quinta-feira, 18 de junho de 2026

A Ditadura da Toga em O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO

ChatGPT 

BRASÍLIA, 18 DE JUNHO DE 2026 – Os romances O CLUBE DOS ONIPOTENTES (2022) e O OLHO DO TOURO (2025), de Ray Cunha, compõem os dois primeiros volumes da trilogia Assassinato de Bolsonaro a Conta-Gotas. As obras se inserem no gênero do thriller político e do romance-reportagem, fundindo personagens fictícios e figuras públicas reais em uma narrativa que busca interpretar os acontecimentos políticos brasileiros das últimas décadas sob a ótica daquilo que o autor denomina “ditadura da toga”. 

Em O CLUBE DOS ONIPOTENTES, a trama começa quando um jornalista investiga uma rede de tráfico de crianças em Brasília e acaba descobrindo uma conspiração destinada a impedir a permanência do presidente da República no poder. O romance utiliza uma estrutura típica dos thrillers de espionagem e conspiração, na qual os bastidores do Estado, da imprensa e das organizações clandestinas se entrelaçam em uma disputa pelo controle político do país. A narrativa apresenta um ambiente de permanente tensão institucional, no qual magistrados, burocratas, políticos e grupos ideológicos formariam um sistema de poder acima dos mecanismos tradicionais da democracia. 

Já em O OLHO DO TOURO, a investigação ganha contornos ainda mais sombrios. O mistério nasce de um detalhe aparentemente insignificante na pintura Navio Negreiro, de Emiliano Di Cavalcanti, transformado pelo autor em chave simbólica para desvendar perseguições, assassinatos e conspirações políticas. O romance amplia o universo do primeiro volume, acompanhando a suposta perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro e explorando a ideia de que o poder se revela nos detalhes quase invisíveis da realidade política. 

O principal mérito da dupla de romances está na capacidade de construir suspense a partir de temas contemporâneos. Cunha emprega capítulos curtos, ritmo acelerado e frequentes mudanças de cenário, criando uma narrativa cinematográfica que mantém o leitor em constante estado de expectativa. A experiência jornalística do autor aparece na abundância de referências históricas, políticas e geopolíticas, conferindo verossimilhança ao enredo. 

O conceito de “ditadura da toga” funciona como eixo central das duas obras. Na visão apresentada pelos romances, determinadas instituições judiciais teriam ultrapassado seus limites constitucionais, assumindo funções políticas e influenciando diretamente os rumos da nação. Independentemente da concordância do leitor com essa interpretação, trata-se de uma hipótese narrativa explorada com coerência interna e vigor dramático. A ficção transforma debates jurídicos e institucionais em matéria romanesca, convertendo decisões judiciais, investigações e disputas eleitorais em elementos de suspense. 

Do ponto de vista literário, a prosa privilegia a clareza e a velocidade. Não há preocupação com experimentalismos formais; a linguagem é direta, influenciada pelo jornalismo e orientada para a ação. Essa escolha aproxima Cunha de autores clássicos do thriller político, para os quais a trama e o conflito ideológico ocupam lugar central. 

Uma possível limitação das obras reside justamente em sua forte orientação ideológica. Em alguns momentos, personagens e grupos tendem a ser apresentados de forma polarizada, reduzindo nuances psicológicas e complexidades políticas. Por outro lado, essa mesma característica confere intensidade à narrativa e reforça seu propósito de intervenção no debate público. 

Em conjunto, O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO constituem uma das mais ambiciosas tentativas recentes de transformar a crise política brasileira em ficção de suspense. São romances que dialogam diretamente com a atualidade, combinando investigação, conspiração, ação e crítica institucional. Para leitores interessados em política, jornalismo investigativo e narrativas sobre os bastidores do poder, a série oferece uma leitura provocadora, intensa e deliberadamente controversa. 

O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO, em português e em inglês,  estão disponíveis no Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com

Dr. Furlan agraciará a Academia Amapaense de Letras com sede própria? Atenção, Paulo Guerra!

Ray Cunha autografa JAMBU para Walter Júnior do Carmo,
presidente do Instituto Memorial Amapá, e Paulo Guerra,
presidente da Academia Amapaense de Letras (AAL)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 18 DE JUNHO DE 2026 – O instrumento que melhor arquiva a memória e tradições de um povo é a literatura. Memória é identidade. Assim, a Academia Brasileira de Letras (ABL) é o cofre, o armazém, o arquivo da identidade brasileira. E as academias dos Estados é a mesma coisa. A questão da sede própria da ABL já foi resolvida. A instituição, depois de rolar pelo Rio de Janeiro, recebeu um presente da França, o Petit Trianon, um palacete doado pelo governo francês para sediar a academia, na Avenida Presidente Wilson 203, coração do Rio de Janeiro. 

O Petit Trianon foi o pavilhão da França durante a Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. Foi no ano seguinte que o governo francês doou o prédio à ABL. O palacete, réplica do Petit Trianon de Versalhes, assinado pelo arquiteto Ange-Jacques Gabriel, entre 1762 e 1768, foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, em 9 de novembro de 1987. É lá que os acadêmicos se reúnem, tomam posse e realizam seu tradicional chá das quintas-feiras. 

A sede da ABL é também um museu, pois guarda inúmeras obras de artes plásticas, além de uma biblioteca que atende aos acadêmicos e a pesquisadores. 

Após uma peregrinação para conseguir financiamento, foi inaugurado, anexo ao Petit Trianon, em 20 de julho de 1979, o Palácio Austregésilo de Athayde, com 28 andares, 13 elevadores sociais e 112 vagas de estacionamento. A academia utiliza uma pequena parte deste arranha-céu, o restante é alugado, o que dá autonomia financeira à ABL, que, assim, não precisa mais viver de pires na mão. Os acadêmicos assíduos recebem até 10.200 reais por mês, o que dá para uma pessoa viver tranquilamente no Rio, em termos financeiros, sustentando até uma pequena família. 

Geralmente, nos Estados, acadêmicos se reúnem em instalações públicas ou de instituições de classe ou privadas. É o caso da Academia Amapaense de Letras (AAL), que se reúne da Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda, no centro de Macapá. 

Fernando Canto, o escritor mais famoso e prestigiado do Amapá, em todos os tempos, foi presidente da AAL, de 2022 a 2024. Durante seu mandato, no qual me tornei o primeiro sócio correspondente da AAL, baseado em Brasília/DF, Fernando Canto priorizou a sede própria da academia. Assim, reuniu-se, durante todo esse intervalo, com políticos do Amapá, principalmente o governador Clécio Luís (Solidariedade) e o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD). Segundo Fernando Canto confidenciou a mim, chegaram a cogitar vários endereços de terrenos ou de prédios prontos, para agraciar a academia. 

Durante os festejos de 70 anos de fundação da AAL, em 21 de junho de 2023, fui convidado pelo Fernando Canto para proferir uma palestra, na qual adverti que era preciso jogar duro com políticos. Eles só se interessam por votos e escritores são péssimos cabos eleitorais. Contei, na palestra, como a ABL resolveu seu problema de sede própria e financeiro. 

De modo que é necessária a produção de documento em cartório com o compromisso do político, pressioná-lo no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa ou na Câmara de Vereadores, dependendo da instância, ou cobrar dele na Justiça, se for o caso. 

No caso do Amapá, parece que, se a AAL estiver atenta, agora, terá sua sede própria. Dr. Furlan (Antônio Paulo de Oliveira Furlan), 53 anos, belenense, cirurgião cardiovascular de reconhecida competência, prefeito de Macapá de 2021 até março de 2026, fez a melhor administração municipal de todos os tempos em Macapá. 

Político de Direita, tem compromisso não somente com o desenvolvimento de Macapá e, por extensão, do Amapá, mas também com a identidade amapaense. Assim, eleito governador, é a pessoa certa para resolver a questão, doando a sede da AAL. 

O presidente da AAL, Paulo Guerra, sabe disso. Formado em Letras pela Universidade Federal do Pará, o professor Paulo Guerra foi Reitor da Universidade Federal do Amapá, Secretário de Educação do Estado, deputado federal e senador. É o homem certo para conversar com o Dr. Furlan. 

Dr. Furlan só não será eleito se o assassinarem ou houver fraude nas eleições. Amado pela população, aparece eleito governador no primeiro turno em todas as pesquisas eleitorais. Sua esposa, Rayssa Furlan (Podemos), aparece como favorita para o Senado, seguida pelo senador Lucas Barreto (PSD), que tentará a reeleição. 

Segundo as pesquisas, o senador Randolfe Rodrigues (PT/AP), que tentará se reeleger, deverá ser despachado para sua cidade natal, Garanhuns/PE, a mesma do seu guru, Lula da Silva (PT). 

Quanto a Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), presidente do Senado e guardião da ditadura da toga, está atolado até o pescoço, pois Daniel Vorcaro, banqueiro do sistema corrupto, afirma que presenteou Alcolumbre com 30 milhões de dólares. Verdade ou mentira? Por que Vorcaro inventaria isso? De qualquer modo, isto é investigado pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito que apura as fraudes do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Vamos ver. 

Quanto ao Dr. Furlan, sugiro que leia meu romance ensaístico JAMBU, à venda no Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com, em português e traduzido para inglês. Trata-se de um mergulho no Amapá e na Amazônia, despindo-os de qualquer mito. 

Também JAMBU está disponível para leitura na Biblioteca Pública Elcy Lacerda e na Biblioteca da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Fernando Canto registra a entrega de JAMBU à Biblioteca da Unifap

terça-feira, 16 de junho de 2026

Bolsonaro festejará o réveillon? Flávio tomará posse? As urnas continuarão inauditáveis? O Banco Master será recuperado e Vorcaro solto?

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 16 DE JUNHO DE 2026 – O então deputado, capitão do Exército, Jair Messias Bolsonaro, vulgo Mito, maior líder da Direita do Brasil, ousou enfrentar o sistema e, agora, está à morte. Só está vivo porque é um búfalo. Em 6 de setembro de 2018, candidato a Presidente, tomou uma peixeirada enferrujada nos intestinos que quase o transfixa. Quando chegou à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora/MG, perdera metade do seu sangue. 

Depois de cumprir sua missão, o autor da facada, Adélio Bispo de Oliveira, militante da Esquerda, não estava preocupado em fugir, pois, imediatamente, advogados caríssimos surgiram para defendê-lo. Ficou por isso mesmo. Quanto a Bolsonaro, submeteu-se a uma infinidade de cirurgias, mas está cada vez mais fraco. 

Bolsonaro foi eleito Presidente e conseguiu permanecer no cargo até o fim do mandato, mas prepararam algo diabólico para ele. Acusaram-no de liderar um golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023, embora ele estivesse nos Estados Unidos e o golpe fosse apenas uma manifestação de velhinhos e donas de casa. Pois bem, prenderam mais de mil pessoas e aplicaram penas de mais de uma década e meia de cadeia a elas. Alguns desses presos políticos morreram à mingua no presídio. Como se não bastasse, prenderam até generais de quatro estrelas, só porque assessoraram Bolsonaro durante seu governo. 

Preso, Bolsonaro já foi encontrado até no chão da sua cela. Ninguém sabe o que aconteceu. Ele está cada vez mais doente e fraco. O senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) é candidato a Presidente e segundo as pesquisas vai ganhar de lavada. Mas há um porém: as urnas eletrônicas continuam inauditáveis. O Brasil é o único país do mundo com urnas inauditáveis. 

Já estouraram o Master, que banca o sistema. Segundo a mídia, o Master repassou para alguns figurões do sistema centenas de milhões de reais. Só para o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), teria passado 30 milhões de dólares. Alcolumbre está com seu traseiro imenso sentado sobre ene pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e para abrir a CPI do Banco Master. A esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, recebeu de Daniel Vorcaro, dono do Master, 80,2 milhões de reais. 

Daniel Vorcaro está preso. A Justiça aguarda uma delação premiada dele. Mas essa delação jamais sairá, pois Vorcaro é banqueiro do sistema e no sistema vige a Omertà, lei do silêncio. 

Resta uma saída para o Brasil sair deste inferno: a Direita se unir e lutar, com unhas e dentes, pelo voto impresso e deixar o resto por conta de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos, republicano, já reconheceu as organizações transnacionais de tráfico de drogas, armas e pessoas, PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), como facções terroristas, e vai explodi-las. Já capturou a hiena da Venezuela, o ex-ditador Nicolás Maduro, explodiu alguns chefões do tráfico, está minando o castrismo em Cuba e cercou o Brasil, que é a bola da vez. Comenta-se, inclusive, por aí, que Trump vai fisgar um molusco no Brasil. Se isso acontecer, realmente, Trump terá lançado uma avalanche de cal no Foro de São Paulo. 

Lula da Silva e seu Partido dos Trabalhadores (PT) estão no poder desde 2003. Nesses 23 anos (dois anos a mais do que a Ditadura dos Generais, de 1064 a 1985) arrasaram com o país, como um enxame de gafanhotos, tornando o Brasil o país mais violento do planeta, o país com maior arrocho fiscal, um dos mais inflacionados, a nação com o pior sistema educacional do globo e com mais moradores de rua e famintos. 

Toda essa desgraça se passa em um país tropical, grande como um continente, com 9 mil quilômetros de litoral, extensão de terras agricultáveis do tamanho da Europa ocidental, mas com parte da população estupidificada pela propaganda comunista – tudo o que os comunistas dizem é mentira. Outro grande problema que entrava o crescimento do país é a corrupção. Aqui, vende-se até a alma, quanto mais o traseiro, esposa e filhas. 

Se acontecesse o que aconteceu no Nepal e em El Salvador, o Brasil seria outro. Entre os dias 8 e 10 de setembro de 2025, no Nepal, a Geração Z, puta da vida porque a ditadura cortou as redes sociais, e, também, porque a miséria da população e ostentação da elite e nepotismo chegou à estratosfera, saiu para a porrada com o sistema. Invadiram e incendiaram edifícios governamentais e residências de autoridades. 

Vinte pessoas morreram, entre as quais Jhalanath Khanal, mulher do ex-primeiro-ministro, Jhala Nath Khanal, que teve sua casa incendiada com a mulher dele dentro, em Katmandu. Autoridades foram agredidas a pauladas nas ruas. 

Já em El Salvador aconteceu o seguinte: na virada do século o país da América Central era mais violento do que o Brasil. O crime organizado tornara-se um Estado dentro do Estado. Na periferia, quando meninas completavam 13 anos eram levadas pelas gangs para serem usadas no tráfico de drogas e puteiros. Até que, em 1 de junho de 2019, Nayib Bukele assumiu a Presidência e iniciou seu segundo mandato consecutivo em 1 de junho de 2024. 

Bukele instalou um regime de exceção, pondo as forças armadas para combater as gangs, com tolerância zero. Foram presos dezenas de milhares de bandidos e construído o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), um megacomplexo de segurança máxima, de onde não foge nem espírito. Os presos são tratados com o pão que o diabo amassou e trabalham o dia todo, presos, é claro. 

Hoje, El Salvador é um paraíso. Enquanto isso, no Brasil, se policial atirar em bandido vai preso. Está igual na Inglaterra, onde, se uma inglesinha for estuprada por um migrante islâmico quem vai presa é ela. Mas o povo inglês começou a se sacudir e a sair da estupidificação. Quanto aos brasileiros, estão aguardando um Brasil X Alemanha.

TRAIÇÃO: conto ambientado em Macapá, Amapá, publicado no livro AMAZÔNIA

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 16 DE JUNHO DE 2026 – TRAIÇÃO (Clube de Autores/amazon.com.br/amazon.com) integra meu livro de contos AMAZÔNIA. A trama é uma professora negra no Amapá perseguida por um ex-aluno que quer se apossar das terras da família dela. Qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos é mera coincidência.

MACAPÁ É LINDA. Não é nem mais nem menos bonita do que qualquer outra cidade, é simplesmente linda. Claro que sua beleza é transcendental; só os iniciados podem vê-la despida, como sói acontecer a todo mundo com suas respectivas cidades. Mas Macapá é linda naturalmente. Quem chega pelo rio Amazonas, de manhã cedo, a vê emergindo na Linha Imaginária do Equador como mulher ao sair do rio, nua, os cabelos escorrendo, gotículas de água na epiderme morena, e cheirosa como maresia, lágrimas de jasmineiros em noites tórridas, rosas vermelhas colombianas e Chanel 5 da Guiana Francesa. Imaginas uma cidade à margem do maior rio do mundo, esquina da Linha Imaginária do Equador, o rio correndo mais rapidamente em direção ao oceano Atlântico, até penetrá-lo e despejar o húmus da Amazônia nas suas entranhas, e então tu saberás do que eu estou falando! Pois nesta cidade fantástica, minha família herdou 18 hectares – 18 campos de futebol – a 400 metros do rio Amazonas, ligados pelo Canal do Jandiá, no bairro do Pacoval, em plena Macapá e início da Rodovia Macapá-Oiapoque. Trata-se da propriedade mais ambicionada da cidade. Sou negra, descendente dos escravos que ergueram a Fortaleza de São José de Macapá. Meu pai foi empreendedor, trabalhador incansável, e se tornou, por mérito próprio, proprietário dessas terras impagáveis. Agora, vem o Capiroto querendo tomá-las, dizendo ele que para construir casas populares. Mas o Capiroto não me engana, o que ele quer mesmo é ficar com as terras da minha família, como se o nepotismo, o favorecimento, o protecionismo à sua família não lhe bastasse. Ele está possuído de sanha canina por mais e mais. O Brasil é um continente e o Amapá, um pequeno Estado no subcontinente amazônico, muito longe de São Paulo/Rio de Janeiro, coração do Brasil. Moro no Laguinho, antigo bairro de descendentes de escravos, hoje, tomado por brancos. Sou professora e Capiroto foi meu aluno no Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Ensinei a ele todos os princípios de honradez, mas ele está fazendo justamente o contrário. Seu irmão é igual a ele, ou pior, pois troca cocaína por ouro no garimpo de São Lourenço. Eu dei minha vida para formar gerações, em todos os municípios amapaenses, e a paga é esta: um ex-aluno quer tomar o que eu recebi como herança, herança legítima. Comi o pão que o diabo amassou. Quando era solteira, quase morri afogada em um naufrágio na boca do rio Araguari e tive até que caçar jacaré para não morrer de fome, porque, na minha época, o governo do antigo Território Federal do Amapá desconhecia a hinterlândia, principalmente durante a ditadura militar, que foi de 1964 até 1985. Como era muito bonita, fui perseguida por um secretário de Educação, dr. Saúviano (só podia ser), mas, graças à Nossa Senhora de Nazaré, o chefe de gabinete do governador era, inusitadamente, um negro (sinal dos tempos), por acaso meu tio. Quando ele soube da perseguição mexeu lá com os pauzinhos dele e o secretário de Educação caiu em desgraça e acabou como pé-inchado em Oiapoque. Eu nunca soube como meu tio conseguiu isso, mas são coisas da política. A família do Capiroto é toda do Afuá, uma ilha do arquipélago do Marajó, no Estado do Pará. Veio para Macapá, que é mais perto do que Belém, para o Capiroto e irmãos estudarem. Agora, o Capiroto, que sempre esteve metido nesses movimentos estudantis e chegou a ser preso na Fortaleza de São José de Macapá na época da Ditadura, foi eleito governador e quer tomar as terras da minha família. E isso porque, além de eu ter sido sua professora, ele e seus irmãos iam matar a fome em casa, sem contar que minha família foi, talvez, o maior cabo eleitoral na sua campanha. Ironia. Traição. Não sei o que dizer. Sou como se fosse viúva, em certo sentido, pois me casei com um caboclo mais para índio do que para caboclo, e sabem como são os caboclos, pois eu lhes direi, são as criaturas mais egoístas e irracionais da raça humana, só pensam na sua barriga, no seu próprio bolso, em enganar o próximo, mentem e tentam ser espertos o tempo todo. Na época, ele era rico e parecia um boto encantado, mas depois dilapidou o patrimônio da sua família e só não dilapidou o da minha família porque sabemos nos defender, temos consciência do que é cidadania. Certa vez, meu marido conseguiu um quilo de ouro e quando reapareceu em casa, um mês depois, parecia um cachorro vira-lata. Mas no começo eu o amava e tinha mesmo ciúme dele, tanto que nas festas, quando éramos solteiros, se uma sirigaita se assanhasse para dançar com ele eu ia lá e tirava ele das mãos da sirigaita e ainda pisava ela. Depois, fui vendo que o encanto do meu marido era só casca, não era o encanto de algumas pessoas, que vem de dentro. Bom, voltando ao Capiroto, o fato é que minha família está pronta para lutar na Justiça pelos seus direitos. E depois, conheci uma filosofia, aqui em Macapá, que nem sonhava que houvesse. Aprendi uma coisa, lá, que Deus é a Harmonia que sustenta o Universo; portanto, Deus é a Lei, e a Lei é bem clara: temos o livro arbítrio de plantar o que quisermos, mas só se colhe o que se planta; se plantarmos mangueiras, não colheremos caju, contudo, a colheita é obrigatória. Se o Capiroto quer tomar nossas terras, alguém vai tomar algo precioso dele. Quanto a mim, cabe-me perdoá-lo, perdoá-lo do fundo do meu coração, e, ao mesmo tempo, vigiá-lo. Bem, aproveitando o Dia de Finados, vou à Academia Espiritual da Seicho-No-Ie em Ibiúna, interior de São Paulo, para agradecer aos meus antepassados tudo o que sou e tudo o que tenho. Essa é outra coisa que aprendi na Seicho-No-Ie, que, aliás, não me proíbe de continuar rezando na Igreja Católica. Soube que Capiroto está dando apoio aos Sem-Terra, que prometeram invasões sangrentas neste novembro. Houve muitas invasões em Macapá, mas as terras da minha família parecem que nem foram vistas pelos invasores, grande parte deles a reboque do senador Jeca Francês, do Estado do Maranhão, que caiu de paraquedas em Macapá e foi eleito pela indiarada senador perpétuo do Amapá e Maranhão. Algo me diz que o mesmo Jeca Francês é quem vai dar um jeito no Capiroto. Trata-se de intuição. Ou mesmo clarividência. Uma coisa é certa: as terras da minha família são maiores do que a ambição do Capiroto. Como se diz na Seicho-No-Ie: “O ser humano tem o poder de traçar o próprio destino. Você é dono do seu destino; é você quem tem domínio sobre sua situação. Portanto, ninguém pode impedi-lo de traçar seu próprio destino pelo poder do pensamento. Seu destino e sua situação evoluem de modo condizente com seus pensamentos”. Eu respondo à perseguição do Capiroto com outro pensamento da Seicho-No-Ie: “Não lute contra o mal aparente. Simplesmente pratique o bem. Mesmo que algo lhe pareça mau, não pense que o mal existe. Encare o mal aparente como um aspecto que antecede à manifestação do bem. Assim, conseguirá serenar sua mente. Em vez de lutar contra o mal aparente, empenhe-se em praticar boas obras a fim de manifestar o bem”. Que Deus o ilumine, Capiroto.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Spielberg começa a ficar nostálgico

O último filme de Steven Spielberg: Dia D (Divulgação)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 15 DE JUNHO DE 2026 – A marca mais característica dos grandes artistas é que eles estão sempre criando, igual Picasso, que, aos 91 anos de idade, não parava de criar, até morrer, pintando, desenhando e esculpindo. Há artistas que veem que não têm mais nada para criar e param, caso da banda The Beatles, que durou oito anos (1962-1970), quando cada um dos quatro rapazes de Liverpool tomou seu rumo e, dos quatro, John Lennon e George Harisson se mostraram individualmente os mais criativos. Há, também, gênios, que, a partir de determinado momento, começam a se repetir, como Roberto Carlos, por exemplo. 

No cinema, gênios como Federico Fellini criaram até morrer. Quentin Tarantino é outro gênio deste tipo, ainda em plena criatividade. E há cineastas que se repetem. Repetir-se, todos nós, artistas, nos repetimos, pois a vida em si é uma sequência de repetições. Mas podemos criar dentro da repetição, fazer descobertas e vislumbrar novas possibilidades. Dia D, novo filme de Steven Spielberg, é um filme que o grande diretor americano já tinha feito. 

Trata da questão de vida inteligente fora da Terra. Spielberg já deveria saber, nestas alturas do campeonato, que é impossível que uma raça inteligente com corpo material viaje pelo Cosmos, ou mesmo venha de algum ponto do nosso sistema solar, porque as distâncias e limitações da matéria – como a luz, limite para velocidade –, e radiações cósmicas, tornam viagens espaciais impossíveis. Assim, só é possível uma civilização planetária visitar outra se aquela habitar uma quarta dimensão. O que se sabe é que, na nossa dimensão, nem sons de uma possível civilização de outro sistema solar ou galáxia chegam à Terra. 

Outra coisa, os ETs de Spielberg são feios demais. O ET exibido no fim do filme, caneludo, olhudo, é aterrorizante. E os bichinhos berrando, sendo cortados por cientistas, é pior ainda. 

Spielberg optou por uma fotografia dos anos 1970, reportando-se, provavelmente, ao Caso Roswell, incidente ufológico ocorrido em julho de 1947, no Novo México (EUA). 

Nostalgia pura. Vejam bem, nostalgia não é ruim. É apenas picle. 

Dia D tem sequências inverossímeis, quando sai do filão ET e Spielberg cai em Harrison Ford de Caçadores da Arca Perdida. O ator Josh O'Connor, que interpreta Daniel Kellner, especialista em segurança cibernética e paranormal, quase põe 007 no chinelo. 

Mas para alicerçar a presença de ETs e a ação, Spielberg trabalha com um tema que coloca Dia D na estante de Spielberg: a revelação de que não estamos sós no Universo mudará os paradigmas da raça humana. Mentiras existenciais desabarão, guerras cessarão e o amor fluirá. A ideia de que ETs possam invadir a Terra para destruir a raça humana é coisa de Hollywood. Aliás, a narrativa hollywoodiana da história da Humanidade é absolutamente mentirosa. Criativa, digamos assim.

domingo, 14 de junho de 2026

A imprensa-prostituta e o monopólio da verdade

RAY CUNHA 

Marcos Machado

BRASÍLIA, 14 DE JUNHO DE 2026 Monopólio da Verdade (Clube de Autores/Amazon, 210 páginas, 2026), de Marcos Machado, é uma análise, com lupa, de como funciona a imprensa de quatro, arreganhada para a mandioca do lulopetismo, não o traseiro, mas a boca, salivando, em sessões de três horas, em média, a troco de dinheiro e emprego para toda a família. 

Marcos Machado é carioca e mora em Brasília, onde trabalhou em quase todos os jornais locais, os que ainda existem e muitos dos que viraram pó, de revisor a editor, passando por repórter e redator, dos bons. Ano passado, publicou Quem Matou o Português? (Clube de Autores/Amazon, 200 páginas), que põe a nu a mídia semialfabetizada, mas que mostra, porém, a utilidade da gramática normativa de um dos idiomas mais organizados, abrangentes e profundos falados no planeta, que é a língua portuguesa. 

Este seu Monopólio da Verdade é uma investigação das vísceras da imprensa brasileira. A conclusão a que chegou é desesperadora. A chamada grande mídia assemelha-se a uma puta completamente infectada durante anos por todo tipo de corrupto e doente. Não só indivíduos e empresas, como também instituições. Se querem saber quais são leiam o livro. 

Hoje, há jornais, TVs, rádios e “influenciadores” que dão o rabo por dinheiro, ou melhor, matam pela ostentação de uma conta bancária obesa. Alguns jornalões têm tanto erro gramatical, de comunicação e de informação, ou mentira pura, que podem matar de raiva um jornalista experiente, honesto e estudioso do idioma. E é isso o que a maioria da população brasileira consome. 

Com efeito, a universidade brasileira se transformou em um carnaval permanente. Alunos se firmam sem saber ler e escrever. Não leem nem bilhete. E só ouvem, em redes sociais, “influenciadores” também semialfabetizados. 

A imprensa moderna surgiu nos Estados Unidos e foi copiada pelo Brasil na primeira metade do século passado. Antes da internet, quem mandava no presidente da República eram os jornalões, principalmente os grupos empresariais de comunicação social. Assis Chateabriand fez história. Paraibano, moldou a imprensa brasileira, de 1906 a 1968. Foi o dono da verdade e da mentira. Extorquia com chantagem. Podia jogar lama na reputação de qualquer um até conseguir o que queria. 

O advento da internet, a estupidificação do ensino, o aparelhamento do lulopetismo nas instituições, o fim da exigência de diploma de Comunicação Social para o exercício de jornalista e a falta de estímulo e o desinteresse dos jovens pela leitura de livros lascaram com a imprensa, hoje, no Brasil. A alta cultura também desapareceu. Ainda bem que Olavo de Carvalho deixou centenas de seguidores e mais de uma dezena de livros.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

CONTO/Vaga-lumes piscando no Cerrado – em homenagem ao escritor sueco Stieg Larsson

Capa da edição do Clube de Autores: Tuiuiú Crucificadografite sobre tela do gênio do pincel e espátula do Amapá, Amazônia, Olivar Cunha
(
Omslaget till Clube de Autores-utgåvan: Korsfäst Tuiuiú, graffiti på duk av penselns och palettknivens geni från Amapá i AM, Olivar Cunha)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 10 DE JUNHO DE 2026 Vaga-lumes piscando no Cerrado é um conto policial que faz parte de TRÓPICO, coletânea publicada no Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com 

NÃO HAVIA MOVIMENTO algum no café, exceto pelo homem, já com certa idade, sentado à mesa junto à vidraça, em uma posição em que podia descortinar o corredor lá fora. Bebericava um espresso, chupando-o aos pouquinhos. Era quase que completamente calvo e deixara a parte cabeluda crescer, parecendo uma moita em meia lua. Tinha as mãos sólidas, grandes e peludas, como todo o resto do corpo. Terminou o café e ficou fazendo que lia a quarta capa do primeiro caderno do Correio Braziliense, de modo que quem chegasse visse a capa do jornal. Precisamente às 9h59 chegou outro sujeito e se dirigiu para a mesa ocupada pelo homem calvo, que o vira ainda no corredor e olhara para seu relógio.

– Você toma um cafezinho? – o calvo perguntou.

– Sim – disse o outro.

O calvo fez sinal para a garçonete e pediu mais um espresso.

– Cem mil; metade agora e a outra metade quando meu cliente souber que o velho viajou – o calvo disse, baixinho.

– Combinado – o outro respondeu. Era alto e magro, usava chapéu de feltro de abas curtas e seus olhos eram pretos e mortiços.

– Quando eu entregar a outra metade, depois do negócio feito, você vai sumir de Brasília – disse o sujeito calvo, sempre baixinho.

– Já estou com passagem comprada para viajar hoje à noite mesmo pro Recife.

 – Esta pasta aqui contém R$ 50 mil, o endereço do spa onde o velho está, foto, instruções sobre como chegar a ele e pentobarbital. Não falhe!

– Nunca falhei – disse o outro, secamente.

Chegaram mais fregueses. Os dois saíram. O homem calvo se dirigiu para o oitavo andar da Business Center Tower, do Centro Empresarial Brasil 21, no Setor Hoteleiro Sul, a poucos passos da cafeteria. Na recepção, identificou-se como Carlos e ficou esperando. Logo depois foi introduzido a uma sala de reunião, onde aguardou cerca de meia hora, ao cabo da qual um homem ainda jovem entrou na sala. Trajava-se de terno azul marinho de algodão, bem cortado. Seus cabelos, negros, eram sedosos e bem penteados.

– Tudo certo – disse o sujeito calvo.

– Já fiz o depósito – o outro respondeu.

– Ele vai lá dez minutos do fim do horário de visita – volveu o calvo.

“Nunca mais esse filho da puta vai desligar a televisão e me mandar estudar, nem me pôr de castigo, nem suspender minha mesada, nem impedir que eu faça retiradas, e muito menos irá ao cartório colocar uma aliança na quenga” – pensou o homem jovem, esfregando a mão e imaginando tudo o que poderia fazer com o patrimônio avaliado em 10 milhões de reais.

No dia seguinte, uma nota no Correio Braziliense informava o passamento do empresário, membro informal do Clube dos Pioneiros. Causa mortis: colapso cardíaco.

Na noite anterior, logo que soube da morte de um hóspede, a proprietária do spa, Mariza Pereira, delegada aposentada da Polícia Civil, chamou seu amigo, o delegado Gabriel Silva, da Homicídios.

– Não deixe tocarem em nada; vou providenciar a necropsia do cadáver. Também vou fazer uma varredura na vida do filho único do pioneiro aqui – disse o delegado.

– Vamos tomar café na minha sala – propôs a elegante dona do spa, meneando a cabeça para ajeitar a bela juba dourada. Era uma louraça madura; uma cirurgia plástica cingira-lhe leve e constante sorriso, quase imperceptível, como o da Mona Lisa.

– Essa história está cheia de furos – o delegado murmurou. “Se foi mesmo aquele playboyzinho, ele vai gastar o dinheiro da herança com advogados e carcereiros corruptos” – pensou, aspirando o aroma do Illy, tirado na pequena máquina. Pela vidraça, podia-se descortinar, ao longe, a miríade de luzes do Lago Sul, como vaga-lumes piscando no cerrado. 

NOVELL/Eldflugor som blinkar i Cerradon – tillägnad den svenske författaren Stieg Larsson

RAY CUNHA

BRASÍLIA, den 10 juni 2026 – Eldflugor som blinkar i Cerradon är en kriminalnovell som ingår i TRÓPICO, en novellsamling som publicerats av Clube de Autoresamazon.com.br och amazon.com

Det var ingen rörelse alls i kaféet, förutom mannen, redan något till åren kommen, som satt vid bordet intill glasfönstret i en position där han kunde överblicka korridoren utanför. Han smuttade på en espresso, tog små klunkar i taget. Han var nästan helt skallig och hade låtit det hår som återstod växa ut, så att det liknade en halvmåneformad buske. Hans händer var kraftiga, stora och håriga, precis som resten av kroppen. 

Han drack upp kaffet och låtsades läsa baksidestexten på första delen av Correio Braziliense, så att den som kom in skulle se tidningens förstasida. Precis klockan 9.59 anlände en annan man och gick fram till bordet där den skallige satt. Denne hade sett honom redan ute i korridoren och kastat en blick på sin klocka. 

– Tar du en kopp kaffe? – frågade den skallige. 

– Ja – svarade den andre. 

Den skallige gav servitrisen en vink och beställde ännu en espresso. 

– Hundratusen; hälften nu och resten när min klient får veta att den gamle har rest vidare – sade den skallige lågmält. 

– Överens – svarade den andre. Han var lång och smal, bar en filthatt med kort brätte och hade svarta, livlösa ögon. 

– När jag lämnar över den andra hälften, efter att jobbet är gjort, försvinner du från Brasília – sade den skallige, fortfarande med låg röst. 

– Jag har redan köpt biljett för att resa till Recife i kväll. 

– Den här portföljen innehåller 50 000 reais, adressen till spa-anläggningen där den gamle befinner sig, ett foto, instruktioner om hur du hittar honom och pentobarbital. Misslyckas inte! 

– Jag har aldrig misslyckats – sade den andre torrt. 

Fler gäster började komma in. De båda männen gick därifrån. Den skallige tog sig till åttonde våningen i Business Center Tower i företagskomplexet Brasil 21, i Setor Hoteleiro Sul, bara några steg från kaféet. I receptionen presenterade han sig som Carlos och blev sittande i väntan. Kort därefter visades han in i ett sammanträdesrum, där han fick vänta ungefär en halvtimme. Sedan kom en fortfarande ganska ung man in i rummet. Han bar en välskräddad mörkblå kostym i bomull. Hans svarta hår var silkeslent och välkammat. 

– Allt är ordnat – sade den skallige. 

– Jag har redan gjort insättningen – svarade den andre. 

– Han går dit tio minuter före besökstidens slut – fortsatte den skallige. 

”Aldrig mer ska den där jäveln stänga av tv och säga åt mig att studera, sätta mig i husarrest, dra in min veckopeng, hindra mig från att ta ut pengar eller gå till notarien för att sätta en vigselring på den där horan”, tänkte den unge mannen medan han gnuggade händerna och föreställde sig allt han skulle kunna göra med förmögenheten, värderad till tio miljoner reais. 

Nästa dag meddelade en notis i Correio Braziliense att affärsmannen, en informell medlem av Pionjärernas Klubb, hade avlidit. Dödsorsak: hjärtkollaps. 

Kvällen innan, så snart hon fick veta att en av gästerna hade dött, kallade spa-anläggningens ägare, Mariza Pereira, pensionerad kommissarie vid civilpolisen, på sin vän, kommissarie Gabriel Silva från mordroteln. 

– Låt ingen röra någonting; jag ska ordna med obduktionen av kroppen. Jag tänker också granska pionjärens ende sons liv i detalj – sade kommissarien. 

– Vi tar en kopp kaffe på mitt kontor – föreslog den eleganta spaägaren och skakade lätt på huvudet för att rätta till sin vackra gyllene hårman. Hon var en mogen blondin; en plastikkirurgisk operation hade gett henne ett svagt och ständigt närvarande leende, nästan omärkligt, som Mona Lisas. 

– Den här historien är full av hål – mumlade kommissarien. 

”Om det verkligen var den där lilla playboyen kommer han att slösa bort arvet på advokater och korrupta fångvaktare”, tänkte han medan han drog in aromen från Illy-kaffet som bryggdes i den lilla maskinen. 

Genom glasfönstret kunde man långt borta skymta myriader av ljus från Lago Sul, som eldflugor som blinkade i Cerradon.