sexta-feira, 19 de junho de 2026

Instituto Memorial Amapá, Walter Júnior, Isnard Lima, Olivar Cunha e a Seringueira

Quem ler o romance A CASA AMARELA e tiver curiosidade de
conhecer a Seringueira é só ir a Macapá/AP e procurar o
muro do Colégio Amapaense em trecho da Rua Eliezer Levy

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 19 DE JUNHO DE 2026 – Frequentei a casa de Walter Júnior Santos do Carmo quando era criança e fui colega dele durante o curso ginasial no Colégio Amapaense. Em 1996, trabalhei como redator sob seu comando na Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Belém. Sou dois anos mais velho do que ele. Embora morando em cidades diferentes a maior parte das nossas vidas, continuamos amigos. 

Walter nasceu no embrionário bairro do Laguinho, em 8 de janeiro de 1956, filho dos pioneiros Walter Pereira do Carmo e Helita Santos do Carmo. Na TV Liberal, repetidora da TV Globo, em Belém/PA, começou como repórter e terminou como diretor de jornalismo. Em 1977, é laureado com o Troféu Edgar Proença, de Melhor Repórter de Externa do Pará. Em 1979, trabalha como correspondente da Rede Bandeirantes no Oeste do Paraná. 

Em 1981, assume a diretoria geral da TV Amapá e inaugura a atual sede da emissora. Em 1982, viabiliza a transmissão integral da Copa do Mundo daquele ano para o Amapá. Participa do processo de afiliação da TV Amapá à Rede Globo e implanta a TV Cabralzinho na cidade de Amapá. 

Além de jornalista é publicitário, com mais de três décadas de experiência em produção, criação, roteiro, direção de peças publicitárias, comunicação institucional de governo, marketing político e corporativo. 

Em 1983, funda a Jr. Propaganda e Promoções, a primeira agência de publicidade do Amapá. No mesmo ano, realiza campanha publicitária da transformação do Território Federal do Amapá em Estado e preside o júri do concurso que escolheu a Bandeira e o Brasão de Armas do Amapá. Produz o documentário A Canção do Amapá, sobre o músico Oscar Santos e o hino do novo Estado. 

Ainda em 1983, produz os documentários: O Espetáculo das Águas, para divulgar a Cachoeira de Santo Antônio e a Pororoca – as imagens da pororoca, em coprodução com a Rede Globo, foram exibidas pela primeira vez no Fantástico –; Julião Ramos, o Patriarca do Laguinho; Marabaixo; O Quilombo do Curiaú; e O Chorinho Mágico de Amilar Brenha.  

Em 1989, é finalista do Prêmio Profissionais do Ano, da Rede Globo, com o vídeo A Paz Manda no Líder, para os Supermercados Líder. Em 1994, cria o projeto do Macapá Folia e do bloco Malagueta, em Macapá. Em 1995, conquista a Medalha de Ouro do Prêmio Colunistas, o Oscar da propaganda do Norte e Nordeste, pela campanha política de Almir Gabriel para governador do Pará. De 1993 a 1996, assume a coordenadoroa de Comunicação Social da Prefeitura de Belém. 

Em 2000, conquista o prêmio de melhor documentário no Primeiro Fest Vídeo. Em 2006, ganha o prêmio de Diretor do Melhor Vídeo Clipe Paraense na III Mostra Curta Pará Cine Brasil, com o clipe La Madame, das bandas La Pupuña e Madame Satan, produzido para a TV Cultura. De 2005 a 2007, trabalha como assessor de Comunicação Social do Governo do Pará. 

Mas seu maior feito é ser um dos idealizadores e fundadores do Instituto Memorial Amapá, instituição que preside. O instituto foi fundado em maio de 2015 com a missão de resgatar, preservar e defender a história, a cultura, a memória e a identidade do povo amapaense, por meio da trajetória de pioneiros e personalidades que ajudaram a construir o Estado. 

A ação do instituto, integrado por pioneiros e descendentes de famílias tradicionais, prevê a preservação do patrimônio histórico, tanto material quando imaterial; a defesa de símbolos; e a realização de encontros anuais de pioneiros e descendentes para manter vivas as tradições e homenagear figuras históricas do Estado, a Academia dos Notáveis Edificadores do Amapá, integrada por 70 cadeiras, homens e mulheres que deixaram marcas na construção do Amapá. 

Entre os símbolos da história do Amapá há uma seringueira, intimamente ligada a um dos maiores artistas plásticos do Amapá e do Brasil: Olivar Cunha. A seringueira a que me refiro foi imortalizada no romance A CASA AMARELA, mas é no romance ensaístico JAMBU que ela é materializada. Segue capítulo de JAMBU que a explica. 

ALÉM DOS ESTUDANTES e expectadores em geral, que disputaram uma das duas mil poltronas da luxuosa casa de espetáculos, a aristocracia amapaense estava em peso no Teatro Açaí, do Hotel Caranã, muitos deles em roupas de luxo, algumas, espalhafatosas, lembrando sapos encasacados, inchados de tanta comida e dinheiro, guardado em bancos e malas; se fossem postos de cabeça para baixo não cairia um níquel sequer, pois quem é viciado em dinheiro esconde-o. Alguns estavam tão inchados que se alguém ficasse olhando para eles esperaria ouvi-los coaxar. 

Quando a professora Walkíria Ferreira Lima entrou no palco, os músicos da Orquestra da Escola de Música do Amapá levantaram-se e o público também, aplaudindo-a em pé. De porte frágil, agigantava-se no púlpito. Nascera em Manaus, onde se formou em música, começando os estudos de piano aos 10 anos de idade. Chegou a Macapá na década de 1950, e começou a lecionar canto orfeônico na Escola Barão do Rio Branco e na Escola Industrial do Amapá, antes da criação do Conservatório Amapaense de Música, onde ensinou piano e solfejo. Walkíria Lima foi ainda uma das fundadoras da Academia de Letras do Amapá, patrocinando a cadeira 40. Casou-se com o mágico Isnard Brandão Lima e teve um único filho, o poeta manauara-macapaense Isnard Brandão Lima Filho, autor de Rosas Para a Madrugada e Malabar Azul. Isnard sentara-se na primeira fila. Pálido, olhos amendoados e olhar intenso, cabeleira penteada como a de Castro Alves, bigode, fumante inveterado e dipsomaníaco, lembrava um misto de toureiro e dançarino de tango. Ao lado dele, sentara-se o gênio do pincel e da espátula Olivar Cunha, que assinava os 21 painéis que compunham a exposição oficial do Festival de Gastronomia do Pará e Amapá. 

A etimologia da palavra “cunha” é remota. Vem do latim “cuneus”. Colonizadores romanos fixaram-se na Península Ibérica, que, mais tarde, foi invadida pelos visigodos e depois pelos árabes, em 711 DC. No decorrer dos séculos e várias invasões, a língua latina foi perdendo a pureza, surgindo as línguas neo-latinas, entre as quais o português. A palavra “cunha” tem conotação guerreira: fender, ferir madeira e pedra. O avô paterno de Olivar Cunha se chamava Manuel Raimundo Cunha, nasceu em 1875, em Portugal, e migrara para Pernambuco; e sua avó paterna, Rosa Maria Cunha, nasceu em 1882, em Sobral, Ceará, e faleceu em Manaus, em 1973, aos 91 anos, vítima de congestão; era negra. Os bisavós maternos do grande pintor eram Domingos Pereira Silva, pernambucano, e Francisca de Oliveira Bessa, cearense; e seus avós maternos eram Pedro Pereira Silva (1895-1952), apelidado de Pedro Correto, pela sua retidão de caráter, e Alice Pereira Silva (1898-1961), nascida na cidade do Crato, Ceará. Pedro Correto era moreno-claro e de cabelos encarapinhados, feição negroide, cearense; migrou, ainda rapaz, para a Amazônia, atraído pela febre da borracha no início do século 20. Quando se casou, tornara-se fazendeiro abastado e residia em Porto Velho, mas vendeu todos os seus bens e entrou na Companhia Ford Motors, em Fordlândia, então distrito de Santarém, Pará. Em 1932, separou-se da esposa, Alice Pereira Silva, e mudou-se para Belém, onde morreu. Nos últimos anos da sua vida foi guarda-costas do general Magalhães Barata, nas suas andanças políticas pelo interior do Pará. Magalhães Barata foi revolucionário do Movimento Tenentista, duas vezes governador e duas vezes interventor federal no Pará. Alice Pereira Silva continuou em Fordlândia. Branca, loura e de olhos claros, era uma mulher com a fibra necessária para enfrentar o Inferno Verde. O início da vida do casal foi nas proximidades do rio Abunã, tributário pela margem esquerda do rio Madeira, no extremo oeste da Amazônia; tiveram nove filhos, a maioria deles natimortos, assassinados ou mortos por doença na juventude. A caçula era Marina Pereira Silva Cunha, “a mulher mais bonita, forte, corajosa, poderosa e eterna como as rosas que eu já tive a oportunidade de conhecer” – escreveu João do Bailique, irmão de Olivar Cunha. 

Marina Pereira Silva Cunha nasceu na região do rio Abunã, em 2 de março de 1924. Ela se casou em Belterra, em 22 de junho de 1947, com João Raimundo Cunha, que nasceu em 16 de maio de 1915, em Sobral, Ceará. Ainda criança, migrou para Santarém, com a mãe, Rosa Maria Cunha, e três irmãs; seus irmãos morreram em tenra idade. Perdeu cedo o pai e começou a trabalhar na lavoura. Foi capataz de quadreiro, que era o capinador de campo de seringal, e serrador, na Companhia Ford Motors, no distrito de Belterra, e depois começou a trabalhar nos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, em Belterra, em 1 de setembro de 1946; depois na cidade de Santarém, e, finalmente, em Macapá, onde chegou em janeiro de 1950, sucedido pela família, em outubro do mesmo ano. Trabalhou nos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul até 15 de outubro de 1972. Em 1 de maio de 1973, começou a trabalhar na empresa Irmãos Zagury e Cia. Ltda., como ajudante de mecânico, até 6 de março de 1977, quando se aposentou, somando 35 anos de serviço ativo. 

Alguns trechos da crônica “Papai faz 100 anos”, que João do Bailique publicou na Trópico Úmido: 

“Alguns dos meus ídolos – Ernest Hemingway, Jack London, Antoine de Saint-Exupéry – manifestam duas características em comum: são escritores classe A e foram homens de ação. Um homem de ação é aquele que pensa e age simultaneamente, e também não vive quieto, pois está sempre metido em alguma aventura. A própria vida é sua grande aventura, até que, no caminho, é derrotado pela barreira da dimensão física, mas não é vencido, e passa a povoar o universo azul. Meu pai, o maior dos meus ídolos, não era escritor, mas era homem de ação, e me contou histórias eternas. 

“Meu pai media 1,68, era seco e forte, o rosto oval, olhos castanhos e oblíquos, e usava uma loção à base de pinho após raspar, com navalha, o rosto, deixando apenas o bigode. Foi o homem mais corajoso que já encontrei; nada o intimidava. Internava-se na selva dias seguidos, sozinho, e era capaz de meter uma bala no buraco de outra, a mais de 100 metros de distância. Ele não era escritor, mas escreveu alguns poemas, que se perderam no tempo. 

“Um dia, peguei os originais dos poemas que o papai escrevia de vez em quando e li alguns na Rádio Educadora, em um programa do Luiz Tadeu Magalhães. Papai soube e me passou uma reprimenda. Mas senti, ali, naquele momento, que, de alguma forma, ele não se importou muito que eu tivesse lido publicamente seus poemas, e isso me deixou feliz, pois agradar o ídolo é para o fã o sonho mais ousado. 

“Papai não era escritor, mas foi um extraordinário contador de histórias. Leu Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, e contava a história para nós, meus irmãos e eu, como se Tarzan fosse real. Porém o que mais me fascinava eram as aventuras do próprio papai, especialmente quando se internou na selva profunda e foi atraído por uma sucuri. Tonto, quase desmaiando, foi salvo pelo seu anjo da guarda; conseguiu avistar a cabeça da sucuri, apoiou o rifle numa forquilha e estourou a cabeça da serpente, uma cabeçorra do tamanho de uma lata de leite Ninho. 

“Papai chefiava todo o trabalho pesado no Aeroporto de Macapá, nos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, como faz-tudo, oficialmente como feitor de pista, sinalizando a descida e subida dos Douglas DC-3, abastecia os aviões e os despachava. A primeira vez que o vi fazendo isso fiquei deslumbrado, e quando fui autorizado a entrar no avião foi como se houvesse entrado numa nave espacial. Meu pai conversava com os pilotos da nave e entrava no avião como se estivesse em casa, e serviram-me sanduíches e biscoitos inimagináveis. 

“Apenas uma vez o vi fraquejar. Foi quando a tragédia invadiu a Casa Amarela, a casa da minha infância, na esquina das ruas Iracema Carvão Nunes e Eliézer Levy, onde hoje uma seringueira plantada por meu pai no ano de nascimento do gênio do pincel Olivar Cunha, intercepta o muro do Colégio Amapaense. Foi quando anunciaram a morte do meu irmão Francisco Pereira Cunha. Era 22 de novembro de 1965. Francisco tinha 18 anos e era belo como Zeus, e imortal como todo jovem. Meu pai foi atingindo por um raio. Caiu numa cadeira, mole, sem tônus, os olhos, sempre tão interessados pela vida, gritavam de dor. E logo depois veio o segundo choque: o corpo chegando. Não compreendi bem aquilo. Para mim, a matéria era para sempre, e só fui entender o que se passara quando, no Cemitério São José de Macapá, vi todos se sacudindo em choro, como chuva que não passa nunca. 

“Meu pai morreu com a mesma idade que Ernest Hemingway, aos 61 anos, mas, naquela época, eu já conversava com Papa nos bares da mente, quando o desejo de também bater longos papos com papai começou a se avolumar na minha alma. Meu quarto, na Casa Amarela, a casa da minha infância, era conhecido como Quartinho; é lá que costumo encontrar-me com papai, Ernest Hemingway, Jack London, Antoine de Saint-Exupéry e todos os mortos que amo, num bate-papo interminável.” 

Em outro artigo de memórias, João do Bailique escreveu sobre o gênio Olivar Cunha: 

“Nasceu pesando 3,5 quilos e mamou até aos dois anos. Depois que começou a articular as primeiras palavras, quando queria mamar, pedia “piti”. Pode ser por isso que se tornou o xodó da mãe, a bela Marina Pereira Silva Cunha. Morávamos na Rua Iracema Carvão Nunes, esquina com a Rua Eliezer Levy, numa casa amarela, remanescente do antigo aeroporto, ao lado do Colégio Amapaense. No dia do nascimento do Olivar, 31 de março de 1952, nosso pai, João Raimundo Cunha, plantou a Seringueira que intercepta o muro oeste do Colégio Amapaense, na Rua Eliezer Levy, e que escapou de ser decepada graças à intervenção do engenheiro florestal Luiz Guilherme Dias Façanha, nascido em 18 de julho de 1952, e amigo de infância do Olivar. 

“Em 1983, Luiz Façanha trabalhava como especialista em seringueira (Hevea brasiliensis) na extinta Superintendência da Borracha (Sudhevea), um dos órgãos federais absorvidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Seringueira apresentava uma grande lesão no tronco. Debilitada, foi atacada por fungos e insetos. Segundo Luiz Façanha, estudantes fizeram forte pressão junto à Prefeitura de Macapá e ao Governo do Estado para que autorizassem abater a árvore, alegando risco de vida para quem por ali transitava. Foi então que o repórter da Rede Globo, Antônio de Pádua, solicitou a Luiz Façanha que fizesse uma gravação no local, para dar sua opinião sobre o caso. Após minuciosa inspeção, Façanha verificou que a árvore estava se recuperando do ferimento, embora muito lentamente, e em razão disso posicionou-se contrário ao abate. “É claro que pesou na minha decisão todo o histórico da nossa infância brincando em volta daquela árvore: Olivar, João, Chico e eu.” O fato é que a Rede Globo e Luiz Façanha salvaram a Seringueira. Minha convivência com o Olivar foi, basicamente, no nosso período de infância. Estudamos juntos no então Grupo Escolar Anexo da Escola Normal e lá fizemos todo o Curso Primário, nos idos dos anos 1950/1960. Após as aulas, dividíamos nosso tempo brincando pelos quintais do seu João (pai do Olivar), correndo por cima dos muros e se pendurando nas árvores do quintal. Tempo bom que não volta mais” – lembra Luiz Façanha. 

“Olivar Cunha foi uma dessas crianças que as mulheres adoram apertar nos braços, beijar, acariciar. Não lembro quantos anos ele tinha quando sua então professora, que morava sozinha e que se manifesta, hoje, na minha memória, como uma mulata sensualíssima, se ofereceu para dar reforço escolar a ele na sua casa e ele não quis de jeito algum, porque, segundo pude intuir, mais tarde, de declarações suas, ela era exageradamente carinhosa para com ele, e ele ainda muito criança. O gênio do artista plástico começou a se revelar no curso primário; seus trabalhos eram formalmente impecáveis, e já revelavam criatividade. Encarava também os trabalhos de educação artística de sua irmã Lindomar Cunha, então se preparando para trabalhar no jardim de infância. Pré-adolescente, começou a brincar com seu pequeno prato de massas coloridas e pincéis de tamanhos variados. 

“Aos 14 anos, em 1966, ele já pintava profissionalmente, saía à noite e bebia. Aos 15, expôs pela primeira vez, e andava na companhia dos artistas mais conhecidos da cidade: o poeta Isnard Brandão Lima Filho, o escritor Alcy Araújo e o pintor Raimundo Peixe, além do nosso irmão Pedro Cunha, então com 22 anos, e que era, naquele momento, uma espécie de guru para o Olivar. 

“Olivar Cunha se tornou um rapaz muito bonito, apolíneo, ariano, bom de porrada que só ele mesmo, hedonista, e que cada vez mais dominava as cores e a luz. Sua filosofia era: “Viver é um tesão”. Podia tomar um litro de Run Bacardi sozinho ao longo de um bate-papo, podia sair para a porrada contra dois oponentes e se saía bem, podia fumar três maços de cigarros em uma noite, beber durante 48 horas seguidas, pintar madrugada adentro. Na juventude, era beberrão, machão, idealista, bom de porrada, belo, amado, adorado, incansável como Pablo Picasso e esquizofrênico como Van Gogh. 

“Uma madrugada, um marchand francês acordou todo mundo, em casa, porque teria que viajar para a França naquela manhã e queria porque queria levar alguns quadros do Olivar, e levou o que estava disponível. Acho que foi mais ou menos por essa época que ele pintou os Beatles, 1969. Juntou na tela vários momentos diferentes do Beatles, recortando fotos de várias revistas, reproduzindo-as naquele óleo. Mais ou menos em 1970, vendeu o quadro dos Beatles para Luiz Façanha, que o mantém na casa dele, no Recife, onde mora. 

“Nas décadas de 1970/1980, casado com Maria da Glória Nascimento Cunha, o artista morou em Belém, quando produziu algumas dezenas de telas que o colocam como um dos mais importantes artistas plásticos contemporâneos: seus mendigos do Guamá, subúrbio da Cidade das Mangueiras, são chocantes. Olivar e Glória namoraram durante 7 anos e foram casados por 7 anos. Ela partiu cedo para o mundo espiritual. Em Belém, Olivar ganhou um novo nome: Lili, batizado pela sua filha Tatiana, assim que ela aprendeu a falar, e que lhe deu um neto: Bernardo Cunha Barros. Lili teve outra princesa com Glória: Taiana, que lhe deu um neto: Alexandre Cunha de Sousa. 

“Viúvo, Lili foi para o Rio de Janeiro, estudar artes plásticas no Parque Lage. De volta a Macapá, conhece a capixaba Célia Maria Rocha Cunha, em 1986, casam-se no ano seguinte, e, em agosto de 1988, mudam para o Espírito Santo, onde nascem os filhos Ângelo Ticiano Rocha Cunha e Luciano Rocha Cunha. 

“Nos anos de 1990, consolida sua posição como um dos grandes expressionistas contemporâneos, com a série de animais agonizando nos esgotos das grandes cidades, como na impressionante acrílica sobre tela Tuiuiú Crucificado, sobre a baía de Guanabara – talvez o berro mais fovista, o grito mais expressionista de Olivar Cunha. Ele pintou esse quadro em três meses, em 1992, em seu apartamento na praia atlântica de Jacaraípe, distrito do município de Serra, na grande Vitória do Espírito Santo. Trata-se de uma acrílica sobre tela, em espátula e pincel, de 120 por 100 centímetros. Pertence à fase que o pintor chama de Habitat Transform, desenvolvida no Rio de Janeiro e em Jacaraípe, após pesquisa sobre a devastação da flora e da fauna do Amapá, do Pará e do Pantanal. Depois que se mudou para Jacaraípe, começou também a recuperar obras sacras de igrejas da região. 

“Apesar de contar com o mar onde foi fisgado o maior marlim azul do mundo, o Atlântico ao largo do Espírito Santo, é a Amazônia que pulsa nas telas do gênio, recriada à base de espilantol, o princípio ativo do jambu. O tacacá, que leva jambu, é gostoso servido naquele momento de transição em que a tarde escoa como um rio de planície, que vai se esvaindo, lentamente, ao mergulhar nas luzes do anoitecer. É o espilantol que dá aquela sensação de dormência nas papilas gustativas, ativando as papilas da alma. Então, sentimos gosto de Cerpinha, Run Bacardi, a vertigem do beijo, som de merengue. 

“O gênio pinta a alma das suas criaturas, sejam elas pessoas ou paisagens. Assim, as telas de Olivar Cunha gritam como o coração das trevas, mas também pulsam no rio da tarde, prenhes do perfume dos jasmineiros noturnos. O artista dá à luz a Amazônia eternamente viva, a Hileia que só os cabocos entendem – os apreciadores de merengue, de mapará assado na brasa servido com pirão de açaí, os que se emocionam com o trotar da mulher amazônida no calor equatorial, o mergulho no rio que deságua na tarde, os segredos que se encerram na Fortaleza de São José de Macapá, no Trapiche Eliezer Levy, no Ver-O-Peso, na Estação das Docas, em Mosqueiro, em Salinas, no Bailique, em Caiena. 

“A presença dele, sua simples lembrança, me causa sempre alegria, uma espécie de sensação de coisa nova, de descoberta, de novas possibilidades, de viagem, de aventura. Ele emana uma força poderosa até no repouso, no silêncio, na simplicidade. Mas seu grande poder se manifesta ao usar a paleta, o pincel e a espátula, ao conceder à luz o triunfo”. 

No palco, Uirapuru, de Heitor Villa-Lobos. Trata-se de um poema ou balé sinfônico, composto em 1917 e concluído em 1934, com 20 minutos e 33 segundos de duração, que teve sua gênese em um poema sinfônico de 15 minutos, intitulado Tédio de Alvorada, composto em 1916. Uirapuru foi incluído no programa do último concerto de Villa-Lobos, em 12 de julho de 1959, no Empire State Music Festival, em Nova York. O impressionante é que quem conhece a selva amazônica profunda, sente, nesta composição de Villa-Lobos, o tédio que a grande floresta pode provocar, pela mesmice do terror que o Inferno Verde impõe a quem não se familiariza com o ventre da besta. Mas, para quem ama o abismo, ouvir o próprio uirapuru, na eternidade da grande floresta, é como ouvir Mozart, o som da Terra girando sobre si mesma, gravitando em torno do Sol a 108 mil quilômetros por hora, o sistema solar girando em volta do núcleo da Via Láctea a 830 mil quilômetros por hora, a Via Láctea indo para o Grupo Local a 144 mil quilômetros por hora, o Grupo Local voando para o aglomerado de Virgem a 900 mil quilômetros por hora, tudo isso seguindo em direção ao Grande Atrator, a 2,2 milhões de quilômetros por hora; o Grande Atrator fica para além de Centauro, a 137 milhões de anos-luz da Terra. Walkíria Lima deixou o palco e voltou sob uma avalanche de aplauso.

A CASA AMARELA e JAMBU estão à venda no Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com

quinta-feira, 18 de junho de 2026

A Ditadura da Toga em O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO

ChatGPT 

BRASÍLIA, 18 DE JUNHO DE 2026 – Os romances O CLUBE DOS ONIPOTENTES (2022) e O OLHO DO TOURO (2025), de Ray Cunha, compõem os dois primeiros volumes da trilogia Assassinato de Bolsonaro a Conta-Gotas. As obras se inserem no gênero do thriller político e do romance-reportagem, fundindo personagens fictícios e figuras públicas reais em uma narrativa que busca interpretar os acontecimentos políticos brasileiros das últimas décadas sob a ótica daquilo que o autor denomina “ditadura da toga”. 

Em O CLUBE DOS ONIPOTENTES, a trama começa quando um jornalista investiga uma rede de tráfico de crianças em Brasília e acaba descobrindo uma conspiração destinada a impedir a permanência do presidente da República no poder. O romance utiliza uma estrutura típica dos thrillers de espionagem e conspiração, na qual os bastidores do Estado, da imprensa e das organizações clandestinas se entrelaçam em uma disputa pelo controle político do país. A narrativa apresenta um ambiente de permanente tensão institucional, no qual magistrados, burocratas, políticos e grupos ideológicos formariam um sistema de poder acima dos mecanismos tradicionais da democracia. 

Já em O OLHO DO TOURO, a investigação ganha contornos ainda mais sombrios. O mistério nasce de um detalhe aparentemente insignificante na pintura Navio Negreiro, de Emiliano Di Cavalcanti, transformado pelo autor em chave simbólica para desvendar perseguições, assassinatos e conspirações políticas. O romance amplia o universo do primeiro volume, acompanhando a suposta perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro e explorando a ideia de que o poder se revela nos detalhes quase invisíveis da realidade política. 

O principal mérito da dupla de romances está na capacidade de construir suspense a partir de temas contemporâneos. Cunha emprega capítulos curtos, ritmo acelerado e frequentes mudanças de cenário, criando uma narrativa cinematográfica que mantém o leitor em constante estado de expectativa. A experiência jornalística do autor aparece na abundância de referências históricas, políticas e geopolíticas, conferindo verossimilhança ao enredo. 

O conceito de “ditadura da toga” funciona como eixo central das duas obras. Na visão apresentada pelos romances, determinadas instituições judiciais teriam ultrapassado seus limites constitucionais, assumindo funções políticas e influenciando diretamente os rumos da nação. Independentemente da concordância do leitor com essa interpretação, trata-se de uma hipótese narrativa explorada com coerência interna e vigor dramático. A ficção transforma debates jurídicos e institucionais em matéria romanesca, convertendo decisões judiciais, investigações e disputas eleitorais em elementos de suspense. 

Do ponto de vista literário, a prosa privilegia a clareza e a velocidade. Não há preocupação com experimentalismos formais; a linguagem é direta, influenciada pelo jornalismo e orientada para a ação. Essa escolha aproxima Cunha de autores clássicos do thriller político, para os quais a trama e o conflito ideológico ocupam lugar central. 

Uma possível limitação das obras reside justamente em sua forte orientação ideológica. Em alguns momentos, personagens e grupos tendem a ser apresentados de forma polarizada, reduzindo nuances psicológicas e complexidades políticas. Por outro lado, essa mesma característica confere intensidade à narrativa e reforça seu propósito de intervenção no debate público. 

Em conjunto, O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO constituem uma das mais ambiciosas tentativas recentes de transformar a crise política brasileira em ficção de suspense. São romances que dialogam diretamente com a atualidade, combinando investigação, conspiração, ação e crítica institucional. Para leitores interessados em política, jornalismo investigativo e narrativas sobre os bastidores do poder, a série oferece uma leitura provocadora, intensa e deliberadamente controversa. 

O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO, em português e em inglês,  estão disponíveis no Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com

Dr. Furlan agraciará a Academia Amapaense de Letras com sede própria? Atenção, Paulo Guerra!

Ray Cunha autografa JAMBU para Walter Júnior do Carmo,
presidente do Instituto Memorial Amapá, e Paulo Guerra,
presidente da Academia Amapaense de Letras (AAL)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 18 DE JUNHO DE 2026 – O instrumento que melhor arquiva a memória e tradições de um povo é a literatura. Memória é identidade. Assim, a Academia Brasileira de Letras (ABL) é o cofre, o armazém, o arquivo da identidade brasileira. E as academias dos Estados é a mesma coisa. A questão da sede própria da ABL já foi resolvida. A instituição, depois de rolar pelo Rio de Janeiro, recebeu um presente da França, o Petit Trianon, um palacete doado pelo governo francês para sediar a academia, na Avenida Presidente Wilson 203, coração do Rio de Janeiro. 

O Petit Trianon foi o pavilhão da França durante a Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. Foi no ano seguinte que o governo francês doou o prédio à ABL. O palacete, réplica do Petit Trianon de Versalhes, assinado pelo arquiteto Ange-Jacques Gabriel, entre 1762 e 1768, foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, em 9 de novembro de 1987. É lá que os acadêmicos se reúnem, tomam posse e realizam seu tradicional chá das quintas-feiras. 

A sede da ABL é também um museu, pois guarda inúmeras obras de artes plásticas, além de uma biblioteca que atende aos acadêmicos e a pesquisadores. 

Após uma peregrinação para conseguir financiamento, foi inaugurado, anexo ao Petit Trianon, em 20 de julho de 1979, o Palácio Austregésilo de Athayde, com 28 andares, 13 elevadores sociais e 112 vagas de estacionamento. A academia utiliza uma pequena parte deste arranha-céu, o restante é alugado, o que dá autonomia financeira à ABL, que, assim, não precisa mais viver de pires na mão. Os acadêmicos assíduos recebem até 10.200 reais por mês, o que dá para uma pessoa viver tranquilamente no Rio, em termos financeiros, sustentando até uma pequena família. 

Geralmente, nos Estados, acadêmicos se reúnem em instalações públicas ou de instituições de classe ou privadas. É o caso da Academia Amapaense de Letras (AAL), que se reúne da Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda, no centro de Macapá. 

Fernando Canto, o escritor mais famoso e prestigiado do Amapá, em todos os tempos, foi presidente da AAL, de 2022 a 2024. Durante seu mandato, no qual me tornei o primeiro sócio correspondente da AAL, baseado em Brasília/DF, Fernando Canto priorizou a sede própria da academia. Assim, reuniu-se, durante todo esse intervalo, com políticos do Amapá, principalmente o governador Clécio Luís (Solidariedade) e o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD). Segundo Fernando Canto confidenciou a mim, chegaram a cogitar vários endereços de terrenos ou de prédios prontos, para agraciar a academia. 

Durante os festejos de 70 anos de fundação da AAL, em 21 de junho de 2023, fui convidado pelo Fernando Canto para proferir uma palestra, na qual adverti que era preciso jogar duro com políticos. Eles só se interessam por votos e escritores são péssimos cabos eleitorais. Contei, na palestra, como a ABL resolveu seu problema de sede própria e financeiro. 

De modo que é necessária a produção de documento em cartório com o compromisso do político, pressioná-lo no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa ou na Câmara de Vereadores, dependendo da instância, ou cobrar dele na Justiça, se for o caso. 

No caso do Amapá, parece que, se a AAL estiver atenta, agora, terá sua sede própria. Dr. Furlan (Antônio Paulo de Oliveira Furlan), 53 anos, belenense, cirurgião cardiovascular de reconhecida competência, prefeito de Macapá de 2021 até março de 2026, fez a melhor administração municipal de todos os tempos em Macapá. 

Político de Direita, tem compromisso não somente com o desenvolvimento de Macapá e, por extensão, do Amapá, mas também com a identidade amapaense. Assim, eleito governador, é a pessoa certa para resolver a questão, doando a sede da AAL. 

O presidente da AAL, Paulo Guerra, sabe disso. Formado em Letras pela Universidade Federal do Pará, o professor Paulo Guerra foi Reitor da Universidade Federal do Amapá, Secretário de Educação do Estado, deputado federal e senador. É o homem certo para conversar com o Dr. Furlan. 

Dr. Furlan só não será eleito se o assassinarem ou houver fraude nas eleições. Amado pela população, aparece eleito governador no primeiro turno em todas as pesquisas eleitorais. Sua esposa, Rayssa Furlan (Podemos), aparece como favorita para o Senado, seguida pelo senador Lucas Barreto (PSD), que tentará a reeleição. 

Segundo as pesquisas, o senador Randolfe Rodrigues (PT/AP), que tentará se reeleger, deverá ser despachado para sua cidade natal, Garanhuns/PE, a mesma do seu guru, Lula da Silva (PT). 

Quanto a Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), presidente do Senado e guardião da ditadura da toga, está atolado até o pescoço, pois Daniel Vorcaro, banqueiro do sistema corrupto, afirma que presenteou Alcolumbre com 30 milhões de dólares. Verdade ou mentira? Por que Vorcaro inventaria isso? De qualquer modo, isto é investigado pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito que apura as fraudes do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Vamos ver. 

Quanto ao Dr. Furlan, sugiro que leia meu romance ensaístico JAMBU, à venda no Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com, em português e traduzido para inglês. Trata-se de um mergulho no Amapá e na Amazônia, despindo-os de qualquer mito. 

Também JAMBU está disponível para leitura na Biblioteca Pública Elcy Lacerda e na Biblioteca da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Fernando Canto registra a entrega de JAMBU à Biblioteca da Unifap

terça-feira, 16 de junho de 2026

Bolsonaro festejará o réveillon? Flávio tomará posse? As urnas continuarão inauditáveis? O Banco Master será recuperado e Vorcaro solto?

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 16 DE JUNHO DE 2026 – O então deputado, capitão do Exército, Jair Messias Bolsonaro, vulgo Mito, maior líder da Direita do Brasil, ousou enfrentar o sistema e, agora, está à morte. Só está vivo porque é um búfalo. Em 6 de setembro de 2018, candidato a Presidente, tomou uma peixeirada enferrujada nos intestinos que quase o transfixa. Quando chegou à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora/MG, perdera metade do seu sangue. 

Depois de cumprir sua missão, o autor da facada, Adélio Bispo de Oliveira, militante da Esquerda, não estava preocupado em fugir, pois, imediatamente, advogados caríssimos surgiram para defendê-lo. Ficou por isso mesmo. Quanto a Bolsonaro, submeteu-se a uma infinidade de cirurgias, mas está cada vez mais fraco. 

Bolsonaro foi eleito Presidente e conseguiu permanecer no cargo até o fim do mandato, mas prepararam algo diabólico para ele. Acusaram-no de liderar um golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023, embora ele estivesse nos Estados Unidos e o golpe fosse apenas uma manifestação de velhinhos e donas de casa. Pois bem, prenderam mais de mil pessoas e aplicaram penas de mais de uma década e meia de cadeia a elas. Alguns desses presos políticos morreram à mingua no presídio. Como se não bastasse, prenderam até generais de quatro estrelas, só porque assessoraram Bolsonaro durante seu governo. 

Preso, Bolsonaro já foi encontrado até no chão da sua cela. Ninguém sabe o que aconteceu. Ele está cada vez mais doente e fraco. O senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) é candidato a Presidente e segundo as pesquisas vai ganhar de lavada. Mas há um porém: as urnas eletrônicas continuam inauditáveis. O Brasil é o único país do mundo com urnas inauditáveis. 

Já estouraram o Master, que banca o sistema. Segundo a mídia, o Master repassou para alguns figurões do sistema centenas de milhões de reais. Só para o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), teria passado 30 milhões de dólares. Alcolumbre está com seu traseiro imenso sentado sobre ene pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e para abrir a CPI do Banco Master. A esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, recebeu de Daniel Vorcaro, dono do Master, 80,2 milhões de reais. 

Daniel Vorcaro está preso. A Justiça aguarda uma delação premiada dele. Mas essa delação jamais sairá, pois Vorcaro é banqueiro do sistema e no sistema vige a Omertà, lei do silêncio. 

Resta uma saída para o Brasil sair deste inferno: a Direita se unir e lutar, com unhas e dentes, pelo voto impresso e deixar o resto por conta de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos, republicano, já reconheceu as organizações transnacionais de tráfico de drogas, armas e pessoas, PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), como facções terroristas, e vai explodi-las. Já capturou a hiena da Venezuela, o ex-ditador Nicolás Maduro, explodiu alguns chefões do tráfico, está minando o castrismo em Cuba e cercou o Brasil, que é a bola da vez. Comenta-se, inclusive, por aí, que Trump vai fisgar um molusco no Brasil. Se isso acontecer, realmente, Trump terá lançado uma avalanche de cal no Foro de São Paulo. 

Lula da Silva e seu Partido dos Trabalhadores (PT) estão no poder desde 2003. Nesses 23 anos (dois anos a mais do que a Ditadura dos Generais, de 1064 a 1985) arrasaram com o país, como um enxame de gafanhotos, tornando o Brasil o país mais violento do planeta, o país com maior arrocho fiscal, um dos mais inflacionados, a nação com o pior sistema educacional do globo e com mais moradores de rua e famintos. 

Toda essa desgraça se passa em um país tropical, grande como um continente, com 9 mil quilômetros de litoral, extensão de terras agricultáveis do tamanho da Europa ocidental, mas com parte da população estupidificada pela propaganda comunista – tudo o que os comunistas dizem é mentira. Outro grande problema que entrava o crescimento do país é a corrupção. Aqui, vende-se até a alma, quanto mais o traseiro, esposa e filhas. 

Se acontecesse o que aconteceu no Nepal e em El Salvador, o Brasil seria outro. Entre os dias 8 e 10 de setembro de 2025, no Nepal, a Geração Z, puta da vida porque a ditadura cortou as redes sociais, e, também, porque a miséria da população e ostentação da elite e nepotismo chegou à estratosfera, saiu para a porrada com o sistema. Invadiram e incendiaram edifícios governamentais e residências de autoridades. 

Vinte pessoas morreram, entre as quais Jhalanath Khanal, mulher do ex-primeiro-ministro, Jhala Nath Khanal, que teve sua casa incendiada com a mulher dele dentro, em Katmandu. Autoridades foram agredidas a pauladas nas ruas. 

Já em El Salvador aconteceu o seguinte: na virada do século o país da América Central era mais violento do que o Brasil. O crime organizado tornara-se um Estado dentro do Estado. Na periferia, quando meninas completavam 13 anos eram levadas pelas gangs para serem usadas no tráfico de drogas e puteiros. Até que, em 1 de junho de 2019, Nayib Bukele assumiu a Presidência e iniciou seu segundo mandato consecutivo em 1 de junho de 2024. 

Bukele instalou um regime de exceção, pondo as forças armadas para combater as gangs, com tolerância zero. Foram presos dezenas de milhares de bandidos e construído o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), um megacomplexo de segurança máxima, de onde não foge nem espírito. Os presos são tratados com o pão que o diabo amassou e trabalham o dia todo, presos, é claro. 

Hoje, El Salvador é um paraíso. Enquanto isso, no Brasil, se policial atirar em bandido vai preso. Está igual na Inglaterra, onde, se uma inglesinha for estuprada por um migrante islâmico quem vai presa é ela. Mas o povo inglês começou a se sacudir e a sair da estupidificação. Quanto aos brasileiros, estão aguardando um Brasil X Alemanha.

TRAIÇÃO: conto ambientado em Macapá, Amapá, publicado no livro AMAZÔNIA

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 16 DE JUNHO DE 2026 – TRAIÇÃO (Clube de Autores/amazon.com.br/amazon.com) integra meu livro de contos AMAZÔNIA. A trama é uma professora negra no Amapá perseguida por um ex-aluno que quer se apossar das terras da família dela. Qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos é mera coincidência.

MACAPÁ É LINDA. Não é nem mais nem menos bonita do que qualquer outra cidade, é simplesmente linda. Claro que sua beleza é transcendental; só os iniciados podem vê-la despida, como sói acontecer a todo mundo com suas respectivas cidades. Mas Macapá é linda naturalmente. Quem chega pelo rio Amazonas, de manhã cedo, a vê emergindo na Linha Imaginária do Equador como mulher ao sair do rio, nua, os cabelos escorrendo, gotículas de água na epiderme morena, e cheirosa como maresia, lágrimas de jasmineiros em noites tórridas, rosas vermelhas colombianas e Chanel 5 da Guiana Francesa. Imaginas uma cidade à margem do maior rio do mundo, esquina da Linha Imaginária do Equador, o rio correndo mais rapidamente em direção ao oceano Atlântico, até penetrá-lo e despejar o húmus da Amazônia nas suas entranhas, e então tu saberás do que eu estou falando! Pois nesta cidade fantástica, minha família herdou 18 hectares – 18 campos de futebol – a 400 metros do rio Amazonas, ligados pelo Canal do Jandiá, no bairro do Pacoval, em plena Macapá e início da Rodovia Macapá-Oiapoque. Trata-se da propriedade mais ambicionada da cidade. Sou negra, descendente dos escravos que ergueram a Fortaleza de São José de Macapá. Meu pai foi empreendedor, trabalhador incansável, e se tornou, por mérito próprio, proprietário dessas terras impagáveis. Agora, vem o Capiroto querendo tomá-las, dizendo ele que para construir casas populares. Mas o Capiroto não me engana, o que ele quer mesmo é ficar com as terras da minha família, como se o nepotismo, o favorecimento, o protecionismo à sua família não lhe bastasse. Ele está possuído de sanha canina por mais e mais. O Brasil é um continente e o Amapá, um pequeno Estado no subcontinente amazônico, muito longe de São Paulo/Rio de Janeiro, coração do Brasil. Moro no Laguinho, antigo bairro de descendentes de escravos, hoje, tomado por brancos. Sou professora e Capiroto foi meu aluno no Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Ensinei a ele todos os princípios de honradez, mas ele está fazendo justamente o contrário. Seu irmão é igual a ele, ou pior, pois troca cocaína por ouro no garimpo de São Lourenço. Eu dei minha vida para formar gerações, em todos os municípios amapaenses, e a paga é esta: um ex-aluno quer tomar o que eu recebi como herança, herança legítima. Comi o pão que o diabo amassou. Quando era solteira, quase morri afogada em um naufrágio na boca do rio Araguari e tive até que caçar jacaré para não morrer de fome, porque, na minha época, o governo do antigo Território Federal do Amapá desconhecia a hinterlândia, principalmente durante a ditadura militar, que foi de 1964 até 1985. Como era muito bonita, fui perseguida por um secretário de Educação, dr. Saúviano (só podia ser), mas, graças à Nossa Senhora de Nazaré, o chefe de gabinete do governador era, inusitadamente, um negro (sinal dos tempos), por acaso meu tio. Quando ele soube da perseguição mexeu lá com os pauzinhos dele e o secretário de Educação caiu em desgraça e acabou como pé-inchado em Oiapoque. Eu nunca soube como meu tio conseguiu isso, mas são coisas da política. A família do Capiroto é toda do Afuá, uma ilha do arquipélago do Marajó, no Estado do Pará. Veio para Macapá, que é mais perto do que Belém, para o Capiroto e irmãos estudarem. Agora, o Capiroto, que sempre esteve metido nesses movimentos estudantis e chegou a ser preso na Fortaleza de São José de Macapá na época da Ditadura, foi eleito governador e quer tomar as terras da minha família. E isso porque, além de eu ter sido sua professora, ele e seus irmãos iam matar a fome em casa, sem contar que minha família foi, talvez, o maior cabo eleitoral na sua campanha. Ironia. Traição. Não sei o que dizer. Sou como se fosse viúva, em certo sentido, pois me casei com um caboclo mais para índio do que para caboclo, e sabem como são os caboclos, pois eu lhes direi, são as criaturas mais egoístas e irracionais da raça humana, só pensam na sua barriga, no seu próprio bolso, em enganar o próximo, mentem e tentam ser espertos o tempo todo. Na época, ele era rico e parecia um boto encantado, mas depois dilapidou o patrimônio da sua família e só não dilapidou o da minha família porque sabemos nos defender, temos consciência do que é cidadania. Certa vez, meu marido conseguiu um quilo de ouro e quando reapareceu em casa, um mês depois, parecia um cachorro vira-lata. Mas no começo eu o amava e tinha mesmo ciúme dele, tanto que nas festas, quando éramos solteiros, se uma sirigaita se assanhasse para dançar com ele eu ia lá e tirava ele das mãos da sirigaita e ainda pisava ela. Depois, fui vendo que o encanto do meu marido era só casca, não era o encanto de algumas pessoas, que vem de dentro. Bom, voltando ao Capiroto, o fato é que minha família está pronta para lutar na Justiça pelos seus direitos. E depois, conheci uma filosofia, aqui em Macapá, que nem sonhava que houvesse. Aprendi uma coisa, lá, que Deus é a Harmonia que sustenta o Universo; portanto, Deus é a Lei, e a Lei é bem clara: temos o livro arbítrio de plantar o que quisermos, mas só se colhe o que se planta; se plantarmos mangueiras, não colheremos caju, contudo, a colheita é obrigatória. Se o Capiroto quer tomar nossas terras, alguém vai tomar algo precioso dele. Quanto a mim, cabe-me perdoá-lo, perdoá-lo do fundo do meu coração, e, ao mesmo tempo, vigiá-lo. Bem, aproveitando o Dia de Finados, vou à Academia Espiritual da Seicho-No-Ie em Ibiúna, interior de São Paulo, para agradecer aos meus antepassados tudo o que sou e tudo o que tenho. Essa é outra coisa que aprendi na Seicho-No-Ie, que, aliás, não me proíbe de continuar rezando na Igreja Católica. Soube que Capiroto está dando apoio aos Sem-Terra, que prometeram invasões sangrentas neste novembro. Houve muitas invasões em Macapá, mas as terras da minha família parecem que nem foram vistas pelos invasores, grande parte deles a reboque do senador Jeca Francês, do Estado do Maranhão, que caiu de paraquedas em Macapá e foi eleito pela indiarada senador perpétuo do Amapá e Maranhão. Algo me diz que o mesmo Jeca Francês é quem vai dar um jeito no Capiroto. Trata-se de intuição. Ou mesmo clarividência. Uma coisa é certa: as terras da minha família são maiores do que a ambição do Capiroto. Como se diz na Seicho-No-Ie: “O ser humano tem o poder de traçar o próprio destino. Você é dono do seu destino; é você quem tem domínio sobre sua situação. Portanto, ninguém pode impedi-lo de traçar seu próprio destino pelo poder do pensamento. Seu destino e sua situação evoluem de modo condizente com seus pensamentos”. Eu respondo à perseguição do Capiroto com outro pensamento da Seicho-No-Ie: “Não lute contra o mal aparente. Simplesmente pratique o bem. Mesmo que algo lhe pareça mau, não pense que o mal existe. Encare o mal aparente como um aspecto que antecede à manifestação do bem. Assim, conseguirá serenar sua mente. Em vez de lutar contra o mal aparente, empenhe-se em praticar boas obras a fim de manifestar o bem”. Que Deus o ilumine, Capiroto.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Spielberg começa a ficar nostálgico

O último filme de Steven Spielberg: Dia D (Divulgação)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 15 DE JUNHO DE 2026 – A marca mais característica dos grandes artistas é que eles estão sempre criando, igual Picasso, que, aos 91 anos de idade, não parava de criar, até morrer, pintando, desenhando e esculpindo. Há artistas que veem que não têm mais nada para criar e param, caso da banda The Beatles, que durou oito anos (1962-1970), quando cada um dos quatro rapazes de Liverpool tomou seu rumo e, dos quatro, John Lennon e George Harisson se mostraram individualmente os mais criativos. Há, também, gênios, que, a partir de determinado momento, começam a se repetir, como Roberto Carlos, por exemplo. 

No cinema, gênios como Federico Fellini criaram até morrer. Quentin Tarantino é outro gênio deste tipo, ainda em plena criatividade. E há cineastas que se repetem. Repetir-se, todos nós, artistas, nos repetimos, pois a vida em si é uma sequência de repetições. Mas podemos criar dentro da repetição, fazer descobertas e vislumbrar novas possibilidades. Dia D, novo filme de Steven Spielberg, é um filme que o grande diretor americano já tinha feito. 

Trata da questão de vida inteligente fora da Terra. Spielberg já deveria saber, nestas alturas do campeonato, que é impossível que uma raça inteligente com corpo material viaje pelo Cosmos, ou mesmo venha de algum ponto do nosso sistema solar, porque as distâncias e limitações da matéria – como a luz, limite para velocidade –, e radiações cósmicas, tornam viagens espaciais impossíveis. Assim, só é possível uma civilização planetária visitar outra se aquela habitar uma quarta dimensão. O que se sabe é que, na nossa dimensão, nem sons de uma possível civilização de outro sistema solar ou galáxia chegam à Terra. 

Outra coisa, os ETs de Spielberg são feios demais. O ET exibido no fim do filme, caneludo, olhudo, é aterrorizante. E os bichinhos berrando, sendo cortados por cientistas, é pior ainda. 

Spielberg optou por uma fotografia dos anos 1970, reportando-se, provavelmente, ao Caso Roswell, incidente ufológico ocorrido em julho de 1947, no Novo México (EUA). 

Nostalgia pura. Vejam bem, nostalgia não é ruim. É apenas picle. 

Dia D tem sequências inverossímeis, quando sai do filão ET e Spielberg cai em Harrison Ford de Caçadores da Arca Perdida. O ator Josh O'Connor, que interpreta Daniel Kellner, especialista em segurança cibernética e paranormal, quase põe 007 no chinelo. 

Mas para alicerçar a presença de ETs e a ação, Spielberg trabalha com um tema que coloca Dia D na estante de Spielberg: a revelação de que não estamos sós no Universo mudará os paradigmas da raça humana. Mentiras existenciais desabarão, guerras cessarão e o amor fluirá. A ideia de que ETs possam invadir a Terra para destruir a raça humana é coisa de Hollywood. Aliás, a narrativa hollywoodiana da história da Humanidade é absolutamente mentirosa. Criativa, digamos assim.

domingo, 14 de junho de 2026

A imprensa-prostituta e o monopólio da verdade

RAY CUNHA 

Marcos Machado

BRASÍLIA, 14 DE JUNHO DE 2026 Monopólio da Verdade (Clube de Autores/Amazon, 210 páginas, 2026), de Marcos Machado, é uma análise, com lupa, de como funciona a imprensa de quatro, arreganhada para a mandioca do lulopetismo, não o traseiro, mas a boca, salivando, em sessões de três horas, em média, a troco de dinheiro e emprego para toda a família. 

Marcos Machado é carioca e mora em Brasília, onde trabalhou em quase todos os jornais locais, os que ainda existem e muitos dos que viraram pó, de revisor a editor, passando por repórter e redator, dos bons. Ano passado, publicou Quem Matou o Português? (Clube de Autores/Amazon, 200 páginas), que põe a nu a mídia semialfabetizada, mas que mostra, porém, a utilidade da gramática normativa de um dos idiomas mais organizados, abrangentes e profundos falados no planeta, que é a língua portuguesa. 

Este seu Monopólio da Verdade é uma investigação das vísceras da imprensa brasileira. A conclusão a que chegou é desesperadora. A chamada grande mídia assemelha-se a uma puta completamente infectada durante anos por todo tipo de corrupto e doente. Não só indivíduos e empresas, como também instituições. Se querem saber quais são leiam o livro. 

Hoje, há jornais, TVs, rádios e “influenciadores” que dão o rabo por dinheiro, ou melhor, matam pela ostentação de uma conta bancária obesa. Alguns jornalões têm tanto erro gramatical, de comunicação e de informação, ou mentira pura, que podem matar de raiva um jornalista experiente, honesto e estudioso do idioma. E é isso o que a maioria da população brasileira consome. 

Com efeito, a universidade brasileira se transformou em um carnaval permanente. Alunos se firmam sem saber ler e escrever. Não leem nem bilhete. E só ouvem, em redes sociais, “influenciadores” também semialfabetizados. 

A imprensa moderna surgiu nos Estados Unidos e foi copiada pelo Brasil na primeira metade do século passado. Antes da internet, quem mandava no presidente da República eram os jornalões, principalmente os grupos empresariais de comunicação social. Assis Chateabriand fez história. Paraibano, moldou a imprensa brasileira, de 1906 a 1968. Foi o dono da verdade e da mentira. Extorquia com chantagem. Podia jogar lama na reputação de qualquer um até conseguir o que queria. 

O advento da internet, a estupidificação do ensino, o aparelhamento do lulopetismo nas instituições, o fim da exigência de diploma de Comunicação Social para o exercício de jornalista e a falta de estímulo e o desinteresse dos jovens pela leitura de livros lascaram com a imprensa, hoje, no Brasil. A alta cultura também desapareceu. Ainda bem que Olavo de Carvalho deixou centenas de seguidores e mais de uma dezena de livros.