especialmente sua mais alta Corte, não pode se comportar como uma ilha de poder imune ao escrutínio público. 

A autoridade do Supremo Tribunal Federal não é um fim em si mesma, ela deriva da Constituição e, em última instância, da confiança da sociedade. 

Quando essa confiança é colocada em xeque, não há formalismo jurídico que sustente a legitimidade. 

A AJOIA Brasil surge neste cenário com um compromisso claro: não haverá complacência diante de decisões que ampliem a sensação de impunidade ou que consolidem castas dentro do serviço público. 

O papel do jornalismo independente não é agradar autoridades, é confrontá-las quando necessário. 

Não é aceitável que, em pleno Estado Democrático de Direito, decisões de tamanha repercussão sejam tomadas à revelia do sentimento social, como se a opinião pública fosse um ruído irrelevante. Não é. 

A democracia não se sustenta apenas em ritos formais, ela exige responsabilidade, coerência e, sobretudo, respeito ao cidadão. 

Quando a mais alta Corte do país transmite a impressão de estar acima disso, o alerta precisa ser dado. E, no que depender da Ajoia Brasil, ele será. 

Porque não há poder intocável em uma República. Há, sim, instituições que precisam, permanentemente, lembrar a quem servem. 

AJOIA Brasil – Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados

quarta-feira, 25 de março de 2026

O último dia da minha vida

Ray Cunha: A vida cabe inteira no agora, como uma imensa rosa vermelha, imortal na sua fragilidade, eterna na sua fugacidade, intensa como a luz

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 25 DE MARÇO DE 2026 – Todos os dias são o último dia da minha vida. Começo a celebrar os dias ofertando rosas para a madrugada, como fez o poeta Isnard Brandão Lima Filho. Preparo café Melitta, do sul de Minas, gourmet. Segundo o jornalista José Aparecido Ribeiro, Melitta é o café mais puro do Brasil. Preparo uma tapioquinha, ou cuscuz, com bastante manteiga Paracatu, e como com café sem açúcar, cem por cento arábica. Depois, vou ao encontro de personagens de ficção. Ou escrevo, se houver necessidade, um artigo político. 

O último dia da minha vida são todos os dias, porque o Brasil vive um momento delicado. O presidente da República, Lula da Silva, presidiário liberto, aliou-se a todas as ditaduras do mundo, e até ao Estado terrorista do Irã, e desafiou o presidente americano, Donald Trump, que quer prender os narcotraficantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), carteis que inundam os Estados Unidos de drogas, mas Lula aconselhou Trump a cuidar das negas dele. Também, Trump é amigo de Bolsonaro, e estão assassinando Bolsonaro, a conta-gotas. 

Os dias amanhecem como fotografias sépias. Costuma fazer 19 graus centígrados em torno das 8 horas, quando, às vezes, atravesso as ruas da manhã, curtindo tudo o que me ofertam. As mulheres trajam casacos, que lhes cobrem grande parte da sua pele, que ilumina o planeta.  Ao cruzar com uma mulher muito bonita, agradeço a Deus, porque é bom presságio. As manhãs são sempre como as rosas, recendem ao perfume redentor de mulheres, que presenteiam o mundo com seu esplendor.  

Por todos os dias serem o último dia da minha vida, curto as manhãs de outono como todas as manhãs, da primavera, do verão e do inverno, porque as joias que guardei no meu relicário são feitas dos sons das manhãs, risos de crianças, marulhar longínquo, quem sabe da ilha de Mosqueiro, Salinas, ou Copacabana. Meu relicário é do tamanho do meu coração, e contém cidades inteiras, que pode ser Brasília, Belém, Rio de Janeiro, ou Macapá. 

Se é Macapá, um vendaval sacode minha alma, porque a simples palavra Macapá me inunda de endorfina. Somos velhos amantes. Macapá é tão azul que mais azul só os poemas da Alcinéa Maria Cavalcante, ou o primeiro beijo, que me ensinou a voar. O Rio de Janeiro, no meu relicário, é como uma portuguesinha da Ilha do Governador ensaiando Miolo de Pão, peça que o meu amigo Luiz Loyola escreveu sobre a família dele e guardou na gaveta mais preciosa. 

Tudo isso me ocorre porque é o último dia da minha vida. Brasília é como a mulher amada. Vou explorando seus labirintos com paciência e gentileza, na esperança de que ela abra para mim todas as suas portas secretas. 

E se logo no início do outono está tão bom, imagino quando chegar o inverno, as manhãs de neblina, de cerração, de frentes frias, as noites de ventania, as mulheres lindas surgindo mais misteriosas do que nunca, deixando à mostra apenas suas bocas pintadas de vermelho. Sob o edredom, o corpo da mulher amada é redentor. Às 4 horas, retomo a história parida ao computador. 

A manhã fica ainda mais cintilante, porque é magnífica por ser outono e a última da minha vida. Assim, passam-se os dias, como folhas que caem, suavemente, sustentadas pela brisa, até o chão. À noite, no nicho da minha biblioteca, sonho novamente com a manhã, e com a tarde, e com os aromas que senti vindos de planetas que gravitam em volta da minha alma. 

A vida é isto! – penso. Sim, viver é voar, como estou fazendo agora. A vida cabe toda no agora, como uma imensa rosa vermelha, inexpugnável na sua fragilidade, eterna na sua fugacidade, invencível na sua beleza. Quero ficar grávido da manhã, do outono e das rosas, só assim escreverei palavras azuis como rubis, no último dia da minha vida. Todos os dias são o último, intenso como toda a vida.

domingo, 22 de março de 2026

Jornalistas criam associação com a missão de publicar a verdade dos fatos e lutar contra a corrupção endêmica que está destruindo o Brasil

RAY CUNHA* 

BRASÍLIA, 22 DE MARÇO DE 2026 – Será lançada nesta segunda-feira 30 a AJOIA Brasil – Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados, com a missão de fazer jornalismo investigativo, resgatar a verdade dos fatos, defender a ética e a liberdade de imprensa, e, com isso, contribuir para que o sistema político volte a se submeter à Constituição e o país conquiste a democracia plena. 

A cerimônia será realizada no conceituado e tradicional Antonielli Restaurante e Pizzeria, nas dependências do Barroca Tênis Clube, em Belo Horizonte, onde a AJOIA é sediada. A associação reúne profissionais filiados em onze Estados brasileiros e conta com representações em pontos estratégicos no Exterior. 

Segundo o presidente da AJOIA, jornalista José Aparecido Ribeiro, a criação da entidade representa um posicionamento claro em favor do jornalismo responsável, sem conflito de interesses. “Acreditamos no Brasil, acreditamos no jornalismo imparcial e o nosso compromisso é com os fatos. Defendemos uma imprensa livre, comprometida com a democracia e a justiça” – afirma. 

Durante o evento, o jornalista mineiro Alexandre Siqueira autografará o segundo volume da série Uma Coisa É Uma Coisa, Outra Coisa É Outra Coisa!, abordando reflexões sobre a imprensa brasileira e seu papel como um dos pilares da democracia.  Também o escritor e jornalista Dan Berg apresentará sua obra Sociedade dos Poetas Vivos, na qual, em linguagem poética, percorre os períodos literários e principais autores da Literatura Brasileira, e resgata a verdadeira História do Império do Brazil com Z. 

Já com seu portal (www.ajoiabrasil.com.br) bombando na internet e, em breve, com canal no Youtube, a associação já tem agenda pronta para 2026, com a realização de debates, palestras, entrevistas, lançamento de livros e exposições. 

O lançamento da AJOIA Brasil conta com o patrocínio de Antonielli Restaurante e Pizzeria; apoio do Instituto Besc, Âmago Vinhos e Espumantes e Rede Royal Hotéis; parcerias da Full Placas Comunicação Visual, Edificação Propriedade Intelectual, Supermercado Super Mais, Ledcorp Inteligência Competitiva e Resulte Gestão e Eventos. 

INFORMAÇÕES À IMPRENSA: (31) 99823-5151 e 99947-1411 

*Ray Cunha é primeiro vice-presidente da AJOIA Brasil 

sábado, 21 de março de 2026

Ensaio sobre O Perfume, feromônio e sexo

Ray Cunha na redação de A Crítica, em Manaus/AM  1976

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 21 DE MARÇO DE 2026 – Li O Perfume (Das Parfum, die Geschichte eines MördersO Perfume, História de um Assassino, Record/Altaya, Rio de Janeiro, 1985, 255 páginas), romance do escritor alemão Patrick Süskind, em 1998, aos 44 anos de idade. Conta a história de Jean-Baptiste Grenouille, que possui um olfato muito mais apurado do que o de um cachorro, tanto que ele enxerga pelo nariz, orienta-se, na maior escuridão, pelo olfato, e parece que está enxergando tudo à luz do dia. Consegue sentir fragrâncias que o interessam a grandes distâncias e armazená-las em uma memória também excepcional. 

Mas ele porta uma tragédia, tão extrema quanto seu faro: seu corpo não tem cheiro, o que faz com que as pessoas não o percebem, como se ele fosse um fantasma. “O odor é a essência, e o que não tem essência não existe.” Ao perceber isso, a necessidade de ser notado, de ser amado, cresce nele, e o consome. 

A história se passa na França do século XVIII, em Paris, Auvergne, Montpellier, Grasse e, novamente, Paris, onde Grenouille veio ao mundo em meio a vísceras de peixe, em uma feira nas proximidades de um cemitério. A partir daí, a vida de Grenouille é uma luta pela sobrevivência. Adulto, se dá conta de que não tem cheiro, mas há uma saída: com seu olfato e memória poderosos poderá confeccionar perfumes excepcionais; você só precisa aprender todas as técnicas da então indústria de perfume e fabricar um perfume que lhe dê não somente personalidade, mas também que faça com que as pessoas o amem, que se ajoelhem diante de você, que chorem de tanta emoção de se aproximar dele. 

“Ele seria o deus onipotente do olfato, assim como fora em suas fantasias, mas desta vez no mundo real e sobre pessoas reais. E ele sabia que tudo isso estava ao seu alcance. Pois as pessoas podiam fechar os olhos para a grandeza, para os horrores, para a beleza, e os ouvidos para melodias ou palavras enganosas. Mas não podiam escapar do olfato.”

Ele sabe o que quer, mas ainda não sabe como criar seu perfume final, até encontrar uma adolescente virgem, ruiva, de olhos verdes, com um perfume inebriante recendendo do seu corpo, um cheiro leve à loucura, mas, ao mesmo tempo, uma aura redentora, luminosa, o perfume perfeito, “capaz de criar um mundo inteiro, um mundo mágico e rico”. Grenouille guarda na sua memória prodigiosa esse odor, que encontra, mais adiante, em 26 jovens, também ruivas e de olhos verdes, a última das quais excepcionalmente linda. É a partir dessas 26 jovens que ele cria o perfume, aquele que o tornará Deus. 

Contudo, a tragédia de Grenouille é ainda mais funda. Para ser amado é preciso ter a capacidade de amar e Grenouille, além de não ter cheiro, também não tem a capacidade de amar. 

Como eu disse, li O Perfume aos 44 anos de idade. Fiquei impressionado, pois se trata de um dos mais extraordinários livros de criação de toda a literatura universal, na minha modesta opinião, é claro. Aos 44 anos, eu era ainda mais obtuso do que hoje. Ele já havia publicado alguns contos e poemas, mas em termos de sabedoria, ele era uma fera quadrada. Pois bem, acabo de reler O Perfume , agora, claro, com uma visão mais requintada da vida, aos 71 anos de idade, o que me permitiu vislumbrar, no livro, sua alma: a intenção ao se usar perfumes é buscar aceitação, ser amado pelo próximo. 

A filosofia descobre a verdade e a ciência explica a mecânica. A filosofia teoriza sobre a vida e o amor, enquanto a ciência mostra como é a mecânica da vida e do amor. O psicanalista austríaco Sigmund Freud e o psicanalista francês Jacques Lacan descobriram que a maior força do ser humano é o sexo. O sexo é o maior estímulo que temos para viver. Tudo gira em torno dele. 

Os cinco sentidos são as antenas que captam a matéria e o sentido mais atuante é a visão. A beleza física é esmagadora. Não há nada que a freie. Na minha juventude, tive um amigo que era um Brad Pitt da vida, no auge da sua beleza. Mulheres, inclusive casadas, imploravam para ele as possuir. E, no cataclismo do sexo, o contato com a pele, com os lábios, o púbis, incendeiam ainda mais a fogueira. 

Além da visão e do tato, a audição também é um estímulo poderoso. Quando ouço Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Niccolò Paganini, Piotr Ilitch Tchaikovski, as melhores gravações de Frank Sinatra, Nat King Cole, Charles Aznavour, Billie Holiday, Édith Piaf, Gal Costa, Amira Willighagen aos 9 anos de idade cantando Ave Maria de Charles Gounod e Johann Sebastian Bach, lágrimas me vem aos olhos. Se estiver só, choro. É que os sons divinos sobem até alma. 

Na animação Ratatouille (2007), o crítico gastronômico parisiense Anton Ego, ranzinza e exigente, prova o prato preparado pelo rato Remy, um cozinheiro genial, e o sabor da comida desperta em Ego uma memória afetiva da sua infância: a comida feita por sua mãe. E o mundo se transforma para Anton Ego, levando-lhe leveza ao coração. 

Aos sábados, na Pedra da Ceasa, há uma banca especializada em iguarias paraenses – O Pará Tá Aqui. De vez em quando vou lá e tomo tacacá, e então todo um mundo amazônico e caribenho irrompe na minha memória, com cheiros e sabores, recendendo a jasmineiros chorando em noites tórridas, ostra com Cerpinha ao mar, merengue cubano, a mulher cafuza. 

Porém o mais recôndito e explosivo dos sentidos é o olfato. Ele é a antena que fareja os feromônios. Em certa fase da minha vida, em Manaus/AM, aos 21 anos de idade, quando somos imortais, pois todos os jovens são imortais, simplesmente porque nas suas memórias a morte ainda não se manifestou, observei um fato inesquecível. Não sou nenhum Marlon Brando, pelo contrário, sou baixo, feio e besta, e não sou personagem romanesca, mas, naquela época, mulheres, inclusive casadas, ofereciam-se a mim. 

Analisando esse fenômeno lembrei-me de alguns detalhes. Na época, eu não usava desodorante, shampoo nem perfume algum. Certo dia, no banheiro, fiquei horrorizado com a visão de uma colônia de bactérias do gênero Corynebacterium, que se proliferam devido à umidade e calor da região, uma camada amarela, aderida aos pelos das minhas axilas, de onde saía um odor forte. Era a falta de desodorante antitranspirante associada ao suor excessivo. Há mulheres que adoram o cheiro de suor de machos e chegam a cheirar-lhe as axilas. 

Eu adiciono um fator importante para a libido humana: charme. Aos 21 anos eu já era poeta, jornalista (sem diploma) e frequentava o Clube da Madrugada, e era imortal. 

O olfato é o gatilho da libido. Libido, do latim “anseio ou desejo” sexual, é influenciada por fatores hormonais, especialmente os hormônios testosterona e estrogênio; físicos; emocionais; e sociais. Baixa libido pode ser causada por estresse, má alimentação, medicamentos, problemas físicos ou falta de autoconhecimento. Já o aumento da libido envolve basicamente conhecimento de como funciona o corpo humano, dieta, exercícios físicos e dormir bem. 

O fato é que o impulso, desejo ou anseio sexual é essencial para a reprodução da espécie e a saúde física e emocional. A queda na produção de testosterona, tanto em homens como em mulheres, e de estrogênio nas mulheres, diminui o desejo sexual, e a baixa libido causa astenia, baixa autoestima, estresse, ansiedade, depressão, vícios e doenças crônicas. Para o fundador da Psicanálise, o neurologista Sigmund Freud, a libido é o impulso vital para a autopreservação da espécie humana, é a energia que impulsiona a vida, que abrange toda a força vital e vontade de viver.  

Na busca por libido, especialmente por homens desejosos de atraírem mulheres, muito se investigou sobre feromônio, que funciona como um mensageiro químico para comunicação entre indivíduos da mesma espécie. O sentido do olfato funciona por meio de quimiorreceptores na cavidade nasal, que transmitem informações dos receptores ao bulbo olfativo, que, por sua vez, processa essas informações utilizando dados da memória e o disparo de emoções. Um olfato apurado identifica facilmente alimentos perigosos e, também, feromônios. Uma pessoa que perde o olfato é como se perdesse o prazer de viver; torna-se um zumbi. Os odores são essenciais nas memórias, tornando-as emocionalmente mais intensas. 

Nariz, do francês “le nez”, é o profissional da indústria de perfume que desenvolve, compõe, cria fragrâncias de perfumes, cosméticos e produtos de higiene. É o artista do perfume, combinando diferentes ingredientes aromáticos para criar um aroma exclusivo. Geralmente, é graduado em Química ou Farmácia. O nariz procura associar fragrâncias a emoções, conceitos ou ideias, utilizando óleos essenciais extraídos de flores, plantas, madeiras ou frutos, ou sintetizados em laboratório; álcool de alta qualidade; e água. O perfumista, ou nariz, combina dezenas ou centenas de ingredientes para criar a fragrância que ele idealiza. 

Civilizações antigas, como a egípcia, a persa, a grega e a romana, utilizavam perfume; a realeza, claro. Hoje, todo mundo usa perfume, principalmente desodorante. Mas há uma química atrás da qual todo mundo anda: os feromônios. São substâncias químicas produzidas pelos animais, incluindo insetos, que conduzem mensagens sexuais entre membros da mesma espécie. Certa vez, vi um cachorro vira-lata saltar um muro várias vezes mais alto do que ele atraído por uma cadela no cio, presa no outro lado do muro. 

Feromônio é uma substância química produzida e excretada por glândulas exócrinas epiteliais em diversas partes do corpo, provocando excitação ou estímulo sexual entre indivíduos da mesma espécie. Entre 1956-1959, o cientista Adolf Butenandt, que ganhou o Nobel por trabalhos em hormônios, descobriu o primeiro feromônio, o Bombicol, produzido pela mariposa do bicho-da-seda (Bombyx mori). Ele e sua equipe dedicaram décadas isolando essa substância de centenas de milhares de mariposas, a fim de determinar a estrutura do Bombicol. 

Em 1959, os cientistas Peter Karlson e Martin Lüscher cunharam o termo feromônio, do grego pherein (transmitir) e hormon (excitar), ou seja, uma substância secretada para o meio externo por um indivíduo e recebida por outro da mesma espécie, desencadeando, no outro, uma reação comportamental. 

Feromônios, produzidos por ambos os sexos, tanto em animais quanto em humanos, são substâncias químicas produzidas pelo corpo e liberados, principalmente, por glândulas sudoríparas, nas axilas e em outras áreas da pele. Estudos comprovam que as mulheres produzem feromônio no período fértil. Assim, enquanto feromônios masculinos têm a função de sinalizar dominância, ou atração, os femininos sinalizam prontidão reprodutiva. Mas, embora haja evidências de compostos químicos que atuam como feromônio em humanos, a ciência ainda não bateu o martelo sobre sua influência efetiva no comportamento sexual e social humano. 

Fêmeas de animais solitários, como insetos, polvos, leopardos-das-neves, emitem sinais químicos, feromônios, na urina, fezes, no ar, que podem ser detectados por machos a quilômetros de distância. Traças, aranhas, grandes felinos, marcam seu território com feromônio, indicando que estão prontos para o acasalamento. Algumas espécies, como cobras e animais marinhos, migram para áreas específicas em certas épocas do ano para se reproduzirem. Algumas aves dançam para impressionar a fêmea; outras, constroem ninhos aconchegantes. 

No acasalamento, entram, também, componentes como sons. Muitos animais atraem o parceiro por meio de cantos ou gritos. Entre os sapos e rãs, os machos chamam as fêmeas por meio de sons. Entre os seres humanos, o timbre da voz é um grande atrativo às mulheres, assim como a simetria do corpo, especialmente do rosto. 

É possível fabricar feromônios sintéticos, em laboratório – compostos químicos que imitam as substâncias naturais liberadas por animais e insetos para comunicação, utilizados na agricultura, para controle de pragas, e na pecuária, para a reprodução. Só não foi inventado, ainda, um feromônio humano, com poder de sedução irresistível. O fato é que jamais uma substância química, ou conjunto de substâncias químicas, foi identificada como feromônio humano, assim como isso já foi identificado em insetos, que têm estrutura infinitamente mais simples do que seres humanos. 

Animais da ordem dos mamíferos entram no cio – do latim “ciere” ou “cieo”, “pôr em movimento, excitar, despertar” –, o período de excitação sexual e fertilidade em fêmeas, caracterizado por mudanças comportamentais (desejo sexual intenso ou luxúria) e fisiológicas (ovulação), que preparam para a reprodução. Nos machos observa-se aumento de testosterona, o principal hormônio androgênico. 

Após o orgasmo, tanto machos quanto fêmeas experimentam um aumento no nível de endorfinas, conhecida como “hormônio da felicidade”, neuro-hormônio produzido pela glândula hipófise, situada no cérebro, que atua como analgésico natural, aliviando dores, reduzindo o estresse e promovendo sensações de prazer e euforia; e ocitocina, conhecido também como “hormônio do amor”,  um neurotransmissor produzido no hipotálamo, que promove empatia, vínculo social e prazer, promove laços sociais, fortalece vínculos afetivos, gera empatia, confiança e bem-estar, estimula contrações uterinas no parto e a ejeção de leite materno, reduz o estresse, ansiedade e depressão, e aumenta a libido. Sua forma sintética é usada para induzir ao trabalho de parto e tratar hemorragias pós-nascimento do bebê. 

A produção natural de ocitocina depende de vários fatores. Diversos alimentos ajudam o corpo a produzir e liberar mais ocitocina, como os alimentos ricos em vitaminas D e C, magnésio e gorduras saudáveis, como frutas, principalmente abacate e tâmara; chocolate amargo; sementes de abóbora, chia e girassol; espinafre e couve, amêndoas e castanhas; peixes gordos, salmão, atum e sardinha; ovos; cogumelos; e lactobacilos. Também a ocitocina é liberada por meio de abraços e toque físico; atos de bondade, como trabalho voluntário; ouvir música e dançar. 

Outro neurotransmissor que atua no sistema de recompensa do cérebro é a dopamina, que promove motivação, concentração, aprendizado, memória controle motor e prazer. Assim, regula o humor e o aprendizado, sendo, desse modo, crucial para evitar desmotivação e apatia, e ampliar o interesse pela vida. Baixos níveis de dopamina estão associados à depressão, Doença de Parkinson, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), esquizofrenia, bipolaridade e vício, e à busca desenfreada por prazer (fast food, redes sociais, substâncias, desvios sexuais, jogos), fatores que elevam a produção de dopamina, causando tolerância e dependência. 

Mas a dopamina pode ser aumentada naturalmente, por meio de atividades físicas regulares e o consumo de alimentos ricos em tirosina (precursor da dopamina), como abacate, banana, feijão, ovos, peixes e carnes, bem como meditação, ouvir música e dormir bem. A dopamina sintética é utilizada para tratar choque cardiogênico (falha de bomba do coração) ou séptico (resposta inflamatória grave à infecção). 

A busca desenfreada por prazer leva a vícios e estresse crônico, que, por sua vez, levam a uma produção excessiva de adrenalina, hormônio e neurotransmissor produzido pelas glândulas suprarrenais, que prepara o corpo para “luta ou fuga”, em situação perigo ou forte emoção, aumentando rapidamente o ritmo cardíaco, a pressão arterial, a respiração e a glicose no sangue, direcionando energia para os músculos. 

A adrenalina sintética é crucial em parada cardiorrespiratória e choque anafilático, que é uma reação alérgica grave, de início rápido e potencialmente fatal, causando queda abrupta da pressão, falta de ar, inchaço na garganta e urticária, geralmente desencadeada por picada de insetos, medicamentos e alimentos, como nozes e frutos do mar. 

A norepinefrina, ou noradrenalina, é um neurotransmissor e hormônio crucial para a resposta ao estresse, regulação do humor e foco. Trata-se de um potente vasopressor, utilizado no tratamento de estados hipotensivos agudos, como choques cardiogênico e séptico, infarto do miocárdio e hipotensão aguda, pois aumenta a pressão arterial por vasoconstrição. 

Então, feromônios humanos são o cruzamento de uma série de fatores e determinadas circunstâncias, o que leva a entrar em campo um neurotransmissor: a serotonina, o “hormônio do bem-estar”, que atua tanto no sistema nervoso central como no trato gastrointestinal, regulando ritmo cardíaco, temperatura corporal, apetite, sono, humor, memória e atenção. Sua deficiência é causa de ansiedade e depressão. Os níveis de serotonina aumentam naturalmente com exposição ao Sol durante 15 minutos diariamente; exercícios físicos e alimentação adequada. 

O zinco é um mineral fundamental para o corpo humano, especialmente a saúde sexual masculina, pois aumenta os níveis de testosterona. Está presente principalmente em ostras, carne vermelha, frango, nozes, sementes de abóbora e feijões. Zinco auxilia na produção de óxido nítrico, vasodilatador produzido pelo corpo, melhorando a circulação do sangue no pênis e oxigenando os músculos. Óxido nítrico é encontrado em vegetais, como espinafre, rúcula, couve, beterraba, aipo e alface. 

Há uma substância importante para o desempenho sexual, pois é rica em óxido nítrico: a citrulina, que, também, reduz a fadiga muscular e melhora a circulação sanguínea. Melancia é rica em citrulina. 

Muitos homens apelam para o medicamente Viagra (citrato de sildenafila), que relaxa a musculatura e aumenta o fluxo sanguíneo no pênis, ingerido quando o homem se encontra em estado de estímulo sexual, em uma dosagem de 50 mg, cerca de uma hora antes da relação. 

Não é afrodisíaco, nem aumenta a libido, daí porque deve ser ingerido em estado de estímulo sexual, pois não dispara nenhuma hormônio ou neurotransmissor referente a emoções. Sua ação é puramente física e dura de quatro a seis horas. Não deve ser usado por quem ingere medicamentos contendo nitratos ou óxido nítrico, devido a riscos de baixar a pressão arterial para níveis que podem levar a tontura, desmaio ou morte. 

Para o fundador da psicanálise, o neurologista austríaco Sigmund Freud, a sexualidade não se limita ao ato sexual genital, mas engloba uma busca de prazer (libido) que permeia toda a vida humana, da mais tenra infância até a velhice. Para Freud, a sexualidade é a energia vital, que impulsiona ações e molda a personalidade, e, quando reprimida, origina neuroses e repressão. Impulsos sexuais reprimidos na infância manifestam-se como sintomas neuróticos na idade adulta. 

No caso do feromônio, há uma importante conexão com os estudos de Freud: o instinto. A sexualidade humana é movida por impulsos psíquicos e não por instintos biológicos como nos animais irracionais, pois a pulsão sexual busca prazer (erotismo) e não apenas a procriação. Os animais irracionais são arrastados para a procriação por um impulso biológico, hormonal, enquanto que os seres humanos buscam prazer erótico e procriam quando querem, com ou sem desejo. 

Em suma: humanos não produzem feromônios. É provável que os homens primitivos os tivessem, até, quem sabe, a Idade Média, mas, se assim foi, foram perdendo essa capacidade. Hoje, com os perfumes, os cosméticos, os medicamentos, os alimentos industrializados, a poluição, a afeminação dos homens, a higiene corporal excessiva, o processo que redundava no que se chama feromônio desapareceu. Exceto em alguns homens. 

A busca por se tornar um homem de magnetismo pessoal irresistível por meio de uma arma como feromônio é um desejo que povoa o imaginário de bilhões de machos. Contudo, a ciência já comprovou duas coisas: feromônios funcionam claramente no reino animal irracional, para acasalamento e marcação de território. Entre homens, não; e feromônios funcionam por meio de sinais químico-olfativos. Suponhamos que os homens produzam feromônios; neste caso, os feromônios estariam no suor produzido nas axilas, que contém compostos como a androstadienona, substância encontrada no suor masculino, considerado o “cheiro da atração”. 

Trata-se de um esteroide andrógeno derivado da testosterona, encontrado no suor masculino, que seria o feromônio humano, influenciando o humor e a atenção das mulheres, aumentando, assim, a atração, em mulheres, de homens com androstadienona. Sabedor disso, o homem que usa perfume com androstadienona aumenta sua autoconfiança, tornando-se, por conseguinte, mais atraente. Confiança gera carisma, fator de atração poderoso. Conclui-se que feromônio humano é uma mistura de suor e autoconfiança, e não um aroma em um frasco. 

O super-homem de Friedrich Nietzsche tem feromônio ou prescindiria dele? O Übermensch – super-homem ou além-do-homem –, do livro Assim Falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche, cria seus próprios valores, aceita a vida como ela é, com suas dores e prazeres, e prescinde de dogmas religiosos. É um homem que está acima da moral do rebanho e que define seu próprio sentido para a existência. É estoico, não se lamenta nem sente ressentimento. Equilibra a racionalidade com a paixão, a liberdade com a responsabilidade, cria o próprio destino. É um tipo de homem que não se ajoelha aos pés de nenhuma mulher, embora respeite todas elas, e que, se uma mulher se entrega a ele, buscará picos de prazer e a levará junto. Este homem tem sex apeal. 

Sex appeal é o apelo sexual, atração física, sedução, magnetismo pessoal, sensualidade, personalidade, carisma, atitude, voz, postura, que um homem ou uma mulher exerce sobre os outros, provocando desejo, ou interesse. Esse conjunto de qualidades configura-se como energia sexual, magnetismo, charme – este, um encanto que transcende a beleza física. Assim, sex apeal remete a fascínio, sedução, atração, beleza, elegância, graça, magnetismo, simpatia, glamour. Pessoas charmosas demonstram autenticidade, autoconfiança, atitude, sedução. 

O homem primitivo certamente produzia feromônio de forma semelhante a outros mamíferos, o que garantia comunicação social, comportamento sexual e reprodução. Contudo, a produção e a sensibilidade a esta substância foi-se reduzindo ao longo da evolução. Os seres humanos adultos possuem um órgão vomeronasal vestigial, ou órgão de Jacobson, localizado no septo nasal, especializado, nos mamíferos, para detectar feromônios. 

Acredita-se que a perda de pelos corporais, que ajudavam a espalhar e concentrar o odor dos feromônios, e o desenvolvimento de formas complexas de comunicação social, especialmente das diversas línguas, substituíram o mecanismo da comunicação puramente química. 

Penso que beleza física é, talvez, o mais eficiente feromônio. Outro feromônio eficiente é charme, que tem uma vantagem sobre beleza física: não acaba, até a morte. E há perfumes. “Há um poder de convicção no perfume que é mais forte do que palavras, do que olhar, sentimento e vontade. O poder de convicção do aroma não pode ser descartado, entra dentro de nós como o ar em nossos pulmões, nos ocupa completamente, não há antídoto contra ele” – lê-se em O Perfume. 

Jean-Baptiste Grenouille “ainda seria capaz de criar um odor que fosse não só humano, mas sobre-humano, um odor angélico, tão indescritivelmente bom e com tanta energia vital que quem o cheirasse ficaria enfeitiçado, ficaria sob um encantamento, tendo de amar de todo o coração a Grenouille, o portador desse fantástico aroma. Sim, amá-lo é o que deveriam quando estivessem sob o fascínio do seu cheiro, não apenas aceitá-lo como igual, mas amá-lo até a loucura, até o sacrifício pessoal; deveriam tremer de encanto, uivar e gritar, chorar de prazer, sem saber por quê, cair de joelhos – isto é o que deveriam fazer como sob o incenso frio de Deus, só por chegarem a cheirá-lo!” 

“As pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.” 

“...um cheiro tão assustadoramente divino. ...produzindo um impacto a que nenhum ser humano, homem ou mulher, escaparia. E as pessoas ficariam dominadas, desarmadas, perdidas diante do fascínio...” 

Afinal, o ser humano produz feromônio ou não? Bom, como bem observou Albert Einstein, o Universo é, todo ele, energia, e energia está sempre em movimento, vibra. Vibração, ou oscilação, é movimento que se repete, regular ou irregularmente, em determinado intervalo de tempo. No contexto da física quântica, quando a energia se condensa e forma matéria, ela vibra mais lentamente em comparação com a energia em estado menos denso, como a luz. Quanto mais baixa, lenta, condensada, é a vibração ou frequência da energia, mais densa ela é, ou seja, é matéria, sólida. Energias como pensamentos e emoções possuem frequências vibracionais mais rápidas. A vibração da consciência e do corpo físico é influenciada por uma combinação de fatores – físicos, emocionais, mentais e ambientais. 

David R. Hawkins (1927-2012), psiquiatra, pesquisador da consciência e professor norte-americano foca, nos seus livros, sobre a evolução espiritual e a relação entre mente, espírito e divindade. Ele criou o Mapa da Consciência, que mede os níveis de energia da consciência humana, oscilando de emoções negativas, como vergonha, culpa, apatia, tristeza, desejo, orgulho, medo e raiva, até estados elevados, como coragem, razão, alegria, amor, paz e iluminação. O mapa é utilizado para identificar estados emocionais predominantes, visando afetar a percepção da realidade e procurar elevar a vibração, por meio de uma vida saudável. 

O que seria uma vida saudável? Agradecer a tudo e a todos, amar, procurar viver em paz, rir, ficar em silêncio, viver o agora, comer alimentos naturais e frescos, tomar sol, caminhar, respirar profundamente, descansar, cercar-se de pessoas positivas, manter ambientes limpos, organizados e iluminados, e meditar, são alguns fatores que elevam a vibração humana. 

Ao passo que viver constantemente com medo, raiva, ciúme, inveja, culpa, vergonha, tristeza profunda, reclamando, ansioso, sedentário, comendo alimentos superprocessados e fast food, consumir açúcar, álcool e tabaco, assistir a noticiários sensacionalistas, violência, pornografia, ficar em ambientes caóticos e ter relações tóxicas, tudo isso gera estagnação de energia. 

Além da vibração alta, o feromônio está presente no suor de quem não usa cosméticos, nem perfume, e se alimenta naturalmente. Que tal tomar banho somente com sabonete neutro, comer frutos do mar e peixes, duas castanhas-do-pará por dia, comer melancia e tomar açaí paraense diariamente, comer nozes, frutas, principalmente vermelhas, e abacate, pelo menos três vezes por semana, tomar banho de mar pelo menos três vezes por semana, caminhar pelo menos durante 40 minutos todos os dias, dormir de seis a oito horas diariamente, ler muito e não usar desodorante e perfume? 

Pessoalmente, acho que o melhor feromônio é o que eu produzo: o não feromônio. Trata-se de algo absolutamente subjetivo, idiossincrático: minha igrejinha. Eu mesmo preparo a hóstia e a como, bebo o vinho, especialmente os italianos, ou do Porto, e oficio a missa, com roteiro meu. Não há confissão. Gosto de viver, da mulher amada, do mar, do azul, silêncio, ler, caminhar, ver, ofertar rosas para a madrugada, criar, sentir o eterno cataclismo do primeiro beijo, amar, cavalgar a luz. Como disse o pintor Olivar Cunha: “A vida é um tesão!”

sexta-feira, 20 de março de 2026

Ai de ti, alcateia de hienas risonhas, sob o comando da mamba negra de nove garras

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 20 DE MARÇO DE 2026 – 1. Ai de ti, alcateia de hienas, porque André Mendonça já fez o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém a voz de Daniel Vorcaro te abalará até as entranhas. 

2. Ai de ti, porque a ti denominam clã, e cingiram tua fronte com uma coroa de crimes; e deste risadas ébrias e vãs na Praça dos Três Poderes. 

3. Donald Trump já moveu o mar de uma parte e de outra parte, e as ondas da sua Marinha tomaram o palácio do clã, e tu não viste este sinal; estás perdida e cega no meio de tuas iniquidades e de tua maldade. 

4. Sem Constituição, quem te governará? Foste iníqua perante o Brasil, e Tio Sam mandará sobre ti a Pax Americana. 

5. Grandes são os edifícios de concreto, e eles se postam diante da esquadrilha de Lockheed Martin F-22 Raptor qual alta muralha desafiando a bomba atômica; mas eles se abaterão como as calçadas bombardeadas de Brasília. 

6. E as putas esculturais que frequentam o Setor Hoteleiro Sul nadarão nas ruas da Ilha da Fantasia e a vasa fétida do chão em chamas cobrirá tua face; e o Setentrião lançará os rios aéreos sobre ti num referver de nuvens qual um bando de porcos em pânico, até morder a aba de teus monumentos; e as muralhas do inferno ruirão. 

7. E os jacarés-açus habitarão os teus porões e os negros dragões-de-komodo os teus gabinetes; e as sucuris se entocarão no Lago Paranoá, desde o Pontão até o Lago Norte. 

8. Foste iníqua perante Jair Messias Bolsonaro, e a mídia decente mandou sobre ti a multidão de suas verdades. Então, quem especulará sobre o metro quadrado do teu palácio? Pois na verdade não haverá palácio algum, mas jaula. 

9. Ai daqueles que dormem nos leitos úmidos das bacanais, e desprezam o sofrimento dos famintos, saqueados e estuprados, e não obedecem a Lei. 

10. Ai daqueles que passam em seus carros negros, blindados, buzinando alto, pois não terão tanta pressa quando virem pela frente o próprio diabo, com um forcado, como um Netuno. 

11. As advogadas que ganham dezenas de milhões de reais como se fossem trocados se estendem na pérgula e passam no corpo óleos odoríferos para tostar a tez, e os mafiosos fazem das maletas recheadas de dinheiro instrumentos de concupiscência. 

12. Uivai, jumentos, e clamai, prostitutas, e rebolai-vos na cinza, porque já se cumpriram vossos dias, e voz serão incinerados vivos. 

13. Ai de ti, alcateia, porque as hienas e os urubus estarão nas portas dos de teus elevadores, e prostitutas, quando for chegado o tempo das propinas, abrirão as bolcetas nos apartamentos de luxo dos hotéis cinco estrelas; ou sacudirão suas bolcetas nas calçadas infames de Brasília. 

14. E os presos políticos que morrem aos poucos nas prisões da ditadura serão libertados para todo o número de suas gerações. 

15. Por que rezais nas igrejas, alcateia de hienas, e levais flores para Iemanjá em pleno dia? Acaso alguém não conhece a multidão de vossos pecados? Até os cachorros sabem disso. 

16. Antes de te perderes eu agravarei a tua demência – ai de ti, alcateia de hienas! Os gentios, os favelados, os moradores de rua, cairão uivando sobre ti, e os canhões do povo se voltarão contra teu corpo, e troarão; mas o fogo levará milênios para lavar os teus pecados de um só dia. 

17. E tu, filho do Foro de São Paulo, ouve a ordem: reserva para Trump os mais espaçosos aposentos de teu palácio. 

18. E no Setor de Clubes Sul o povo comerá cabeças de ladrões fritas no crânio; e Silvio Barbato tocará piano para fantasmas de pioneiros, cujos nomes passaram muitos anos nas colunas dos cronistas, no tempo em que havia colunas e havia cronistas. 

19. Pois grande foi a tua vaidade, alcateia de hienas, e fundas foram as tuas mazelas; já se incendiou o Irã, e não viste o sinal, e Daniel Vorcaro assinou uma delação premiada e ainda não vês o sinal. Pois o fogo e a delação premiada te consumirão. 

20. A rapina dos urubus e a libação da perdição, e a ostentação das putas do 21, em cujos diamantes se coagularam as lágrimas de mil meninas miseráveis – tudo passará e vocês terão que mamar a miratinga do diabo. 

21. Assim qual escuro alfanje a nadadeira dos imensos porta-aviões passarão ao largo, no Atlântico, enviando caças e bombardeiros; muitos peixes grandes morrerão por se banharem no uísque do desvio de 8 trilhões de reais. 

22. Pinta-te qual puta e coloca todas as tuas joias, e aviva o verniz de tuas unhas e o batom da Justiça e canta a tua última canção, pois em verdade é tarde para rezar; e que estremeça o teu corpo cheio de máculas, desde a Praça dos Três Poderes até a divisa com Goiás, porque eis que sobre ti vai a fúria das leis naturais, que a destruirão. Canta a tua última canção indecente! 

23. És uma alcateia de hienas, mas te pareces com urubus de toga sobrevoando carniça, sob o comando de uma mamba negra de nove garras. 

24. A trilha monstruosa dos teus assassinatos, roubos trilionários, mentiras e alianças com ditaduras e terroristas foram registrados em livros como O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO, e és vigiada em trincheiras, como a Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Associados (Ajoia Brasil); por jornalistas que conseguiram se refugiar nos Estados Unidos; e pelos que despertaram à luz de Olavo de Carvalho. 

25. É chegada a tua hora. Serão derrubados os ladrões, os praticantes do nepotismo, o Centrão, todo o sistema. Até o Amapá expulsará os políticos saltitantes e que querem varrer do mapa Israel e os Estados Unidos. 

26. Os narcotraficantes serão hospedados no Centro de Confinamento do Terrorismo, em Tecoluca, San Vicente, El Salvador. 

27. Ladrões que roubaram bilhões serão condenados à prisão perpétua e estupradores de crianças serão capados. 

28. Donald Trump enjaulou Nicolás Maduro e está exterminando os terroristas do Irã e a ditadura castrista de Cuba. 

29. A tua hora, alcateia de hienas, está chegando. Pode até demorar, ainda, mas está chegando. Se fizerem com Donald Trump o que fizeram com Bolsonaro, outros, ainda mais severos, o substituirão. Estão matando Bolsonaro a conta-gotas, mas mitos não morrem. 

30. Os teus crimes, sob o comando da mamba negra, são tão infames, e tantos, que nada te redimirá. Levarás, no inferno da tua mente, a mandioca de Trump. 

31. Os tribunais de contas, as universidades, as escolas, o Ministério da Cultura, as estatais, os gabinetes dos políticos e da Justiça serão desinfetados. 

32. E a trilogia será dada por encerrada, com o lançamento do terceiro volume.