sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Pipocam movimentos para derrubar a ditadura: Caminhada pela Liberdade, faróis acesos de dia e buzinaço nacional ao meio-dia de domingo 25

Nikolas Ferreira lidera a Caminhada Pela Liberdade, na luta
pela soltura imediata de todos os presos políticos no Brasil

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 23 DE JANEIRO DE 2026 – Lula da Silva e seus seguidores usam a expressão “democracia relativa”, argumentando que a Venezuela não é uma ditadura, mas uma democracia relativa, bolivariana, totalitária. É claro que os estúpidos, os jumentos, engolem essa baboseira, daí que os intelectualoides usam e abusam dessa barbaridade.

O Brasil também vive uma democracia relativa. A Constituição foi engavetada, o Congresso Nacional é ignorado e Lula governa por meio do Supremo Tribunal Federal (STF). A única pessoa que pode autorizar impeachment de ministro do Supremo é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), mas Alcolumbre está de quatro para o Supremo, assim como o presidente da Câmara, Hugo Motta. O regime tem até banco, o Master.

A consequência disso é que há centenas de presos políticos, pelo crime de criticar o regime: parlamentares, jornalistas, donas de casa e velhinhos. Alguns já morreram na prisão. O caso mais emblemático é o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, em vez de estar em uma UTI, porque se encontra morre não morre, está preso na Papuda, a Penitenciária de Brasília, sentenciado a 27 anos e três meses pela Primeira Turma do Supremo, sob a alegação de que liderou um golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023. Nesse dia, nem no Brasil Bolsonaro estava. Bota imaginação nos operadores do sistema.

O povo brasileiro não é como os franceses, que tocam fogo no país e degolam reis quando querem fazer prevalecer sua vontade. Nem como o povo iraniano, que, mesmo assassinados aos milhares, à bala, estão derrubando o Estado terrorista do Irã, parceiro de Lula.

Assim, os brasileiros procuram encontrar soluções menos trágicas para derrubar os abortos de ditador que aterrorizam o povo. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) deu início, segunda-feira 19, à Caminhada pela Liberdade, de 240 quilômetros, entre Paracatu/MG e Brasília/DF, pela BR-040, com chegada prevista domingo 25, na Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental, à altura do Sudoeste, bairro de Brasília.

À medida que Nikolas avança, a multidão vai aumentando. Ao chegar a Brasília, espera-se que centenas de milhares de pessoas se reúnam na Praça do Cruzeiro para exigir a soltura dos presos políticos, imediatamente, com anistia total, inegociável.

As pessoas que não poderão estar em Brasília neste domingo começaram também um protesto nas cidades e estradas de todo o Brasil: motoristas em movimento deixam os faróis dos seus carros acesos durante o dia, mesmo nas circunstâncias em que não seja obrigatório, até que os presos políticos sejam libertos.

Ainda, ao meio-dia de domingo, horário de Brasília, deverá soar um buzinaço em todas as cidades do país. Um aviso de que os comunistas poderão até tomar conta do país, mas não gozarão de boa pressão arterial.

Quanto à China, que estava comprando tudo na América do Sul, principalmente no Brasil, onde comprou até mina de urânio, já foi apeada pelos Estados Unidos. Os chineses engoliram o choro, pois além de não darem conta dos Estados Unidos em uma guerra convencional não querem perder mercado.

A Rússia não meterá a cara, nisso. Os russos têm bombas atômicas capazes de explodir todo o sistema solar, mas não são suicidas, tanto que não vai demorar para levarem Vladimir Putin ao cepo.

E o Irã? O queridinho de Lula está mais perdido do que cego em tiroteio.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

As vísceras da ditadura da toga começam a espirrar. A Caminhada Pela Liberdade só terminará quando soltarem os presos políticos

Dias Toffoli é relator do caso Banco Master no Supremo 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 22 DE JANEIRO DE 2026 – Da mesma forma que o ex-presidente Jair Bolsonaro é assassinado a conta-gotas, as vísceras da ditadura da toga começam a espirrar também a conta-gotas. A imprensa já descobriu, por exemplo, que a lavanderia das narcoditaduras da Ibero-América é o Banco Master. Agora, a imprensa estourou o Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro/PR. 

Outro baque na ditadura da toga: o deputado Nikolas Ferreira (PL/MG) lidera a Caminhada Pela Liberdade, de 240 quilômetros, pela BR-40, de Paracatu/MG a Brasília/DF, aonde chegará domingo 25 e, ao meio-dia, encontrará manifestantes de todo o Brasil na Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental, em Brasília, pela soltura de todos os presos políticos no país. A caminhada já reúne milhares de pessoas e mais pessoas estão a caminho de Brasília, inclusive caminhoneiros. 

A Caminhada continuará até soltarem todos os presos políticos no Brasil. Continuará em outras modalidades e na paralização de categorias por tempo indeterminado. 

Espera-se que não haja massacre como no Irã, onde o povo foi para as ruas para derrubar a ditadura iraniana e está sendo assassinado em massa. 

O assunto do momento, além da Caminhada Pela Liberdade e o Banco Master (há uma infinidade de atrocidades, como o roubo dos velhinhos do INSS), é o Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro, norte do Paraná, às margens da Represa de Chavantes, no Rio Paranapanema, com turismo náutico, águas cristalinas, caiaques, seis piscinas (três aquecidas), academia, quadras de esportes, cassino com máquinas de vídeo-loterias, máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de carteado, blackjack – modalidade de aposta com cartas valendo dinheiro, proibida no Brasil –, heliponto e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tratado pelos funcionários como proprietário. O que não quer dizer que seja, esclareça-se.

O resort, que está ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi construído pela família de Toffoli, irmãos e primo. 

Dias Toffoli é de Marília/SP, onde nasceu em 15 de novembro de 1967. Bacharel em direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (1990), foi consultor jurídico na Central Única dos Trabalhadores (CUT), de 1993 a 1994; assessor jurídico da liderança do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, de 1995 a 2000; e advogado de três campanhas presidenciais de Lula da Silva, em 1998, 2002 e 2006. Em 2009, foi indicado por Lula para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. 

Em 1994 e 1995, prestou concurso para juiz substituto do Estado de São Paulo. Foi reprovado em ambos os concursos. Mas constituiu-se bom advogado para o Partido dos Trabalhadores (PT). Atualmente, é relator, no Supremo, da investigação sobre o Banco Master.

Memorial dos sentidos



RAY CUNHA


Haverá obra de arte mais emocionante do que mulher muito linda?

Sim, nua!

Cheirando a púbis!                 

E mais bela do que isso?

Grávida!

Amamentando!

Mais belo

Só crianças rindo!

Luz se eternizando!

 

Sinto cheiro de mulher nua

Ostra com Antarctica enevoada, em julho, às 9 horas

No ar saturado de mulheres lindíssimas e suadas, em Salinas

 

Tu precisas me lamber com teus olhos verdes como lápis-lazúli

Para eu sentir o acme

Precisas apenas sorrir e tocar nos meus finos lábios

Para que eu morra como as rosas, que não morrem nunca

Porque são imortais na sua explosiva beleza

 

Imobilizo minha amante pelos cabelos

Beijo-a na boca, faço-a gritar de prazer

Ela é a própria noite

Café noturno, cheio de mulheres misteriosas de tão lindas

Que dizem oi quando passo

 

O cheiro de púbis ruivo

Inunda meu olfato, meu paladar, meu cérebro.

Degusto Antarctica, com Jorge Tufic, em Manaus, no Nathalia

Lambo o rosto da Tharcilla

Beijo os lábios carnudos e mordo o pescoço da Mara

 

Como fez Isnard Brandão Lima Filho, oferto rosas para a madrugada

Ao extrair gemidos da mulher amada, percorrendo sua pele de jambo

E sonho com leões caminhando na praia, ao amanhecer

 

Igual Picasso, com seus olhos negros, nonagenários

Sou como pássaro que nunca envelhece

Nasci com asas invisíveis

Que se equilibram no éter, como avião de caça

Riscando um golpe vermelho no azul           

 

A noite chega, ouço os alísios

Que me falam de Macapá e da Estação das Docas

Então compreendo que o som que vem do vento

São vozes e risos femininos

Como a nudez das mulheres muito lindas

Boeing pousando

Navio todo iluminado e em festa, no porto

Cataclismo de rosas

O atrito da Terra no éter

O Concerto Para Piano e Orquestra, em Ré Menor, de Mozart,

O choro dos jasmineiros

Chanel 5

Shoppings lotados

De mulheres seminuas

Em Brasília, e em todas as grandes cidades do mundo

Os lábios de Alinne Moraes ao meu ouvido

Prenhes de romance e mistério

A mulher amada

Que habita o azul dos meus gritos

 

Na minha memória

Barcos deslizam na latitude da Linha Imaginária, na boca do rio Amazonas

E despencam no Atlântico

Espero as chuvas com a mesma sofreguidão com que aguardo

O outono, o inverno e a primavera

O verão, como ocorre em todas as estações da vida,

Inunda um planeta de rosas tão azuis que sangram

E mangas doces como seios de mulheres de olhos de esmeraldas

E, se é madrugada, a chuva se confunde ao som

Que não se interrompe nunca

Do mar

Então, o atrito da Terra no espaço invade minha alma

E se mistura ao perfume das virgens ruivas

Misterioso como mulher nua

Como a luz, como o éter, como o próprio triunfo

 

Ah! meu amor, tu és meu amor porque teu riso impulsiona meu coração

Porque tu crias a vida, pois à tua passagem os jardins se levantam

E a luz infinita vibra em oração

Que escapa dos teus lábios

 

Quisera eu ser poeta, e dominar a força de gravidade com palavras

Para te dedicar versos

Que contivessem o mar

Um oceano inteiro de rubis, azuis como o céu

 

Depois que te conheci, exorcizei o medo

Aprendi a escutar o silêncio das madrugadas

Comecei a voar no perfume dos jasmineiros

 

Sou teu, todo teu, inteiramente teu

Pertencer-te é o mesmo que a liberdade

É ascender, vencer a eternidade, e sentir a presença de Deus!

 

A noite mais azul é quando

Assassinos me perseguem, derroto-os

E durmo com a princesa.

Isto só acontece nas noites tão azuis

Que um Boeing 777 fere-as

E sangue verte sobre as rosas

Que o acme da princesa

Transforma em rosas colombianas.

A noite mais azul é tórrida e os jasmineiros choram

O mundo recende a maresia      

E o meu corpo

Volta a ser rijo como os punhos de Muhammad Ali

Quando acabou com George Foreman, no Zaire.

Então me transformo em luz

Nesta noite excessivamente azul

 

Estou sentado em um quiosque defronte ao Macapá Hotel

Mas há mulheres tão lindas que as vemos apenas em grandes aeroportos internacionais

Estou só, mas o rio Amazonas, o maior do mundo, ruge como o mar em Copacabana

Na maré cheia, e salpica meu rosto, escanhoado para esta noite

Estou aparentemente só

Pois ouço merengue

E meu Pai enviou uma legião que me acompanha por todo o sempre

Estou só com meu coração

Pois sinto o perfume das virgens ruivas

Relicário de pedras preciosas como acme da mulher amada e o choro dos jasmineiros

Nas tórridas noites da Linha Imaginária do Equador

Estou só                         

Mas estão comigo Belém, Manaus e Rio de Janeiro

E meus amigos logo chegarão

Minha solidão é como a dos pugilistas e dos escritores

Quando começa o assalto ninguém os pode socorrer e eles só contam com a própria luz

Por isso nunca estou só

Pois ouço do mar o Concerto para Piano e Orquestra, em ré Menor, de Mozart

Estou só

Mas o céu é tão azul que chove rosas vermelhas colombianas

E o ar é prenhe do cheiro de mulher nua

 

Sinto rosas desabrochando como a vertigem do primeiro beijo

No ar prenhe de Chanel 5

Meu coração respira o sabor da mulher amada

Cheiro de mar numa tarde de julho

Ao choro dos jasmineiros

Em tórrido anoitecer na Estação das Docas

Sinto o cheiro de madrugadas

Acme nos lábios da mulher amada

Secos de gozo, e que ela umidifica com a língua

Tirando os cabelos do rosto

Meu coração está prenhe do sabor indescritível

De púbis, abismo de galáxias

Inalcançáveis, mas que cintilam no azul da minha vida

 

Anoitece

O rio Amazonas ruge defronte ao Macapá Hotel,

Debaixo do Trapiche, rodovia que conduz à noite

Tão azul que sangra

Estou sentado

Sozinho

Em um quiosque

Degusto Cerpinha enevoada

Parece que estou só

Mas converso com meus antepassados

Com a mulher amada

Com meus anjinhos e minha princesa

Com Isnard Brandão Lima Filho

Alcinéa Maria Cavalcante

Iara Marcille

Deury Farias

Olivar Cunha

Joy Edson

José Montoril

Fernando Canto

Raimundo Peixe

Alcy Araújo

Luiz Tadeu Magalhães

Manoel Bispo

Myrta Graciete

Tereza, Leila, Sílvia e Telma

Um cataclismo de rosas vermelhas

Juntam-se a nós Ernest Hemingway

Antoine de Saint-Exupéry

Gabriel García Márquez

Vargas Llosa

Pablo Picasso

André Cerino

Ouço merengue

Um navio, grande como uma cidade, surge, lento, até aportar, feérico

Despeja uma legião de espíritos e anjos

Que se juntam a nós

Chanel Número 5, Dom Pérignon, maresia e leite da mulher amada

Tomam conta de tudo

Como paz se alastrando na minha memória

 

Por que escreves? – pergunta-me o jornalista

– Para viver – respondo

Pois só com as palavras desnudo a luz

E voo até o fim do mundo

Por isso, escrevo granadas intensas como buracos negros

E garimpo o verbo como o primeiro beijo

Escrevo porque escrever traz aos meus sentidos

Cheiro de maresia

Dom Pérignon, safra de 1954

O labirinto do púbis no abismo do acme

Mulher nua como rosa vermelha desabrochando      

 

Que sensação estranha

Na hora de ser enforcado

Ser salvo e dormir com a princesa

 

O primeiro beijo que me deste explodiu

Como relâmpago na minha alma

Feriu-me, doce como brisa,

Pétalas pousando no púbis de um anjo

 

Desde então, flor da minha vida,

Sou prisioneiro do teu olhar

Grávido de ti, como um abismo,

Mulher amada

 

Segue-me, pois te mostrei quase nada.

Tenho a chave dos sonhos,

Que conduz para a eternidade

 

A fogueira do nosso amor, minha namorada,

O voo vertiginoso

Da luz movida a acme

 

Meu bem, estou à tua espera, vibrando de alegria

Pois esperar-te é como a emoção que precede o garimpeiro

Ao encontrar a maior pepita de ouro, dez anos depois

No morro do Salamangone, Serra Lombarda, município de Calçoene

É como a felicidade de abraçar crianças que escaparam de um naufrágio

Ao largo de Marajó

Ver rosas nuas em toda parte

Só de te esperar!

Amor da minha vida, esta noite será eterna

Porque nesta casa

Só haverá nós dois e a noite, presente de Deus,

para ti

Já arrumei tudo, as flores, o vinho e a comida, camusquim com camarão pitu

Seremos nós dois e os diamantes que garimpei toda a minha vida

E que só encontramos no céu de Macapá, em agosto, nos anos 1960

Ouviremos La Cumparsita, na voz de Julio Iglesias

E dançaremos lentamente, nossos lábios se roçando

E ouviremos Suave é a Noite, com Alcione

E Amarcord, de Nino Rota

Então, voando nas asas de Dom Pérignon, safra de 1954

Beberei colostro e sentirei o sabor da tua pele e do teu púbis

E será madrugada

A quem ofertarei teus gemidos, que espalharei no jardim da minha alma

Mulher amada

Vem logo

Pois a noite já chegou

Como um navio, um continente, uma galáxia

Só nossa!

 

Teu dorso, à sombra da tarde que finda e escoa em murmúrios

É alvo como pétala de rosa vermelha; sinuoso; nu

Agarro-me aos cabelos, às ancas, aos ombros, ao perfume, bêbedo de gemidos

A noite se instala como transatlântico no porto

Feérico, iluminado como o Copacabana Palace

Tuas costas são alvas como jambo

De olhos fechados, sorvo cheiro de nudez

Sabor de Dom Pérignon, safra de 1954

Ouço Concierto de Aranjuez, de Joaquin Rodrigo

E os 14 minutos e 10 segundos do Bolero, de Maurice Ravel,

Sob a regência de Silvio Barbato

Abro os olhos e enxergo o halo azul da noite

Suave como o primeiro movimento, allegro,

Do Concerto para Piano e Orquestra, em Ré Menor,

Número 20, K. 466, de Mozart

Pulsar longínquo, o atrito da Terra no espaço

Gemidos femininos se esvaindo

Som de maresia

Sangue circulando nos tímpanos

O segundo movimento, romanze,

É de estrelas se acamando no azul da alma

O terceiro movimento, rondó,

Flores se abrindo ao riso de crianças

Solto o urro, vibrante, de leão alado, ao ouvir gritos abafados,

E sentir que desmaias ao acme

 

Ah! Tu és como uma flor rindo ao sol

Linda como asas que sustentam o voo impossível

Intensa como a vida

Nua, sob vestido de seda

Esplendorosamente inalcançável

Ah! Tu és a alegria que não finda

Luz que inunda a galáxia

Iridescente como pedras preciosas

Néctar que sorvo em sonhos

Enlevado na vertigem da subida íngreme

Azul abismal

Leva-me para a cumeeira

Inda que eu não regresse

Nem desperte

 

Procuro na luz dos teus olhos

Misteriosos como a noite

Nos teus lábios de rosa vermelha esmigalhada

Nos meridianos do teu mar

Perder-me no azul

E sentir o sabor da tua boca

Do teu leite

Do teu púbis

Num desejo que me consome e não cessa nunca

 

As mulheres são a ilusão mais pungente

Que existe

Porque tornam o desejo inesgotável

E não saciam nunca

Porque, por mais que as amemos, são inacessíveis

E, no entanto,

Basta o olhar da mulher

Para acenderem-se todas as chamas

Munir de asas o homem mais medíocre

E engravidar de perfume o mundo

 

Em movimento imperceptível, como estrelas nascendo,

Pouso o olhar nas penugens do teu corpo.

Durante muito tempo meu olhar permanece imóvel,

E agora é navalha te lambendo.

Avião rasgando o azul do céu de agosto da Amazônia,

Que, de tão azul, sangra.

Ainda te agarrando com as tenazes do meu olhar

Começo a imaginar meu falo na tua boca,

Esguichando morno suco, que bebes avidamente.

Então a fera faminta e enjaulada fenece, arquejante, até ressuscitar,

Como erupção de desejos.

Mas isso é só no olhar, porque vou sugar-te a vida com minhas mãos ensandecidas

E devolvê-la com mais fogo ainda.

Por ora, o olhar desliza no dorso imobilizado, suplicante.

Tu pareces adormecida, mas estás atenta, à beira da explosão,

À espera da minha língua, das mãos que te pegam suavemente.

Tu suplicas ação, mas meu olhar te lambe pacientemente,

Até deixar tua pele penugenta úmida de saliva.

Meu olhar é como uma boca.

Meu olhar estaciona no teu olhar.

Teu olhar é sorridente e meigo, mulher amada.

Meus olhos sugam teus seios como bebê faminto.

Tentas pegar-me. Mas ainda não deixo.

Deslizo pelo teu ventre, vagarosamente,

Até o tufo de pelos, que sugo avidamente,

À porta que se abre para meu olhar latejante.

 

Perfume da minha vida, tu e eu somos só fogo, assim como as rosas

Mas não nos consumimos, ilusão alguma nos detém na jornada

Nem o abismo, que a tudo cerca, pode nada

Pois tu e eu, como as rosas, somos eternos porque agora

 

Querida, nem lágrimas, nem o pavor do incompreensível

Nem as ilusões, o horror, os pesadelos

Têm o poder de abalar as rosas, na sua tênue existência

Simplesmente porque elas são indestrutíveis

 

Música da minha alma, nossa viagem no éter

A caminhada sem começo nem fim

Apenas começou nesta fogueira

 

A luz que alimenta o infinito

É a lei que a tudo governa

O fogo que vivifica, amor da minha vida

Estou pronto para ti

Sereno como um homem deve ser diante de uma mulher nua

Pegar-te-ei com tanta suavidade, e firmeza,

Que lamentarás o prazer, intenso como o voo do orgasmo

Tocarei cada ponto dos teus meridianos

No fundo mais recôndito dos teus abismos insondáveis

Cavalgar-te-ei, preso em ti, na tua boca, nos teus seios, no teu sexo

Como a Terra gravitando em torno do Sol

A 108 mil quilômetros por hora

O sistema solar girando em volta do núcleo da

Via Láctea

A 830 mil quilômetros por hora

A Via Láctea indo para o Grupo Local

A 144 mil quilômetros por hora

O Grupo Local voando para o aglomerado de Virgem

A 900 mil quilômetros por hora

E tudo isso seguindo em direção ao Grande Atrator

A 2,2 milhões de quilômetros por hora

O Grande Atrator fica para além de Centauro

A 137 milhões de anos-luz da Terra

 

Como deve o acupunturista proceder nos casos das paixões avassaladoras?

Haverá agulha tão comprida, e fina, que atinja a alma?

Ou prescindiriam, os danados, de cura?

Pois os pacientes desse mal, ou bênção, sobrevivem nas trevas e na luz

São cinza e asas

E seus corações atingem a velocidade dos despenhadeiros

Do mergulho no maremoto

Do olho do furacão

Do desespero

Não será tamanho sentimento, em si mesmo, o triunfo?

Voo concedido a poucos?

Eterno porque agora?

Creio que descobri um mal – ou bênção?

Que a acupuntura não sana

Pois como apagar a luz com luz

Como ouvir o som da Terra no espaço

Se o coração não se inflama?

 

Ah! Tu és como flor se abrindo ao sol

Nua como preciosas pedras

Leve como asas que sustentam o voo

Do abismo a queda

 

Conduz-me à cumeeira

Dos sonhos

Ainda que eu não desperte

Como se estivesse morto

 

Na bacanal de rosas vermelhas

Esvaem-se os sentidos

Embriagados de estrelas

 

No labirinto do teu púbis

Afogo-me na maresia

E ressuscito em gozos múltiplos

 

Vou acalantar-te nesta noite

Vou te dizer coisas carinhosas

E tu e eu seremos dois amantes lúcidos.

Mais tarde, quando eu te penetrar e sentirmos

O gosto do sexo, da carne, da vida

Suspirarei baixinho ao teu ouvido.

E quando o sexo, a carne, a vida terminarem

Haverá mais sexo, carne e vida para

comermos

Até irmos ao banheiro.

 

Tua boca é pura flor embelezando-se ao sol de Copacabana

E tua figura é um desenho gostoso esculpido ao sol de Copacabana

E quando Copacabana inteira se prostituir

Os gemidos de amor serão a canção da moda em

Copacabana

Então a praia Copa será uma enorme cama.

 

Impor-nos o abandono físico

Ingerir grandes quantidades de álcool

E fumar interminavelmente

É o pior que se faz

Quando uma mulher se ausenta

Definitivamente.

 

Mas ela tinha cheiro de madrugada

Um leve sabor de vinho

E qualquer coisa espanhola

 

Sinto, agora, mais intenso ainda, perfume de jasmineiros

Chorando nas tórridas madrugadas de Macapá

Chanel 5, o mar, azul sangrando.

A eternidade se aproxima

Vertiginosa como a Terra girando

Profunda como o mistério de mulher nua

Como galgar o Pico da Neblina

Morar no Hilton Internacional Belém

Viver em Copacabana.

Agora compreendo, claramente,

Só há éter, energia, vibração, sintonia,

Nem matéria, nem tempo, existe

A vida é abismo interminável, e ascendente,

É como cair para cima

Cheiro de púbis de virgem ruiva, sabor de gozo,

Como se eu engravidasse de rosas vermelhas.

É permanente, agora, a sensação de autografar livros

De bater papo com Fernando Canto

Sobre telas de Olivar Cunha

Flutuando numa garrafa de Dom Pérignon, safra de 1954,

Neste 7 de agosto, como em todos os anos

Mulher na chuva

Emblemático: Tuiuiú Crucificado, acrílica sobre tela, de Olivar Cunha

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 22 DE JANEIRO DE 2026 – O conto MULHER NA CHUVA integra o livro TRÓPICO, que pode ser adquirido no Clube de Autores amazon.com.br 

A seguir, o conto em português, inglês, francês, espanhol e sueco, com tradução do ChatGPT. 

O TRONCO DA MANGUEIRA parecia excessivamente grosso, visto de longe, na agonia da tarde; era alguém que estava abraçado nele. Trajava-se com um vestido de seda, longo, estampado com rosas colombianas vermelhas, em pinceladas que eram puro Paul Gauguin. Seus lábios, pintados também de vermelho, poderia ser uma daquelas rosas que alguém, de tanto beijar, sangrou. O que mais chamava atenção na jovem que se abraçava à mangueira eram seus olhos, negros, grandes e misteriosos como mulher nua. As partes à mostra da sua pele – no estertor da tarde, quando é possível ouvir-se a tarde morrer, seguindo-se o riso feminino da noite – flutuavam, como escultura de marfim ao anoitecer. Seus cabelos cobriam-na como um véu, com vida própria, esvoaçando levemente à aragem, que prenunciava chuva. Ela meneou a cabeça; seu nariz era gracioso, quase teimoso. Desgrudou-se um pouco da árvore e virou-se para a frente, e os seios, pequenos e rijos, quase escapuliram da prisão. Voltou-se novamente e ficou na posição anterior. Seus quadris abaulavam-se, a partir da fina cintura, e mergulhavam no mistério. Ela estava ali já fazia algum tempo, recarregando o que chamava de Qi (pronuncia-se “ti”), que quer dizer, em mandarim, força vital. Ela era jovem. Tinha vinte e poucos anos, mas continha toda a experiência do mar, por isso seu olhar era tão intenso, e inacessível, e os poetas, ao se sentirem atraídos por aquele olhar, sentiam a vertigem dos primeiros beijos, sabedores de que se tratava apenas de delírio. Fora casada com um cadete da Academia Militar das Agulhas Negras, mas aquele tipo de mulher, completamente linda, por dentro e por fora, como rosa nua, só pode ser feliz com um mago poderoso, que a leve ao cume do Pico da Neblina.

– Ava! – ouviu-se. Alguém, uma mulher, a chamava. Ela não se moveu. A mangueira era grande, como as que povoam o centro de Belém do Pará. – Ava! – gritaram de novo, e a voz perdeu-se no anoitecer.

Fora um duro dia de trabalho, e no fim do dia atendera um vampiro. Ava não sabia que se tratava de um vampiro, pois na sua mente só havia jardins, muitos jardins, inúmeros jardins. Quando ela ampliou os olhos do velho, sob a lente – um velho acabado, murcho como maracujá seco –, identificou uma ventosa chupando luz e sentiu-se tonta. Os vampiros, na verdade, não são como o de Bram Stocker; são chupadores de Qi, de luz, e quando encontram uma jovem lindíssima, procuram sugar desesperadamente sua energia, tanto que vão embora lentos, como carapanãs após a bacanal. Por isso, Ava estava ali, abraçada à mangueira. Abraçava-se sempre a uma árvore quando se sentia exaurida.

– Ava Nogueira! – gritaram de novo, agora com sobrenome.

Já era noite quando a chuva engrossou; então, Ava desgrudou-se do tronco da mangueira e correu para a chuva. Logo seu vestido ficou totalmente molhado, e suas curvas, curvas que somente a música pode fazer, revelaram-se em toda a sua oceânica beleza. Relâmpagos estalaram. Ouviu-se trovejar, mas Ava já estava na varanda da casa, abrigada em uma felpuda toalha, alva como sua pele, que sua mãe lhe levara. E o Lago Sul se encolheu sob o dilúvio.

English — Woman in the Rain

The trunk of the mango tree seemed excessively thick, seen from afar, in the agony of the afternoon; it was someone who was embracing it. She wore a long silk dress, printed with red Colombian roses, in brushstrokes that were pure Paul Gauguin. Her lips, also painted red, could have been one of those roses that someone, after kissing too much, had made bleed. What most caught the eye in the young woman embracing the mango tree were her eyes, black, large, and mysterious like a naked woman. The exposed parts of her skin—at the death rattle of the afternoon, when it is possible to hear the afternoon die, followed by the feminine laughter of the night—floated like an ivory sculpture at dusk. 

Her hair covered her like a veil, with a life of its own, fluttering lightly in the breeze that foretold rain. She tilted her head; her nose was graceful, almost stubborn. She loosened herself slightly from the tree and turned forward, and her breasts, small and firm, nearly escaped their confinement. She turned back again and remained in her former position. Her hips swelled from the narrow waist and plunged into mystery. 

She had been there for some time, recharging what she called Qi (pronounced “chi”), which in Mandarin means vital force. She was young. She was in her early twenties, but she contained the entire experience of the sea; that is why her gaze was so intense and inaccessible, and poets, when drawn to that gaze, felt the vertigo of first kisses, knowing it was nothing but delirium. She had been married to a cadet from the Military Academy of Agulhas Negras, but that kind of woman—completely beautiful inside and out, like a naked rose—can only be happy with a powerful magician who takes her to the summit of Pico da Neblina. 

“Ava!” someone was heard. Someone, a woman, was calling her. She did not move. The mango tree was large, like those that populate the center of Belém do Pará. “Ava!” they shouted again, and the voice was lost in the coming night. 

It had been a hard day’s work, and at the end of the day she had attended to a vampire. Ava did not know it was a vampire, for in her mind there were only gardens—many gardens, countless gardens. When she magnified the old man’s eyes under the lens—an old man worn out, shriveled like a dried passion fruit—she identified a suction cup drinking light and felt dizzy. Vampires, in fact, are not like Bram Stoker’s; they are suckers of Qi, of light, and when they encounter a very beautiful young woman, they desperately try to drain her energy, leaving slowly, like mosquitoes after a bacchanal. That was why Ava was there, embracing the mango tree. She always embraced a tree when she felt exhausted. 

“Ava Nogueira!” they shouted again, now with her surname. 

Night had already fallen when the rain intensified; then Ava let go of the mango tree’s trunk and ran into the rain. Soon her dress was completely soaked, and her curves—curves that only music can create—were revealed in all their oceanic beauty. Lightning cracked. Thunder was heard, but Ava was already on the house’s veranda, sheltered in a fluffy towel, white as her skin, which her mother had brought her. And Lago Sul shrank beneath the deluge. 

Français — Femme sous la pluie 

Le tronc du manguier paraissait excessivement épais, vu de loin, dans l’agonie de l’après-midi ; c’était quelqu’un qui s’y agrippait. Elle portait une robe de soie longue, ornée de roses colombiennes rouges, en touches qui relevaient du pur Paul Gauguin. Ses lèvres, elles aussi peintes en rouge, auraient pu être l’une de ces roses que quelqu’un, à force de baisers, a fait saigner. Ce qui attirait le plus l’attention chez la jeune femme enlacée au manguier, c’étaient ses yeux, noirs, grands et mystérieux comme une femme nue. Les parties de sa peau à découvert — dans le râle de l’après-midi, quand on peut entendre l’après-midi mourir, suivi du rire féminin de la nuit — flottaient comme une sculpture d’ivoire au crépuscule. 

Ses cheveux la couvraient comme un voile, doués d’une vie propre, flottant légèrement dans la brise annonciatrice de la pluie. Elle inclina la tête ; son nez était gracieux, presque obstiné. Elle se détacha un peu de l’arbre et se tourna vers l’avant, et ses seins, petits et fermes, faillirent s’échapper de leur prison. Elle se retourna de nouveau et reprit sa position initiale. Ses hanches s’arrondissaient à partir de la taille fine et plongeaient dans le mystère. 

Elle était là depuis quelque temps déjà, rechargeant ce qu’elle appelait le Qi (prononcé « tchi »), qui signifie en mandarin force vitale. Elle était jeune. Elle avait un peu plus de vingt ans, mais contenait toute l’expérience de la mer ; c’est pourquoi son regard était si intense et inaccessible, et les poètes, attirés par ce regard, ressentaient le vertige des premiers baisers, sachant qu’il ne s’agissait que de délire. Elle avait été mariée à un cadet de l’Académie militaire des Agulhas Negras, mais ce type de femme — entièrement belle, dedans comme dehors, telle une rose nue — ne peut être heureuse qu’avec un mage puissant, capable de la mener au sommet du Pico da Neblina. 

« Ava ! » entendit-on. Quelqu’un, une femme, l’appelait. Elle ne bougea pas. Le manguier était grand, comme ceux qui peuplent le centre de Belém do Pará. « Ava ! » cria-t-on de nouveau, et la voix se perdit dans la nuit naissante. 

Ce fut une dure journée de travail, et à la fin de la journée elle avait reçu un vampire. Ava ne savait pas qu’il s’agissait d’un vampire, car dans son esprit il n’y avait que des jardins, beaucoup de jardins, d’innombrables jardins. Lorsqu’elle agrandit les yeux du vieil homme sous la lentille — un vieil homme fini, flétri comme un fruit de la passion sec —, elle identifia une ventouse aspirant la lumière et se sentit étourdie. Les vampires, en vérité, ne sont pas comme celui de Bram Stoker ; ce sont des suceurs de Qi, de lumière, et lorsqu’ils rencontrent une très belle jeune femme, ils cherchent désespérément à lui soutirer son énergie, s’en allant lentement, comme des moustiques après une bacchanale. C’est pour cela qu’Ava était là, enlacée au manguier. Elle s’adossait toujours à un arbre lorsqu’elle se sentait épuisée. 

« Ava Nogueira ! » cria-t-on de nouveau, cette fois avec le nom de famille. 

La nuit était déjà tombée quand la pluie s’intensifia ; alors Ava se détacha du tronc du manguier et courut sous la pluie. Bientôt sa robe fut entièrement mouillée, et ses courbes — des courbes que seule la musique peut créer — se révélèrent dans toute leur beauté océanique. Les éclairs éclatèrent. On entendit le tonnerre, mais Ava se trouvait déjà sur la véranda de la maison, à l’abri dans une serviette moelleuse, blanche comme sa peau, que sa mère lui avait apportée. Et le Lago Sul se recroquevilla sous le déluge. 

Español — Mujer bajo la lluvia 

El tronco del mango parecía excesivamente grueso, visto de lejos, en la agonía de la tarde; era alguien que estaba abrazado a él. Vestía un largo vestido de seda, estampado con rosas colombianas rojas, en pinceladas que eran puro Paul Gauguin. Sus labios, también pintados de rojo, podían ser una de esas rosas que alguien, de tanto besar, hizo sangrar. Lo que más llamaba la atención en la joven abrazada al mango eran sus ojos, negros, grandes y misteriosos como mujer desnuda. Las partes de su piel al descubierto —en el estertor de la tarde, cuando es posible oír morir la tarde, seguida de la risa femenina de la noche— flotaban como una escultura de marfil al anochecer. 

Su cabello la cubría como un velo, con vida propia, ondeando suavemente en la brisa que anunciaba lluvia. Inclinó la cabeza; su nariz era graciosa, casi obstinada. Se separó un poco del árbol y se volvió hacia adelante, y sus pechos, pequeños y firmes, casi escaparon de su prisión. Volvió a girarse y quedó en la posición anterior. Sus caderas se ensanchaban desde la cintura fina y se sumergían en el misterio. 

Llevaba allí ya algún tiempo, recargando lo que llamaba Qi (se pronuncia “chi”), que en mandarín significa fuerza vital. Era joven. Tenía poco más de veinte años, pero contenía toda la experiencia del mar; por eso su mirada era tan intensa e inaccesible, y los poetas, al sentirse atraídos por esa mirada, experimentaban el vértigo de los primeros besos, sabiendo que no era más que delirio. Había estado casada con un cadete de la Academia Militar de Agulhas Negras, pero ese tipo de mujer —completamente hermosa por dentro y por fuera, como una rosa desnuda— solo puede ser feliz con un mago poderoso que la lleve a la cumbre del Pico da Neblina. 

—¡Ava!— se oyó. Alguien, una mujer, la llamaba. Ella no se movió. El mango era grande, como los que pueblan el centro de Belém do Pará. —¡Ava!— gritaron de nuevo, y la voz se perdió en el anochecer. 

Había sido un duro día de trabajo y, al final del día, había atendido a un vampiro. Ava no sabía que se trataba de un vampiro, pues en su mente solo había jardines, muchos jardines, innumerables jardines. Cuando amplió los ojos del viejo bajo la lente —un viejo acabado, marchito como maracuyá seco—, identificó una ventosa chupando luz y se sintió mareada. Los vampiros, en realidad, no son como el de Bram Stoker; son chupadores de Qi, de luz, y cuando encuentran a una joven bellísima, intentan succionar desesperadamente su energía, y se marchan lentamente, como mosquitos después de la bacanal. Por eso Ava estaba allí, abrazada al mango. Siempre se abrazaba a un árbol cuando se sentía exhausta. 

—¡Ava Nogueira!— gritaron de nuevo, ahora con apellido. 

Ya era de noche cuando la lluvia se intensificó; entonces Ava se desprendió del tronco del mango y corrió bajo la lluvia. Pronto su vestido quedó completamente empapado, y sus curvas —curvas que solo la música puede crear— se revelaron en toda su belleza oceánica. Relámpagos estallaron. Se oyó el trueno, pero Ava ya estaba en la veranda de la casa, refugiada en una toalla esponjosa, blanca como su piel, que su madre le había llevado. Y el Lago Sul se encogió bajo el diluvio. 

Svenska — Kvinna i regnet 

Mangoträdets stam verkade ovanligt tjock, sedd på avstånd, i eftermiddagens dödskamp; det var någon som höll den i famnen. Hon bar en lång sidenklänning, prydd med röda colombianska rosor, i penseldrag som var ren Paul Gauguin. Hennes läppar, också målade röda, kunde ha varit en av dessa rosor som någon, efter alltför många kyssar, fått att blöda. Det som mest drog blicken till den unga kvinnan som omfamnade mangoträdet var hennes ögon, svarta, stora och mystiska som en naken kvinna. De delar av hennes hud som var synliga — i eftermiddagens sista rossling, när man kan höra eftermiddagen dö, följd av nattens kvinnliga skratt — svävade som en elfenbensskulptur i skymningen. 

Hennes hår täckte henne som en slöja, med ett eget liv, lätt fladdrande i brisen som förebådade regn. Hon lutade huvudet; hennes näsa var graciös, nästan trotsig. Hon lossade sig något från trädet och vände sig framåt, och hennes bröst, små och fasta, höll på att undkomma sitt fängelse. Hon vände sig tillbaka igen och intog sin tidigare position. Hennes höfter välvde sig från den smala midjan och störtade ner i mysteriet. 

Hon hade varit där en tid redan och laddade det hon kallade Qi (uttalas ”tji”), som på mandarin betyder livskraft. Hon var ung. Hon var drygt tjugo år gammal, men bar på hela havets erfarenhet; därför var hennes blick så intensiv och oåtkomlig, och poeterna, när de drogs till den blicken, kände svindeln av de första kyssarna, medvetna om att det bara var ett delirium. Hon hade varit gift med en kadett från Militärakademien Agulhas Negras, men en sådan kvinna — fullkomligt vacker, både inuti och utanpå, som en naken ros — kan bara vara lycklig med en mäktig magiker som för henne till toppen av Pico da Neblina. 

”Ava!” hördes det. Någon, en kvinna, ropade på henne. Hon rörde sig inte. Mangoträdet var stort, som de som präglar centrala Belém do Pará. ”Ava!” ropade de igen, och rösten försvann i skymningen. 

Det hade varit en hård arbetsdag, och i slutet av dagen hade hon tagit emot en vampyr. Ava visste inte att det var en vampyr, för i hennes sinne fanns bara trädgårdar, många trädgårdar, oräkneliga trädgårdar. När hon förstärkte den gamle mannens ögon under linsen — en utsliten gammal man, skrumpen som en torkad passionsfrukt — identifierade hon en sugkopp som sög ljus och kände sig yr. Vampyrer är i själva verket inte som Bram Stokers; de är sugare av Qi, av ljus, och när de möter en mycket vacker ung kvinna försöker de desperat suga åt sig hennes energi, och går därifrån långsamt, som myggor efter en bacchanal. Det var därför Ava var där, omfamnande mangoträdet. Hon omfamnade alltid ett träd när hon kände sig utmattad. 

”Ava Nogueira!” ropade de igen, nu med efternamn. 

Det var redan natt när regnet tilltog; då släppte Ava mangoträdets stam och sprang ut i regnet. Snart var hennes klänning helt genomvåt, och hennes former — former som bara musiken kan skapa — uppenbarade sig i all sin oceaniska skönhet. Blixtarna knäppte. Åskan hördes, men Ava befann sig redan på husets veranda, skyddad i en mjuk handduk, vit som hennes hud, som hennes mor hade burit fram. Och Lago Sul krympte under syndafloden.