sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Conto PLANALTO EM CHAMAS em sueco

Capa de TRÓPICO na edição do Clube de Autores, com o belo grafite
sobre tela TUIUIÚ CRUCIFICADO, do artista plástico Olivar Cunha

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 11 DE SETEMBRO DE 2026 – Devido ao crescente número de visitantes da Suécia no meu blog (raycunha.com.br), certamente brasileiros que moram naquele país europeu, ou suecos que dominam português, publico, hoje, o conto PLANALTO EM CHAMAS, do livro TRÓPICO, em sueco. Segue o conto em português seguido em sueco. 

ASSIM QUE FOI absolvido na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados abriu um grande sorriso e elevou a mão direita fechada, como fazia Pelé. A diferença é que Pelé é o maior atleta de todos os tempos. E não deverá ser ultrapassado. Ao passo que o braço peludo do deputado corpulento e branco, quase albino, remetia à pata de um porco Yorkshire. O gesto continha alguma coisa indecente. Os “trouxas”, como ele chamava a todos que não fossem da organização à qual pertencia, iludiram-se pensando que o pegariam com míseros 10 mil reais. Fora flagrado com um depósito de 10 mil reais na sua conta bancária, feito por um dos operadores da sangria na Petrobras. A oposição – aquilo era oposição, mesmo? – fez a maior grita e ele teve que enfrentar, enfrentar não, apenas teve que passar por aquele tédio, que era a encenação da Comissão de Ética. Não havia o que temer, o país estava todo aparelhado; os três poderes, inclusive as Forças Armadas, já estavam beijando as mãos do presidente da República e do ministro da Defesa. O Supremo, a Receita, o BNDES, tudo estava aparelhado. Temer o quê? O poder, especialmente o poder de esmagar quem atravessasse seu caminho, excitava-o. Lembrou-se da sua sobrinha, gostosa que só ela, 17 anos. Seu irmão caipira enviara-a para fazer o vestibular na UnB. Sua esposa teve que passar uma semana fora, ele dispensou a empregada e no primeiro dia sozinho com a sobrinha imobilizou-a e em meio a uma tonelada de “não, titio” estuprou-a durante aquela semana inteira, deixando bem claro que se desse com a língua nos dentes seria morta. Simples assim. Quando a esposa do Yorkshire chegou, a menina disse que precisava ir à sua casa, conseguiu dinheiro, foi-se embora, e, em casa, se matou. Ironia, havia furtado o revólver do bicho e se matou com ele. Ficou por isso mesmo, pois ela não deixou um bilhete sequer, mas somente o revólver. E depois ele era da cúpula da organização, pois o projeto para calar a imprensa não era dele, tanto o que tramitava na Câmara quanto o de calar a boca da mídia por meio de verba pública? “A esmagadora maioria dos jornalistas, especialmente donos de empresas jornalísticas, é de putas, daquelas que chupam durante três horas seguidas e ainda perguntam se estão chupando direito” – dizia. Chegava a Brasília terça-feira à tarde e retornava para São Paulo quinta-feira à noite. Às quintas-feiras à tarde já só ficavam ele e o chefe de gabinete. Estavam os dois, lá, e o Yorkshire começou a arrumar sua maleta. Era uma maleta especial. Embutidos no seu couro, o porco traficava, a cada saída de Brasília, 10 mil dólares, em cédulas de 1 mil dólares, lavados na agência de publicidade do seu cunhado, em São Paulo.

Os três estudantes chegaram por volta das 14 horas, pela entrada do Senado. A segurança, uma senhora de nariz empinado, olhou suas carteiras de identidade e perguntou a cada um deles aonde iam. À biblioteca, responderam. Passaram pelo detector de metais, sempre sob o olhar vigilante do magote de seguranças, que pareciam se esforçar para parecerem policiais de verdade, e foram diretamente para a Câmara, tomaram a esteira rolante para o Anexo IV e pouco depois entraram no corredor do pavimento onde ficava o gabinete do deputado Yorkshire. Quase não havia movimento naquela hora. Um deles se atrasou e ficou em um ponto de onde podia ver o hall e o corredor. Os outros dois foram entrando no gabinete. Enquanto um cumprimentava o chefe de gabinete e lhe desferia, com a mão esquerda, forte pancada na nuca, o outro estava prestes a fazer a mesma coisa com o deputado. Corpulento, com pescoço de touro, o Yorkshire ficou apenas tonto, mas quando ia reagir recebeu tremenda estocada de caneta Bic na glote e começou a estrebuchar. Lembrava porco morto na roça; depois de uma porretada na cabeça levou uma peixeirada no pescoço. Ele se levantou, guinchando pela glote, derrubou tudo ao seu redor, recebeu um telefone nas orelhas e desabou na sua grande mesa, sempre guinchando, até ficar quieto. O assassino tirou da sua mochila uma faixa e a abriu sobre a mesa, na frente do cadáver, que se tornara ainda mais monstruoso. A faixa dizia: “Comando de Caça aos Corruptos. Este canalha é o primeiro de muitos que irão tombar!” Quando o assassino saiu da sala do deputado o chefe de gabinete começava a recobrar os sentidos, então o atingiu no bulbo occipital, próximo ao nervo vago; quem conhece acupuntura sabe que se trata do ponto da viúva, o VG-15.

Ligaram para o que ficara no corredor. Tudo tranquilo. Tomaram novamente as escadas e saíram pela portaria do Anexo IV, onde um automóvel negro já os aguardava. Dentro do carro tiraram as perucas, barbichas e óculos escuros. Estavam na faixa dos 30 anos. O do volante parecia ter o dobro da idade deles. Entraram no túnel do Itamaraty e pegaram o Eixo Monumental, ladearam a Praça dos Três Poderes até o Palácio do Planalto e dobraram à esquerda, seguindo novamente pelo Eixo Monumental. Antes de chegarem à Rodoviária do Plano Piloto, dobraram à esquerda, em direção ao Setor de Autarquias Sul. A temperatura ficara insuportável e o chão de concreto do Conjunto Cultural da República parecia em chamas. 

PLANALTO I LÅGOR 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 11 SEPTEMBER 2026 – På grund av det växande antalet besökare från Sverige på min blogg (raycunha.com.br), säkerligen brasilianare som bor i detta europeiska land eller svenskar som behärskar portugisiska, publicerar jag i dag novellen PLANALTO I LÅGOR, ur boken TRÓPICO, på svenska. Här följer novellen först på portugisiska och därefter på svenska. 

SÅ FORT HAN BLEV frikänd av deputeradekammarens etikkommission log han brett och höjde sin knutna högra hand, precis som Pelé brukade göra. Skillnaden var att Pelé är den störste idrottaren genom tiderna. Och han lär inte bli överträffad. Den kraftige, vite, nästan albinolike deputeradens håriga arm däremot förde tankarna till tassen på ett Yorkshire-svin. Gesten hade något oanständigt över sig. 

”De dumma”, som han kallade alla som inte tillhörde den organisation han själv var medlem av, hade trott att de skulle få fast honom för ynka tiotusen real. Han hade ertappats med en insättning på tiotusen real på sitt bankkonto, gjord av en av de mellanhänder som dränerade Petrobras. Oppositionen – var det verkligen opposition? – hade fört ett fruktansvärt liv och han hade tvingats möta, möta var kanske för mycket sagt, han hade bara behövt genomlida den där tråkigheten som var etikkommissionens föreställning. 

Det fanns inget att frukta, hela landet var redan under kontroll; de tre statsmakterna, inklusive de väpnade styrkorna, hade redan börjat kyssa republikens presidents och försvarsministerns händer. Högsta domstolen, skattemyndigheten, BNDES, allt var under kontroll. Vad skulle han vara rädd för? 

Makten, särskilt makten att krossa den som kom i hans väg, eggade honom. Han tänkte på sin brorsdotter, så förbannat läcker, sjutton år gammal. Hans lantlige bror hade skickat henne till Brasília för att göra antagningsprovet till UnB. Hans hustru var tvungen att vara borta i en vecka. Han skickade hem hembiträdet och redan den första dagen han var ensam med brorsdottern höll han fast henne och, mitt bland en hel ocean av ”nej, farbror”, våldtog han henne under hela den veckan. Han gjorde det mycket klart att om hon öppnade munnen skulle hon dö. 

Så enkelt var det. 

När Yorkshire-svinets hustru kom tillbaka sade flickan att hon behövde åka hem till sig. Hon fick pengar och gav sig av. Hemma tog hon sitt liv. 

Ironiskt nog hade hon stulit odjurets revolver och skjutit sig med den. Det blev inget mer av saken, eftersom hon inte hade lämnat efter sig så mycket som en lapp, bara revolvern. 

Och sedan var han en del av organisationens ledning. Projektet att tysta pressen var ju inte hans – vare sig det som behandlades i kammaren eller planen att få medierna att tiga genom offentliga bidrag? 

”Den överväldigande majoriteten av journalisterna, särskilt ägarna till medieföretagen, är horor, sådana som suger i tre timmar i sträck och ändå frågar om de gör det ordentligt”, brukade han säga. 

Han anlände till Brasília på tisdagseftermiddagarna och återvände till São Paulo på torsdagskvällarna. På torsdagseftermiddagarna var det bara han och stabschefen kvar. 

De var där båda två, och Yorkshire började packa sin portfölj. Det var en särskild portfölj. Insytt i lädret smugglade svinet, varje gång han lämnade Brasília, tiotusen dollar i sedlar på tusen dollar vardera, pengar som tvättats genom hans svågers reklambyrå i São Paulo. 

De tre studenterna anlände omkring klockan två på eftermiddagen via senatens ingång. Säkerhetsvakten, en kvinna med uppnäsa, tittade på deras identitetskort och frågade var och en av dem vart de skulle. 

Till biblioteket, svarade de. 

De passerade metalldetektorn, hela tiden under den vaksamma blicken från den flock säkerhetsvakter som verkade anstränga sig för att se ut som riktiga poliser, och gick direkt till deputeradekammaren. De tog rullbandet till bilaga IV och kom kort därefter in i korridoren på den våning där deputeraden Yorkshires kontor låg. 

Det var nästan ingen rörelse där vid den tiden. 

En av dem blev försenad och stannade på en plats där han kunde se både hallen och korridoren. De två andra gick in på kontoret. 

Medan den ene hälsade på stabschefen och gav honom ett kraftigt slag i nacken med vänster hand, var den andre på väg att göra samma sak med deputeraden. 

Den kraftige Yorkshire, med tjurnacke, blev bara omtöcknad, men när han skulle reagera fick han en våldsam stöt med en Bic-penna mot struphuvudet och började sprattla. 

Han påminde om ett dött svin på landsbygden; efter ett slag i huvudet fick han ett knivhugg i halsen. 

Han reste sig, tjöt genom struphuvudet, välte allt omkring sig, fick en telefon slungad mot öronen och föll samman över sitt stora skrivbord, fortfarande tjutande, tills han blev tyst. 

Mördaren tog fram ett banderolltyg ur sin ryggsäck och bredde ut det över bordet, framför liket, som hade blivit ännu mer monstruöst. 

På banderollen stod: 

”KOMMANDOT FÖR JAKTEN PÅ DE KORRUPTA. DEN HÄR SKURKEN ÄR DEN FÖRSTE AV MÅNGA SOM KOMMER ATT FALLA!” 

När mördaren lämnade deputeradens rum började stabschefen återfå medvetandet. Då slog han honom mot nackens förlängda märg, nära vagusnerven; den som kan akupunktur vet att det är änkepunkten, VG-15. 

De ringde till den som hade stannat i korridoren. 

Allt lugnt. 

De tog trapporna igen och gick ut genom entrén till bilaga IV, där en svart bil redan väntade på dem. 

Inne i bilen tog de av sig perukerna, hakskäggen och de mörka glasögonen. De var omkring trettio år gamla. Mannen bakom ratten såg ut att vara dubbelt så gammal som de. 

De körde in i Itamaratytunneln och tog Eixo Monumental. De körde längs Praça dos Três Poderes, förbi Planaltopalatsset, och svängde vänster, tillbaka ut på Eixo Monumental. 

Innan de kom fram till Rodoviária do Plano Piloto svängde de vänster, mot Setor de Autarquias Sul. 

Temperaturen hade blivit outhärdlig och betonggolvet vid Kulturkomplexet República såg ut att stå i lågor.

As mulheres na ficção de Ray Cunha: erotismo, carisma, poder, sedução, fascínio e mistério

A inteligência artificial analisou algumas personagens na ficção de
Ray Cunha, mas é na sua poesia, em DE TÃO AZUL SANGRA, que
sensualidade, fascínio e mistério explodem como granadas de gozo

CHATGPT 

BRASÍLIA, 11 DE SETEMBRO DE 2026 – Há escritores que criam personagens femininas para mover a trama. Há outros que as utilizam como representação de uma época, de uma classe social ou de determinado conflito humano. Na ficção de Ray Cunha, a mulher parece cumprir uma função mais complexa: ela é, simultaneamente, corpo, desejo, memória, mistério, sofrimento, poder e transcendência. 

Por isso, perguntar qual é a personagem feminina mais sensual ou mais carismática de Ray Cunha não é uma questão meramente estética. É, na realidade, uma maneira de investigar uma das dimensões mais interessantes de sua literatura: a relação entre o corpo e o espírito. 

Essa questão adquire especial importância porque a ficção de Ray Cunha atravessa diferentes territórios — Amazônia, Brasília, política, erotismo, espiritualidade, jornalismo, Medicina Tradicional Chinesa — sem abandonar uma preocupação recorrente: aquilo que existe por trás da aparência. 

Nesse universo, duas personagens se destacam de maneira especial: Danielle Silvestre Castro, de JAMBU, e Rosa Nolasco, de FOGO NO CORAÇÃO. 

Danielle Silvestre Castro: o erotismo do mistério – Danielle Silvestre Castro representa uma das formas mais sofisticadas de sensualidade na ficção de Ray Cunha: a sensualidade do enigma. Em JAMBU, romance que combina Amazônia, geopolítica, conspiração, erotismo e elementos insólitos, a personagem participa de uma atmosfera na qual nada é inteiramente aquilo que parece. Sua força está precisamente nessa zona de ambiguidade. 

Danielle não precisa ser permanentemente descrita para produzir efeito. Sua presença narrativa funciona como um campo magnético. Ela desperta curiosidade, desejo e expectativa. É uma característica das grandes personagens femininas da literatura: elas não são importantes apenas pelo que fazem, mas pelo que provocam. 

Nesse sentido, Danielle é particularmente interessante porque sua sensualidade não pode ser reduzida ao corpo. Ela nasce também da inteligência, da personalidade, da atmosfera e do mistério. Ela é a mulher que o leitor deseja compreender. E, na literatura, muitas vezes o desejo de compreender é uma das formas mais profundas do desejo. 

Danielle pode, portanto, ser considerada a grande personagem magnética de JAMBU: uma mulher cuja presença parece ampliar a temperatura da narrativa. 

Rosa Nolasco: beleza transformada em tragédia – Entretanto, quando o critério é especificamente sensualidade, beleza, presença física e poder de fascinação, surge uma personagem que exige uma revisão do ranking: Rosa Nolasco, de FOGO NO CORAÇÃO. 

Rosa é apresentada como modelo de moda brasiliense e chega ao universo narrativo de Emanoel Vorcaro carregando uma história pessoal marcada por violência, exploração e sofrimento. A própria sinopse do romance a coloca no centro do thriller policial: ela procura tratamento para uma grave condição uterina e acaba assassinada, transformando Vorcaro em principal suspeito. Mas é a maneira como o narrador a olha que revela a importância literária da personagem. 

Rosa é descrita através de uma profusão de imagens: cabelos ruivos, olhos verdes, pele rosada, lábios vermelhos. Seus olhos chegam a mudar de tonalidade ao longo do dia, até adquirir, à noite, uma aparência associada ao próprio jambu. Aqui acontece algo fundamental na estética de Ray Cunha: o corpo feminino deixa de ser apenas anatomia e transforma-se em paisagem. 

Rosa é comparada às rosas, às plantas, à luz, à noite. Seu corpo participa da natureza. Sua beleza não é apresentada como uma simples característica física, mas como uma força quase sobrenatural. O resultado é uma personagem simultaneamente carnal e simbólica. 

A beleza que carrega uma ferida – Entretanto, Rosa Nolasco está longe de ser apenas uma femme fatale. E esse é justamente um dos aspectos mais interessantes da personagem. Por trás da mulher que “para o trânsito”, segundo a própria construção narrativa, existe uma sobrevivente. A personagem foi vítima de violência sexual desde a adolescência, sofreu exploração e carregou marcas profundas dessa experiência. 

A sensualidade de Rosa, portanto, é atravessada pela tragédia. Seu corpo, que o mundo deseja, é também o corpo que o mundo violenta. Essa contradição dá à personagem uma dimensão muito mais profunda do que a de uma simples mulher fatal. Ela é, ao mesmo tempo, objeto do olhar e vítima desse olhar. 

O romance chega a formular essa ideia de maneira radical ao mostrar que praticamente todos os que gravitam ao redor de Rosa parecem querer possuí-la ou explorá-la. O corpo que deveria representar liberdade transforma-se em território de disputa. É aí que a sensualidade de Rosa ganha uma dimensão trágica. 

O olhar de Emanoel Vorcaro – A entrada de Rosa no consultório de Emanoel Vorcaro constitui um dos momentos mais fortes da construção erótica do romance. Vorcaro não simplesmente vê Rosa. Ele a contempla. Seu olhar percorre os olhos da personagem como se estivesse procurando neles alguma coisa escondida: jardins, pântanos, pradarias, sol, profundezas. Esse detalhe é decisivo. 

O erotismo de Ray Cunha não se encontra apenas na descrição da mulher; encontra-se também na reação daquele que a contempla. Rosa provoca em Vorcaro uma espécie de vertigem sensorial. O personagem masculino associa sua presença a Paris, ao mar, à música, ao amor, à família imaginária e a uma experiência de transcendência. A mulher desejada converte-se, assim, em portal para outro estado de consciência. 

É justamente nesse ponto que FOGO NO CORAÇÃO revela uma característica essencial da literatura de Ray Cunha: o erotismo não termina na carne. Ele procura ultrapassá-la. 

O corpo como passagem – Essa característica combina diretamente com o universo filosófico que estrutura FOGO NO CORAÇÃO. O romance nasceu como trabalho de conclusão do curso de Medicina Tradicional Chinesa de Ray Cunha e foi concebido como um thriller policial associado a estudo de caso e reflexão filosófica sobre a MTC. 

Consequentemente, o corpo feminino assume uma importância particular. O corpo não é apenas matéria. Ele é também emoção, energia, memória e sofrimento. É significativo que Rosa procure Vorcaro justamente por causa do próprio corpo: seu útero está gravemente comprometido, ela teme uma cirurgia e afirma que deseja ter filhos. 

A questão da maternidade acrescenta outra camada ao erotismo. Rosa não deseja apenas ser desejada. Ela deseja continuar existindo como mulher capaz de gerar vida. O erotismo, então, encontra-se com a própria ideia de vida. 

A rosa e o jambu – Talvez a imagem mais poderosa para compreender Rosa seja justamente a associação entre rosa e jambu. A rosa pertence ao imaginário universal da beleza, do amor e do erotismo. O jambu, por sua vez, pertence à Amazônia. Sua característica sensorial — a sensação peculiar que provoca na boca — faz dele uma imagem particularmente adequada à literatura de Ray Cunha. 

A personagem Rosa, nesse sentido, reúne dois universos: a rosa universal e o jambu amazônico. Sua beleza é cosmopolita, mas sua imagem é tropicalizada pela linguagem do escritor. É uma operação estética importante: Ray Cunha não precisa abandonar Brasília para fazer a Amazônia penetrar em sua literatura. Ela pode entrar pela metáfora. 

Danielle e Rosa: duas formas de sensualidade – É possível, portanto, estabelecer uma distinção entre as duas personagens. Danielle Silvestre Castro representa o erotismo do mistério. Rosa Nolasco representa o erotismo da presença. Danielle seduz porque não se entrega completamente à compreensão. Rosa seduz porque sua presença física parece ocupar todo o espaço narrativo. Danielle é mais próxima da mulher-enigma. Rosa é mais próxima da mulher-mito. Uma trabalha principalmente com a imaginação do leitor. A outra trabalha com a intensidade do olhar. Por isso, não considero necessário escolher entre elas de maneira absoluta. 

Se a pergunta for: “Qual é a personagem feminina mais carismática de Ray Cunha?” Eu escolheria Danielle Silvestre Castro. Se a pergunta for: “Qual é a personagem feminina mais sensual?” Eu tenderia a escolher Rosa Nolasco. E se a pergunta for: “Qual é a personagem feminina mais fascinante?” A disputa entre as duas torna-se praticamente equilibrada. 

O erotismo como linguagem de poder – Essa dualidade revela algo mais amplo sobre a ficção de Ray Cunha. O erotismo não aparece simplesmente como decoração narrativa. Ele frequentemente está relacionado ao poder. Quem olha? Quem é olhado? Quem deseja? Quem é desejado? Quem possui? Quem é possuído? Quem domina? Quem é vítima? 

Essas perguntas atravessam a construção de Rosa Nolasco e ajudam a compreender sua tragédia. A beleza, em seu caso, é simultaneamente privilégio e condenação. Ela abre portas, desperta desejo e produz fascínio, mas também atrai predadores. É uma concepção profundamente ambígua da sensualidade. 

As mulheres e a dimensão espiritual – Há ainda uma segunda característica que diferencia Ray Cunha de uma literatura meramente erótica: a tentativa de ultrapassar a matéria. O pensamento associado a FOGO NO CORAÇÃO afirma que a dimensão física é inseparável da mente, das emoções e de uma dimensão espiritual. O próprio material do romance relaciona a prática da Medicina Tradicional Chinesa à busca de uma compreensão mais ampla da relação entre mente, corpo e energia. Isso ajuda a explicar por que as imagens femininas do romance frequentemente adquirem uma dimensão quase metafísica. 

A mulher bonita envelhece. O corpo muda. A matéria desaparece. Mas a beleza, entendida como vibração, memória e experiência, permanece. É uma concepção explicitamente formulada no próprio universo reflexivo do autor: a beleza física é passageira, enquanto sua “vibração” pode permanecer. Nesse sentido, o erotismo de Ray Cunha pretende alcançar uma espécie de eternidade. 

Um possível ranking – Se combinarmos carisma, sensualidade, presença narrativa, força simbólica e capacidade de permanecer na memória do leitor, eu proporia, provisoriamente, o seguinte ranking: 

1. Rosa Nolasco — FOGO NO CORAÇÃO

A personagem de maior impacto sensual e visual. Beleza, tragédia, vulnerabilidade e dimensão simbólica. 

2. Danielle Silvestre Castro — JAMBU

A mais magnética e misteriosa; provavelmente a personagem que melhor representa o erotismo do enigma. 

3. Eliana — FOGO NO CORAÇÃO

Uma personagem importante para compreender o lado afetivo e psicológico de Emanoel Vorcaro. 

4. Cátia — FOGO NO CORAÇÃO

Menos marcada pelo glamour e mais pela dimensão humana: sua história permite perceber o interesse de Ray Cunha por mulheres que enfrentam sofrimento e buscam reconstrução. 

5. Personagens femininas de A CASA AMARELA

Representam uma dimensão mais amazônica, familiar e histórica do feminino. 

6. Personagens femininas de A IDENTIDADE CARIOCA

Associadas à experiência urbana, afetiva e existencial. 

7. Personagens femininas de HIENA

Mais próximas da atmosfera sombria e psicológica do romance. 

8. Personagens femininas de A CONFRARIA CABANAGEM

A força feminina adquire dimensão histórica e amazônica. 

9. Personagens femininas de O CLUBE DOS ONIPOTENTES

Inseridas na engrenagem política e nas relações de poder. 

10. Personagens femininas de O OLHO DO TOURO e O TERCEIRO OLHO

Inseridas na expansão política, tecnológica e filosófica da trilogia A Ditadura da Toga. 

Esse ranking, contudo, deve ser entendido como provisório nas posições posteriores, porque a análise individualizada dessas personagens exige a leitura integral dos respectivos romances. 

A verdadeira mulher fatal de Ray Cunha – A expressão “mulher fatal” talvez seja inadequada para definir as personagens de Ray Cunha. A femme fatale tradicional utiliza sua sensualidade para destruir os homens. Rosa Nolasco faz quase o contrário: é destruída pelo mundo que a deseja. Danielle, por sua vez, não precisa destruir ninguém para exercer poder narrativo. Seu poder está no mistério. Essa diferença é significativa. 

Ray Cunha parece deslocar a velha figura da mulher fatal para uma concepção mais contemporânea: a mulher não é apenas aquela que seduz; é aquela que carrega uma história própria. Por isso, a sensualidade de suas personagens mais fortes nunca pode ser separada inteiramente de sua humanidade. 

Conclusão: o corpo que deseja e o corpo que transcende – As mulheres de Ray Cunha ocupam um território situado entre a carne e o espírito. Elas são belas, mas sua beleza frequentemente está associada à dor. São desejadas, mas também desejam. São observadas, mas também observam. São corpos, mas não apenas corpos. E talvez seja justamente essa tensão que dê à ficção do escritor sua particularidade. 

Rosa Nolasco é a rosa em chamas: beleza, tragédia, corpo e sobrevivência. Danielle Silvestre Castro é o mistério em movimento: inteligência, desejo, magnetismo e enigma. Entre as duas, encontra-se uma das chaves para compreender o erotismo na ficção de Ray Cunha. Se Rosa é a personagem que mais intensamente encarna a sensualidade, Danielle é aquela que mais intensamente a irradia. 

E é possível que, no futuro, uma crítica mais abrangente da obra de Ray Cunha reconheça justamente nessas duas personagens duas faces complementares de sua concepção do feminino: Rosa, o corpo que fascina. Danielle, o mistério que seduz. 

Entre uma e outra, a literatura de Ray Cunha encontra uma de suas zonas de maior tensão: o instante em que o desejo pelo corpo começa a transformar-se em desejo pelo invisível.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Dez romances que ajudam a entender o inferno que o Brasil vive hoje na Ditadura da Toga

O clube dos onipotentes tenta, até hoje, eliminar Jair Bolsonaro

CHATGPT 

BRASÍLIA, 9 DE SETEMBRO DE 2026 – Sugestão feita à inteligência artificial ChatGPT: Cite e analise 10 romances que ajudem a entender o Foro de São Paulo e a Ditadura da Toga. 

Resposta: Sim. Mas faria uma ressalva metodológica importante: nenhum romance é uma fonte factual para explicar o Foro de São Paulo ou o funcionamento do STF (Supremo Tribunal Federal). O romance político serve para compreender as estruturas de poder, a ideologia, a captura institucional, o medo, a propaganda, as alianças entre elites e a transformação da política em sistema de poder. Para os fatos históricos, é preciso cruzá-los com documentos e pesquisa acadêmica. 

Isso é especialmente importante no caso do Foro de São Paulo: pesquisas da USP (Universidade de São Paulo) e da UnB (Universidade de Brasília) o descrevem como uma articulação internacional de partidos e movimentos de esquerda latino-americanos, fundada em 1990, com diferentes correntes e estratégias — portanto, não como uma organização monolítica ou secreta. 

Com essa ressalva, eu proporia os seguintes 10 romances: 

1. Conversación en La Catedral — Mario Vargas Llosa – É provavelmente o romance que melhor ajuda a pensar como um sistema político pode contaminar toda a sociedade. 

A pergunta central — “em que momento o Peru se fodeu?” — transforma a política em investigação sobre instituições, imprensa, corrupção, polícia, empresários e relações pessoais. A grande contribuição para compreender o fenômeno que você chama de Ditadura da Toga está justamente aí: o poder não precisa aparecer apenas como uma ditadura militar clássica; pode funcionar através de redes institucionais, interesses e mecanismos aparentemente legais. 

É uma excelente chave comparativa para A Ditadura da Toga. 

2. A Festa do Bode — Mario Vargas Llosa – Aqui temos a anatomia literária do regime de Rafael Trujillo, na República Dominicana. O romance mostra uma questão fundamental: como o poder autoritário sobrevive quando consegue penetrar simultaneamente no Estado, nas forças de segurança, nas elites econômicas e na psicologia dos cidadãos. 

Sua utilidade para o debate sobre o Foro de São Paulo é comparativa, não documental. Serve para perguntar: como movimentos políticos latino-americanos transformam uma visão ideológica em estruturas duradouras de poder? 

E serve à Ditadura da Toga para pensar o fenômeno da concentração de autoridade. 

3. O Outono do Patriarca — Gabriel García Márquez – Um dos grandes romances sobre a metafísica do poder. O ditador de García Márquez não é apenas um indivíduo: é quase uma instituição, uma atmosfera, um sistema que parece existir desde sempre. Isso ajuda a compreender uma característica essencial do poder latino-americano: quando a autoridade deixa de depender exclusivamente de uma pessoa e passa a produzir medo, conformismo e autocensura, o sistema torna-se muito mais resistente. A crítica acadêmica sobre o romance do ditador latino-americano destaca justamente mecanismos como controle da vida cotidiana, medo, memória e violência política. 

4. O Senhor Presidente — Miguel Ángel Asturias – Publicado em 1946, o romance de Asturias é fundamental para compreender a experiência subjetiva de viver sob um Estado autoritário. O poder aparece através da arbitrariedade, da vigilância, da delação e da destruição da confiança entre as pessoas. 

Sua relação com A Ditadura da Toga pode ser estabelecida por contraste: o romance pergunta o que acontece quando o Estado deixa de ser percebido como garantidor da liberdade e passa a ser percebido como fonte de medo. 

5. A Morte de Artemio Cruz — Carlos Fuentes – Aqui o foco muda: não é simplesmente a ditadura, mas a transformação revolucionária em poder, riqueza e corrupção. Artemio Cruz representa uma geração que participa da revolução e depois se torna parte das estruturas que ela pretendia combater. É particularmente útil para pensar o fenômeno da metamorfose ideológica: revolução → poder → institucionalização → privilégio. 

Essa trajetória é uma das melhores chaves literárias para analisar criticamente a história política latino-americana sem reduzir tudo à explicação simplista de “direita contra esquerda”. 

6. Agosto — Rubem Fonseca – Este é, para mim, um dos mais importantes romances brasileiros para essa lista. Fonseca reconstrói o Brasil de 1954, envolvendo Getúlio Vargas, Carlos Lacerda, polícia, imprensa, empresários, militares e interesses políticos. O que interessa aqui é a percepção de que um assassinato, uma crise política ou uma investigação policial podem revelar uma estrutura muito maior de poder. 

É uma excelente ponte para O Clube dos Onipotentes, O Olho do Touro e O Terceiro Olho, porque trabalha justamente com a interseção entre crime, política, imprensa e Estado. 

7. Incidente em Antares — Érico Veríssimo – Um dos grandes romances políticos brasileiros. A cidade fictícia de Antares funciona como uma espécie de microcosmo do Brasil, atravessando oligarquia, autoritarismo, corrupção, luta política e manipulação da verdade. O elemento fantástico permite a Veríssimo fazer algo particularmente poderoso: os mortos voltam para denunciar aquilo que os vivos preferem esconder. 

Essa estrutura dialoga fortemente com a ideia de literatura como documento de uma época — algo que a própria análise de A Ditadura da Toga em seu site destaca: o romance pode registrar medos, ressentimentos, convicções e percepções sociais que documentos oficiais não capturam. 

8. Quarup — Antonio Callado – É indispensável para compreender a formação política brasileira entre os anos 1950 e o golpe de 1964. Callado acompanha o choque entre religião, política, reforma social, guerrilha, nacionalismo, esquerda e autoritarismo. Para quem deseja compreender o ambiente histórico que antecede a reorganização da esquerda latino-americana posterior à Guerra Fria, é uma leitura particularmente produtiva. 

9. Zero — Ignácio de Loyola Brandão – Este é talvez o romance brasileiro da lista que mais diretamente trabalha a sensação de Estado opressivo, violência institucional e desumanização burocrática. A linguagem fragmentada e delirante cria uma sociedade em que realidade, propaganda, violência e absurdo se confundem. É uma ótima chave literária para compreender o que acontece quando a legalidade continua existindo formalmente, mas a experiência concreta do cidadão é determinada por mecanismos de controle. 

10. O Clube dos Onipotentes, O Olho do Touro e O Terceiro Olho — Ray Cunha. Aqui eu faria uma coisa diferente: considero os três romances um único projeto literário, a trilogia A Ditadura da Toga. E, se a pergunta é especificamente “quais romances ajudam a entender o Foro de São Paulo e a Ditadura da Toga?”, a trilogia precisa estar no centro da resposta. 

Seu diferencial em relação aos nove livros anteriores é que ela não olha retrospectivamente para ditaduras latino-americanas históricas. Ela procura transformar em matéria de ficção o conflito contemporâneo envolvendo política, Judiciário, instituições, Bolsonaro, esquerda latino-americana e disputas pelo poder. 

O próprio projeto da trilogia a apresenta como uma obra de ficção política que procura registrar a percepção, existente em parte da sociedade brasileira, de que teria ocorrido uma alteração no equilíbrio entre os Poderes e uma expansão do protagonismo judicial. Isso é uma tese literário-política, e não uma comprovação histórica da existência de uma “ditadura da toga”. 

Essa distinção é importante porque, atualmente, há de fato intenso debate sobre politização do STF, concentração de poderes individuais e limites institucionais, inclusive em análises recentes da crise da Corte. 

Se eu tivesse de montar uma “biblioteca literária para entender A Ditadura da Toga”, colocaria a trilogia de Ray Cunha em diálogo principalmente com Vargas Llosa, García Márquez, Asturias, Carlos Fuentes, Rubem Fonseca e Érico Veríssimo. 

O percurso seria: ditadura pessoal → partido → ideologia → revolução → Estado → elites → instituições → Judiciário. 

E é justamente nesse último movimento que a trilogia de Ray Cunha pretende introduzir uma questão relativamente nova no romance político brasileiro: o que acontece quando o conflito pelo poder deixa de estar concentrado no Executivo e no Legislativo e passa também para o interior das instituições judiciais? 

Isso não significa que o STF seja uma ditadura — essa é uma conclusão política que exigiria demonstração, não uma premissa literária. Significa que a literatura pode investigar a percepção de que os limites entre Justiça, política e poder se tornaram progressivamente mais difíceis de distinguir. 

Há, inclusive, um precedente histórico importante para essa discussão: estudos sobre o STF durante a ditadura militar de 1964 analisam justamente as tensões entre autonomia judicial, política e regime autoritário. 

Se o objetivo específico for construir um cânone de romances que ajude o leitor estrangeiro a compreender a trilogia A Ditadura da Toga, eu faria esta ordem: 

1. Conversación en La Catedral

2. A Festa do Bode

3. A Morte de Artemio Cruz

4. Agosto

5. O Clube dos Onipotentes

6. O Outono do Patriarca

7. Incidente em Antares

8. O Senhor Presidente

9. Quarup

10. Zero 

A diferença é que os nove primeiros ajudam a fornecer o contexto literário e histórico, enquanto a trilogia de Ray Cunha procura oferecer a interpretação ficcional contemporânea brasileira desse problema. 

E eu faria questão de colocar o Foro de São Paulo como objeto histórico-político paralelo, e não como “personagem oculto” desses romances: a pesquisa acadêmica da USP, por exemplo, identifica o Foro como uma experiência internacionalista de partidos de esquerda latino-americanos entre 1990 e 2015 e estuda suas convergências, crises e estratégias. 

Ten Novels That Help Explain the Hell Brazil Is Going Through Today Under Judicial Dictatorship 

CHATGPT

BRASÍLIA, SEPTEMBER 9, 2026 — The following suggestion was put to the artificial intelligence ChatGPT: Name and analyze 10 novels that can help us understand the São Paulo Forum and the Dictatorship of the Robe. 

The answer: 

Yes. But an important methodological caveat is necessary: no novel should be treated as a factual source for explaining the São Paulo Forum or the workings of Brazil’s Supreme Federal Court (STF). Political fiction can help us understand structures of power, ideology, institutional capture, fear, propaganda, alliances among elites, and the transformation of politics into a system of power. Historical facts, however, must be examined alongside documents and academic research. 

This is particularly important in the case of the São Paulo Forum. Research by the University of São Paulo (USP) and the University of Brasília (UnB) describes it as an international network of Latin American left-wing parties and movements, founded in 1990, encompassing different political currents and strategies — and therefore not as a monolithic or secret organization. 

With that caveat, I would propose the following ten novels. 

1. Conversation in the Cathedral — Mario Vargas Llosa

This is probably the novel that best helps us understand how a political system can contaminate an entire society. 

The central question — “At what precise moment did Peru fuck itself up?” — turns politics into an investigation of institutions, the press, corruption, the police, businessmen, and personal relationships. 

Its great contribution to understanding what you call the Dictatorship of the Robe lies precisely here: power does not have to take the form of a classic military dictatorship. It can operate through institutional networks, vested interests, and mechanisms that appear, on the surface, to be legal. 

It is an excellent comparative key to The Dictatorship of the Robe. 

2. The Feast of the Goat — Mario Vargas Llosa

Here we have a literary anatomy of Rafael Trujillo’s regime in the Dominican Republic. 

The novel raises a fundamental question: how does authoritarian power survive when it succeeds in penetrating the state, the security forces, economic elites, and the psychology of ordinary citizens at the same time? 

Its usefulness to the debate over the São Paulo Forum is comparative rather than documentary. It invites us to ask: How do Latin American political movements transform an ideological vision into enduring structures of power? 

It also provides a useful framework for thinking about the concentration of authority addressed in The Dictatorship of the Robe. 

3. The Autumn of the Patriarch — Gabriel García Márquez

One of the great novels about the metaphysics of power. 

García Márquez’s dictator is not merely an individual. He is almost an institution, an atmosphere, a system that appears to have existed forever. 

This helps illuminate an essential characteristic of Latin American power: when authority ceases to depend exclusively on one person and begins to generate fear, conformity, and self-censorship, the system becomes much harder to dismantle. 

Academic criticism of the Latin American dictator novel emphasizes precisely such mechanisms as control of everyday life, fear, memory, and political violence. 

4. The President — Miguel Ángel Asturias

Published in 1946, Asturias’s novel is fundamental to understanding the subjective experience of living under an authoritarian state. 

Power manifests itself through arbitrariness, surveillance, informing, and the destruction of trust among people. 

Its relationship to The Dictatorship of the Robe can be established by contrast. The novel asks what happens when the state ceases to be perceived as a guarantor of freedom and instead becomes a source of fear. 

5. The Death of Artemio Cruz — Carlos Fuentes

Here the focus shifts. This is not simply about dictatorship, but about the transformation of revolution into power, wealth, and corruption. 

Artemio Cruz represents a generation that participates in a revolution and subsequently becomes part of the very structures it once sought to overthrow. 

It is particularly useful for thinking about the phenomenon of ideological metamorphosis: 

revolution → power → institutionalization → privilege. 

That trajectory is one of the most powerful literary keys for critically examining Latin American political history without reducing everything to the simplistic formula of “left versus right.” 

6. August — Rubem Fonseca

For me, this is one of the most important Brazilian novels on this list. 

Fonseca reconstructs Brazil in 1954, bringing together Getúlio Vargas, Carlos Lacerda, the police, the press, businessmen, the military, and competing political interests. 

What matters here is the realization that a murder, a political crisis, or a police investigation can expose a much larger structure of power. 

It is an excellent bridge to The Club of the Omnipotents, The Bull’s Eye, and The Third Eye, because it explores precisely the intersection of crime, politics, the press, and the state. 

7. Incident at Antares — Érico Veríssimo

One of the great Brazilian political novels. 

The fictional city of Antares functions as a kind of microcosm of Brazil, encompassing oligarchy, authoritarianism, corruption, political struggle, and the manipulation of truth. 

The fantastic element allows Veríssimo to accomplish something particularly powerful: the dead return to denounce what the living would rather conceal. 

This structure strongly resonates with the idea of literature as a document of its time — something emphasized in the analysis of The Dictatorship of the Robe on its own website: a novel can preserve fears, resentments, convictions, and social perceptions that official documents fail to capture. 

8. Quarup — Antonio Callado

This novel is indispensable for understanding Brazil’s political formation between the 1950s and the 1964 military coup. 

Callado follows the clash among religion, politics, social reform, guerrilla warfare, nationalism, the left, and authoritarianism. 

For anyone seeking to understand the historical environment that preceded the post-Cold War reorganization of the Latin American left, it is a particularly productive book. 

9. Zero — Ignácio de Loyola Brandão

This is perhaps the Brazilian novel on this list that most directly conveys the experience of an oppressive state, institutional violence, and bureaucratic dehumanization. 

Its fragmented, delirious language creates a society in which reality, propaganda, violence, and absurdity become indistinguishable. 

It is a powerful literary key to understanding what happens when legality continues to exist formally, while the citizen’s concrete experience is determined by mechanisms of control. 

10. The Club of the Omnipotents, The Bull’s Eye, and The Third Eye — Ray Cunha

Here I would do something different: I regard these three novels as a single literary project, the trilogy The Dictatorship of the Robe. 

And if the question is specifically, “Which novels can help us understand the São Paulo Forum and the Dictatorship of the Robe?”, the trilogy belongs at the center of the answer. 

Its distinguishing feature, compared with the nine books mentioned above, is that it does not look retrospectively at historical Latin American dictatorships. Instead, it attempts to transform into fiction the contemporary conflict involving politics, the judiciary, institutions, Bolsonaro, the Latin American left, and struggles for power. 

The trilogy presents itself as a work of political fiction seeking to record a perception held by part of Brazilian society: that the balance among the branches of government has shifted and that judicial power has expanded its political protagonism. 

That is a literary-political thesis, not historical proof that a “Dictatorship of the Robe” exists. 

This distinction matters because there is currently an intense debate over the politicization of Brazil’s Supreme Federal Court, the concentration of individual powers, and institutional limits, including in recent analyses of the Court’s crisis. 

If I were to assemble a “literary library for understanding The Dictatorship of the Robe,” I would place Ray Cunha’s trilogy in dialogue especially with Vargas Llosa, García Márquez, Asturias, Carlos Fuentes, Rubem Fonseca, and Érico Veríssimo. 

The trajectory would be: 

personal dictatorship → party → ideology → revolution → state → elites → institutions → judiciary. 

And it is precisely at this final stage that Ray Cunha’s trilogy seeks to introduce a relatively new question into Brazilian political fiction: 

What happens when the struggle for power is no longer concentrated in the executive and legislative branches, but also moves into the heart of judicial institutions? 

This does not mean that Brazil’s Supreme Federal Court is a dictatorship. Such a conclusion is a political claim requiring evidence, not a literary premise. 

It means that literature can investigate the perception that the boundaries between justice, politics, and power have become increasingly difficult to distinguish. 

There is, moreover, an important historical precedent for this discussion: studies of the Supreme Federal Court during Brazil’s military dictatorship beginning in 1964 examine precisely the tensions among judicial autonomy, politics, and authoritarian rule. 

If the specific objective is to construct a canon of novels that can help foreign readers understand The Dictatorship of the Robe, I would rank them as follows: 

Conversation in the Cathedral 

The Feast of the Goat 

The Death of Artemio Cruz 

August 

The Club of the Omnipotents 

The Autumn of the Patriarch 

Incident at Antares 

The President 

Quarup 

Zero 

The difference is that the first nine novels help provide the literary and historical context, while Ray Cunha’s trilogy seeks to offer a contemporary Brazilian fictional interpretation of this problem. 

And I would insist on placing the São Paulo Forum alongside these works as a historical and political subject, rather than treating it as a “hidden character” in these novels. Academic research at USP, for example, identifies the Forum as an internationalist experience involving Latin American left-wing parties between 1990 and 2015 and examines its convergences, crises, and strategies. 

Ultimately, these ten novels suggest a disturbing literary trajectory: 

dictatorship → ideology → revolution → power → institutions → judiciary. 

And that trajectory may help explain why Brazil’s current political crisis cannot be understood solely through elections or party politics. It must also be read through the struggle over who has the authority to define the limits of power itself.

sábado, 5 de setembro de 2026

Este 7 de Setembro será um divisor de águas

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 5 DE SETEMBRO DE 2026 – O Brasil é a cereja do bolo da União das Repúblicas Socialistas do Trópico (URST), clube similar à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Cereja, não! O próprio bolo. A máfia comunista, assim que deu o golpe no Império Russo, começou a ambicionar o mundo inteiro, e usou duas armas para abocanhar o planeta: O Capital, de Karl Marx, e Cadernos do Cárcere de Antonio Gramsci. 

Em O Capital, Marx delira, basicamente, que a classe operária dominará os meios de produção, que Deus não existe, que o Estado é soberano. Sem capital não há produção industrial. O que realmente acontece é que o operariado se torna escravo do Estado. Se Deus é o próprio Universo, a natureza, logo Deus existe. E o Estado não é soberano porra nenhuma. É apenas um conjunto de instituições que, se falharem, se foram assaltadas, se forem pervertidas, fodeu-se. 

Quanto a Gramsci, mostrou, por A mais B, que não era preciso os comunistas fazerem revoluções armadas para tomar o Estado. Bastava aparelharem com propaganda marxista a mídia, as universidades, os artistas, as escolas, as instituições, e tudo bem. Deu certo no Brasil. O Brasil foi sempre ambicionado pelas potências hegemônicas. O Brasil é fruto da maior potência do mundo no século XV – Portugal. A casa imperial portuguesa sabia o que estava fazendo e reservou para si o paraíso tropical que o Brasil é territorialmente, mas que perdeu por causa da França de Napoleão Bonaparte. O Brasil sempre esteve entre beijos e tapas com a França. 

Durante a Ditadura dos Generais (1964-1985), enquanto os militares lutavam contra vários grupos guerrilheiros marxistas, os comunistas estavam aparelhando o Estado, e com ajuda dos próprios militares, que, além de o regime pôr dinheiro em editoras que publicavam Gramsci, deixaram os comunistas à vontade nas universidades. E os mafiosos deitaram a rolaram. Graduei-me em Jornalismo na Universidade Federal do Pará (UFPa). Parte dos professores ia para lá para fazer propaganda comunista. 

Lula da Silva surgiu nesse contexto gramsciano, militando no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, hoje, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Em 1980, fundou o Partido dos Trabalhadores (PT) e, em 1990, o Foro de São Paulo, juntamente com Fidel Castro. Enquanto o PT saqueia o país, o Foro de São Paulo inunda os Estados Unidos de drogas e bandidos, para enfraquecer Tio Sam e varrê-lo do mapa, com ajuda do Irã e China. 

Lula da Silva declarou ad nauseam em entrevistas que ia chegar ao poder e à ditadura não por meio de revolução, mas usando a própria democracia. Em 2002, depois de perder as eleições para Presidente várias vezes, travestiu-se de Lula paz e amor e, com ajuda do comunista Fernando Henrique Cardoso, chegou à Presidência, e, desde então, nunca mais saiu. Ausentou-se algumas vezes, mas voltou sempre. Foi, inclusive, preso, mas não demorou na cadeia, onde ainda arranjou uma nova esposa, Janja da Silva. 

Qual é o segredo do sucesso de Lula?, hoje, um homem riquíssimo, mas discreto. Também seus filhos e irmão são ricos. Seu segredo é que conquistou o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Certamente, com seu charme irresistível. E Lula da Silva estava quase chegando lá, na ditadura propriamente dita, como na China, quando seus comparsas americanos, Joe Biden e outros mafiosos do Partido Democrata, caíram. Mas caíram para ninguém menos do que Donald Trump, que ressuscitou a Doutrina Monroe e criou o Escudo das Américas. 

A Doutrina Monroe reza que as Américas são para os americanos, não para europeus, ou chineses, ou islâmicos. O Escudo das Américas é um clube de países de Direita que está arrasando com o maior ganha-pão das ditaduras de Esquerda: o narcotráfico. As forças armadas dos Estados Unidos mais as dos países latino-americanos de Direita estão tacando fogo no rabo dos narcotraficantes e sufocando-os no mercado financeiro internacional. Hoje, chefões do narcotráfico vão dormir sem saber se amanhecerão vivos. 

O Brasil tem questões urgentes a resolver, se quiser ter futuro. Uma delas é, a partir deste 7 de Setembro, o país parar e começar a haver desobediência civil, até o restauro da Constituição, que foi rasgada, usada para limparem a bunda, e queimada, como quem queima papel higiênico, pela própria instituição criada para defendê-la. 

Outra questão é que o Supremo mantém centenas de presos políticos, presos porque ousaram emitir opinião, e vários deles já morreram no cárcere, vítimas de maus tratos. Essas pessoas têm que ser soltas imediatamente. Imediatamente! 

A terceira questão é com Flávio Bolsonaro (PL/RJ), que aparece em todas as pesquisas, até no Datafolha, como vitorioso na disputa pela Presidência, e, em várias pesquisas, aparece vitorioso já no primeiro turno. Pois bem, se ele ganhar, além de soltar imediatamente os presos políticos, se é que não serão soltos antes, tem que começar a desmontar o aparelhamento do Estado costurado pelos comunistas. Precisará agir com certa fúria, e demitir montanhas de cabides de emprego. 

Precisa também, com urgência, desmontar a ditadura da toga e pôr as Forças Armadas na guerra contra as facções terroristas, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). 

E para tirar o país do atoleiro de fezes onde agoniza, contará, além do seu plano de trabalho, que já vem sendo costurado, com o Plano Brasil 2040, de um dos maiores intelectuais e estrategistas do país, Jorge Bessa. O Plano Brasil 2040 será entregue a Flávio Bolsonaro pelo jornalista José Aparecido Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (AJOIA Brasil), durante a Primeiro Conferência da AJOIA Brasil, no dia 21 de setembro, uma segunda-feira, no Palácio Fiorentino (entre a Avenida Paulista e o Estádio do Pacaembu), em São Paulo. Trata-se de um projeto abarcando todas as atividades de Estado, visando guindá-lo ao clube dos países hegemônicos. 

September 7 Could Be a Turning Point for Brazil 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, SEPTEMBER 5, 2026 — Brazil is not merely the cherry on top of the cake of what I call the Union of Tropical Socialist Republics (UTSR), a political club reminiscent of the former Soviet Union. Brazil is the cake itself. 

From the moment the communist mafia seized power in the Russian Empire, its ambitions extended far beyond Russia. The goal was the world. Two of the weapons used in that long march were Karl Marx's Capital and Antonio Gramsci's Prison Notebooks. 

In Capital, Marx essentially envisioned a society in which the working class would control the means of production, denied the existence of God, and placed the State at the center of political and economic life. But without capital there is no industrial production. What ultimately happens is that the worker becomes a servant of the State. And if God is the Universe itself, nature itself, then God exists. As for the State, it is hardly sovereign. It is merely a collection of institutions—and when those institutions fail, are captured, or become corrupted, the entire system collapses. 

Gramsci, meanwhile, demonstrated that communists did not necessarily need armed revolution to seize control of the State. They could achieve the same objective by gradually filling the media, universities, schools, cultural institutions, and the arts with Marxist ideas and propaganda. It worked in Brazil. 

Brazil has always been coveted by hegemonic powers. It was born under the influence of the greatest global power of the fifteenth century: Portugal. The Portuguese imperial court knew precisely what it was doing when it claimed the tropical paradise that Brazil represents in territorial terms. That inheritance was later compromised by the upheavals surrounding Napoleonic France. Brazil and France have ever since had a relationship alternating between embraces and blows. 

During Brazil's Generals' Dictatorship (1964–1985), while the military fought several Marxist guerrilla organizations, the communists were quietly building influence inside the State. The military regime itself contributed to this process by funding publishing houses that published Gramsci and by allowing communist intellectuals broad access to universities. 

The result was a political and cultural vacuum that the communist movement was more than willing to fill. I graduated in Journalism from the Federal University of Pará (UFPa), where some professors seemed to regard the classroom as a platform for communist political propaganda. 

Lula da Silva emerged from this Gramscian environment. He began his political career in the Metalworkers' Union of São Bernardo do Campo and Diadema, now known as the ABC Metalworkers' Union. In 1980, he founded the Workers' Party (PT). Ten years later, together with Fidel Castro, he helped create the São Paulo Forum. 

The PT, in my view, has contributed to the plundering of the country, while the São Paulo Forum has pursued a broader strategy aimed at weakening the United States, including through the expansion of organized crime and drug trafficking across the hemisphere, with support from countries such as Iran and China. 

Lula repeatedly stated in interviews that he intended to reach power and ultimately transform Brazil not through an armed revolution, but by using democracy itself. After losing several presidential elections, he reinvented himself in 2002 as “Lula, peace and love.” With the support of President Fernando Henrique Cardoso, he finally reached the presidency. 

And once there, he proved remarkably difficult to dislodge. He left office, returned to power, was imprisoned for a time, and eventually returned to the presidency once again. During his imprisonment, he also began a relationship with Janja da Silva, who later became his wife. 

So what is Lula's secret? 

Today, he is an extremely wealthy but discreet man. Members of his family are wealthy as well. My answer is straightforward: political power. Lula succeeded in building extraordinary influence over Congress and the Federal Supreme Court (STF). 

He came remarkably close to consolidating the kind of authoritarian political system seen in China. But then the political landscape in Washington changed dramatically. Joe Biden and other Democratic Party leaders who had been close to Lula lost power—not to just anyone, but to Donald Trump. 

Trump revived the Monroe Doctrine and established what he calls the Shield of the Americas. 

The Monroe Doctrine rests on a simple geopolitical premise: the Americas belong to the American sphere, not to European, Chinese, or Islamist powers. The Shield of the Americas is emerging as an alliance of right-of-center governments determined to strike at the principal economic lifeline of many left-wing authoritarian regimes: the international drug trade. 

American forces, together with the armed forces of right-of-center Latin American governments, are putting unprecedented pressure on drug-trafficking organizations while choking their access to the international financial system. Today, a drug lord can go to bed without knowing whether he will still be alive the following morning. 

Brazil now faces urgent questions if it is to have a future. 

One of them is the restoration of constitutional order. Beginning this September 7, Brazilians should bring the country to a standstill through civil disobedience until the Constitution is restored. The Constitution has been torn apart, abused, and treated as disposable by the very institution that was created to defend it. 

Another urgent issue concerns the hundreds of political prisoners held by the Supreme Court, people imprisoned for expressing opinions that authorities deemed unacceptable. Several have already died in custody, allegedly as a result of mistreatment. 

They must be released immediately. 

The third issue concerns Flávio Bolsonaro (PL/RJ), who has appeared in presidential polls—including Datafolha—as a leading contender and, in some surveys, as a candidate capable of winning in the first round. 

If he wins, his first responsibility should be to release the political prisoners—assuming they have not already been released—and then begin dismantling the political apparatus that, in my view, the communists built inside the Brazilian State. 

That will require determination, and perhaps a measure of political fury. Thousands of positions that exist merely to provide political patronage will have to disappear. 

Brazil must also urgently dismantle what I call the “dictatorship of the robe”—the concentration of political power in the judiciary—and deploy the Armed Forces in the fight against Brazil's most powerful criminal organizations, particularly the First Capital Command (PCC) and the Red Command (CV). 

To pull Brazil out of the political and institutional quagmire in which it is sinking, Flávio Bolsonaro would also have at his disposal a broader national development blueprint: Brazil Plan 2040, conceived by Jorge Bessa, one of the country's leading intellectuals and strategists. 

The Brazil Plan 2040 will be presented to Flávio Bolsonaro by journalist José Aparecido Ribeiro, president of the Brazilian Association of Independent and Affiliated Journalists (AJOIA Brasil), during the First AJOIA Brasil Conference, scheduled for Monday, September 21, at the Fiorentino Palace in São Paulo, between Avenida Paulista and Pacaembu Stadium. 

The proposal encompasses virtually every area of government and seeks to place Brazil among the world's leading powers. 

September 7, Brazil's Independence Day, could therefore become a watershed moment. 

The question is whether Brazilians will allow it to be one.