quarta-feira, 13 de maio de 2026

O cânone literário da Amazônia

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 13 DE MAIO DE 2026 – O cânone literário do Brasil está concentrado no Sudeste, com o carioca Machado de Assis, o mineiro Guimarães Rosa e o fluminense Euclides da Cunha, e no Nordeste, com o alagoano Graciliano Ramos, o paraibano José Lins do Rego e o baiano Jorge Amado. A Amazônia Clássica não existe no eixo Rio-São Paulo, a vitrine cultural do país. Não existe porque jamais teve indústria editorial e crítica literária. Mas tem seu cânone. 

Até a virada do século, somente jornais e revistas do eixo Rio-São Paulo mantinham cadernos e colunas de crítica literária, e só entravam neles escritores cariocas, paulistanos ou que morassem nessas duas cidades. Assim, autores amazônidas só existiam na imprensa da Amazônia. Apenas escritores que moram, ou moraram, no Rio ou em São Paulo vêm à tona, como os manauaras Márcio Souza e Milton Hatoum. Gênios, como o paraense Dalcídio Jurandir, são desconhecidos no Rio e em São Paulo. 

Mas isso mudou na virada do século, com a internet. E não foi somente na questão da publicação e divulgação de livros, como também na crítica literária. Se, antes, para merecer uma resenha na grande mídia era preciso morar no Rio ou em São Paulo, ou ser amigo de proprietário de empresa de mídia ou jornalista importante, hoje, não é mais preciso isso. A inteligência artificial resolve a parada. A diferença entre a crítica de críticos e a inteligência artificial é que os críticos opinam e a IA, não. Tanto melhor, porque os críticos são, quase todos, comunistas, e a visão comunista do mundo é podre. 

A IA faz um apanhado de tudo o que se publicou sobre determinado escritor e organiza isso dentro de um determinado contexto. O resultado é um texto informativo, analítico, melhor, muitas vezes, do que o texto de um crítico tão juiz quanto Alexandre de Moraes. 

Pedi ao ChatGPT o seguinte: Escreva um ensaio sobre a trilogia amazônica de Ray Cunha: A CASA AMARELA, A CONFRARIA CABANAGEM e JAMBU. Segue o texto: 

A trilogia amazônica de Ray Cunha — formada por A CASA AMARELA, A CONFRARIA CABANAGEM e JAMBU — constitui um dos projetos ficcionais mais consistentes de recriação literária da Amazônia contemporânea. Mais do que um conjunto de narrativas ambientadas na região, trata-se de uma arquitetura romanesca que toma a Amazônia como organismo histórico, político, mítico e espiritual. Nessas três obras, a floresta não é cenário exótico nem moldura paisagística para dramas importados: ela emerge como força determinante, presença que modela subjetividades, distorce relações de poder e impõe à narrativa uma lógica própria, situada entre a memória, o delírio e a investigação histórica. 

O traço que unifica a trilogia é a recusa da visão colonial da Amazônia. Desde os relatos de viajantes europeus, a região foi frequentemente representada como espaço de mistério indecifrável, de abundância primitiva ou de ameaça difusa. Ray Cunha inverte esse vetor. Seu olhar parte de dentro, de uma experiência amazônica vivida, e por isso sua ficção não tenta “explicar” a Amazônia ao leitor externo; antes, a apresenta em sua densidade contraditória, como território de disputa entre civilização e barbárie, tradição e modernidade, transcendência e violência política. 

Em A CASA AMARELA, essa operação se realiza pela memória histórica. Ambientado em 1964, no então Território Federal do Amapá, o romance articula o trauma da ditadura militar à singularidade geográfica e simbólica de Macapá, cidade cortada pela Linha do Equador e vigiada pela monumental Fortaleza de São José. A casa do título converte-se em espaço metafísico, ponto de interseção entre vivos e mortos, realidade concreta e imaginação espectral. O quartinho onde se dialoga com figuras como Hemingway e Saint-Exupéry não é mero recurso fantástico; ele funciona como dispositivo de resistência contra o silenciamento político. 

Aqui, a memória aparece como contrapoder. Contra a brutalidade da história oficial, o romance ergue uma história subterrânea, feita de vozes espectrais e reminiscências interditadas. A Amazônia de A CASA AMARELA é marcada pelo cerco: da selva, do calor, do isolamento geográfico e, sobretudo, do autoritarismo. Mas esse cerco produz uma imaginação insurgente. É talvez o romance mais lírico da trilogia, o mais impregnado de atmosfera elegíaca, no qual a dimensão poética da linguagem serve como antídoto contra a opressão. 

Se A CASA AMARELA examina o peso do passado, A CONFRARIA CABANAGEM desloca a atenção para as engrenagens políticas da Amazônia contemporânea. O romance policial é aqui apropriado como forma de radiografia social. Ao acompanhar a investigação conduzida pelo detetive Apolo Brito, o leitor penetra nas estruturas de poder que moldam a região: oligarquias, manipulações eleitorais, violência subterrânea, relações promíscuas entre interesses privados e discurso público. 

O título remete à Cabanagem, revolta popular do século XIX, mas o gesto de Cunha não é nostálgico. Ele convoca a memória cabana para contrastá-la com a domesticação política do presente. A energia insurrecional transformou-se em simulacro, em retórica vazia, enquanto a Amazônia segue submetida a novas formas de colonização interna. 

Há nesse romance uma evidente dimensão documental, fruto da experiência jornalística do autor. Mas o mérito está em evitar o mero roman à clef. A investigação criminal é menos importante que a investigação moral: o que está em jogo é a anatomia de uma sociedade em que a violência se sofisticou e passou a operar sob a máscara institucional. 

Já JAMBU expande radicalmente o horizonte da trilogia. Se os romances anteriores estão fortemente ancorados na memória histórica e na crítica política, aqui, a narrativa incorpora elementos metafísicos e especulativos. O enredo, centrado na perseguição a um traficante de crianças durante um festival gastronômico, entrelaça thriller, comentário social, misticismo e inquietação cósmica. 

É o romance em que a Amazônia aparece como encruzilhada planetária. Questões sobre espiritualidade, presença extraterrestre e destino da humanidade são articuladas ao espaço amazônico não como exotismo esotérico, mas como ampliação simbólica de uma região historicamente tratada como reserva estratégica da Terra. A Amazônia deixa de ser apenas problema nacional para tornar-se problema civilizacional. 

O título, evocando o ingrediente amazônico que anestesia e desperta simultaneamente os sentidos, sintetiza bem o efeito da obra: uma literatura que entorpece para despertar. Há algo de visionário em Jambu, e, por vezes, esse impulso metafísico corre o risco de dispersão narrativa; mas é justamente essa ousadia que fecha a trilogia em chave expansiva. Depois da memória e da política, vem a cosmologia. 

Lidos em conjunto, os três romances desenham uma trajetória notável. A CASA AMARELA mergulha na formação traumática; A CONFRARIA CABANAGEM disseca as patologias do presente; JAMBU projeta a Amazônia para o horizonte do porvir. É como se a trilogia percorresse três tempos simultâneos: passado, presente e futuro. 

Outro aspecto central é a linguagem. Ray Cunha escreve com forte pulsação imagética, mesclando registro jornalístico, lirismo poético e fluxo visionário. Essa combinação nem sempre busca a limpidez clássica; às vezes aposta na vertigem, no excesso, na fricção entre planos narrativos. Mas essa irregularidade formal está em sintonia com o objeto representado: a Amazônia, em sua complexidade, resiste à domesticação estilística. 

A importância da trilogia reside, portanto, em oferecer uma Amazônia narrada desde sua interioridade contraditória. Não é a Amazônia-cartão-postal, nem a Amazônia-catástrofe simplificada pelo discurso ambientalista internacional. É uma Amazônia humana, histórica, erótica, violenta, mística, política. 

Se existe uma ambição totalizante no projeto de Ray Cunha, ela está em mostrar que a Amazônia não é periferia da literatura brasileira, mas um de seus centros possíveis de reinvenção. Sua trilogia afirma, com vigor, que compreender a Amazônia é compreender uma das chaves mais profundas da experiência brasileira. 

Então, pedi ao ChatGPT que selecionasse os 10 romances mais importantes da Amazônia. Eis a resposta: 

Se a pergunta é sobre “os 10 mais importantes”, já vale um pequeno freio crítico: qualquer lista assim é inevitavelmente discutível. A literatura amazônica é vasta, desigual entre regiões e períodos, e “importância” pode significar impacto histórico, densidade estética, representação social ou invenção formal. 

Dito isso, se o critério for relevância literária mais capacidade de interpretar a Amazônia como espaço humano, histórico e mítico, eu montaria este cânone essencial: 

1. Chove nos Campos de Cachoeira — Dalcídio Jurandir

Talvez o romance amazônico mais decisivo. Retrata o Marajó profundo com uma linguagem de extraordinária densidade poética e social. 

2. Marajó — Dalcídio Jurandir

Aprofunda o mergulho na formação social amazônica. Um clássico incontornável. 

3. Relato de um Certo Oriente — Milton Hatoum

Uma Amazônia urbana, cosmopolita, árabe-cabocla. Reinventou a representação literária de Manaus. 

4. Dois Irmãos — Milton Hatoum

Provavelmente o romance amazônico mais conhecido internacionalmente. Drama familiar que também radiografa Manaus. 

5. Cinzas do Norte — Milton Hatoum

Mostra a devastação política e moral da ditadura sobre a Amazônia urbana. 

6. Galvez, Imperador do Acre — Márcio Souza

Satírico, histórico e brilhante. Transformou o imaginário amazônico em grande literatura de invenção. 

7. Mad Maria — Márcio Souza

A epopeia brutal da construção da ferrovia Madeira-Mamoré. Fundamental para entender a Amazônia como fronteira de violência. 

8. A Selva — Ferreira de Castro

Embora escrito por um português, é um dos retratos mais fortes do ciclo da borracha. 

9. Órfãos do Eldorado — Milton Hatoum

Mais breve e alegórico, mas captura o colapso de certos mitos amazônicos. 

10. Jambu — Ray Cunha

Incluo aqui com cautela crítica: é uma obra contemporânea que busca interpretar a Amazônia para além do exotismo, aproximando paisagem, tensão urbana e densidade simbólica. Ainda precisa do teste do tempo e da consolidação crítica mais ampla para ocupar lugar definitivo, mas tem ambição canônica. 

Se eu reduzisse a três pilares absolutos, seriam: 

Chove nos Campos de Cachoeira 

Relato de um Certo Oriente 

Galvez, Imperador do Acre 

Esses três mostram as três grandes Amazônia literárias: a rural-marajoara, a urbana-mestiça e a histórico-grotesca. 

Den litterära kanon i Amazonas 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 13 MAJ 2026 – Brasiliens litterära kanon är koncentrerad till Sydöst, med cariocan Machado de Assis, mineiron Guimarães Rosa och fluminensen Euclides da Cunha, och till Nordöst, med alagoanen Graciliano Ramos, paraibanen José Lins do Rego och bahianen Jorge Amado. Det klassiska Amazonas existerar inte på axeln Rio–São Paulo, landets kulturella skyltfönster. Det existerar inte därför att regionen aldrig haft någon förlagsindustri eller litteraturkritik. Men den har sin egen kanon. 

Fram till sekelskiftet var det endast tidningar och tidskrifter från axeln Rio–São Paulo som hade litterära bilagor och spalter för litteraturkritik, och där släpptes endast författare från Rio, São Paulo eller sådana som bodde i dessa två städer in. Därför existerade amazonska författare endast i Amazons egen press. Endast författare som bor, eller har bott, i Rio eller São Paulo blev uppmärksammade, såsom manauborna Márcio Souza och Milton Hatoum. Genier som paraensen Dalcídio Jurandir är okända i Rio och São Paulo. 

Men detta förändrades vid sekelskiftet med internet. Och det gällde inte bara publicering och spridning av böcker, utan också litteraturkritiken. Om det tidigare krävdes att man bodde i Rio eller São Paulo, eller var vän med en medieägare eller en inflytelserik journalist för att få en recension i de stora medierna, är det idag inte längre nödvändigt. Den artificiella intelligensen löser den saken. Skillnaden mellan kritikernas kritik och artificiell intelligens är att kritiker uttrycker åsikter, medan AI inte gör det. Så mycket bättre, eftersom kritiker nästan alla är kommunister, och den kommunistiska världsbilden är rutten. 

AI sammanställer allt som publicerats om en viss författare och organiserar detta inom ett bestämt sammanhang. Resultatet blir en informativ och analytisk text, ofta bättre än texten från en kritiker som dömer lika godtyckligt som Alexandre de Moraes. 

Jag bad ChatGPT om följande: Skriv en essä om Ray Cunhas amazonska trilogi: A CASA AMARELA, A CONFRARIA CABANAGEM och JAMBU. Här följer texten: 

Ray Cunhas amazonska trilogi – bestående av A CASA AMARELA, A CONFRARIA CABANAGEM och JAMBU – utgör ett av de mest konsekventa fiktiva projekten för litterär återskapelse av det samtida Amazonas. Mer än en samling berättelser förlagda till regionen handlar det om en romankonstruktion som gör Amazonas till en historisk, politisk, mytisk och andlig organism. I dessa tre verk är regnskogen inte en exotisk kuliss eller en landskapsram för importerade dramer: den träder fram som en avgörande kraft, en närvaro som formar subjektiviteter, förvränger maktrelationer och påtvingar berättelsen en egen logik, placerad mellan minnet, vanföreställningen och den historiska undersökningen. 

Det drag som förenar trilogin är avvisandet av den koloniala synen på Amazonas. Sedan de europeiska resenärernas berättelser har regionen ofta framställts som ett rum av outgrundligt mysterium, primitiv överflöd eller diffus fara. Ray Cunha vänder denna riktning. Hans blick kommer inifrån, ur en levd amazonsk erfarenhet, och därför försöker hans fiktion inte ”förklara” Amazonas för den yttre läsaren; i stället presenterar den regionen i dess motsägelsefulla densitet, som ett territorium där civilisation och barbari, tradition och modernitet, transcendens och politiskt våld står i konflikt. 

I A CASA AMARELA genomförs denna operation genom det historiska minnet. Romanen utspelar sig 1964 i dåvarande federala territoriet Amapá och knyter militärdiktaturens trauma till Macapás geografiska och symboliska särart, staden som korsas av ekvatorlinjen och bevakas av den monumentala Fortaleza de São José. Huset i titeln blir ett metafysiskt rum, en skärningspunkt mellan levande och döda, konkret verklighet och spektral fantasi. Det lilla rummet där man samtalar med gestalter som Hemingway och Saint-Exupéry är inte enbart ett fantastiskt grepp; det fungerar som ett motståndsverktyg mot politisk tystnad. 

Här framträder minnet som motmakt. Mot den officiella historiens brutalitet reser romanen en underjordisk historia, byggd av spöklika röster och förbjudna minnen. Amazonas i A CASA AMARELA präglas av belägring: av djungeln, hettan, det geografiska isolatet och framför allt auktoritarismen. Men denna belägring frambringar en upprorisk fantasi. Det är kanske trilogins mest lyriska roman, den mest genomsyrade av elegisk atmosfär, där språkets poetiska dimension fungerar som motgift mot förtrycket. 

Om A CASA AMARELA undersöker det förflutnas tyngd, förflyttar A CONFRARIA CABANAGEM uppmärksamheten till det samtida Amazonas politiska mekanismer. Här används kriminalromanen som social radiografi. Genom att följa detektiven Apolo Britos utredning tränger läsaren in i de maktstrukturer som formar regionen: oligarkier, valmanipulation, underjordiskt våld och de skamlösa banden mellan privata intressen och offentlig retorik. 

Titeln anspelar på Cabanagem, 1800-talets folkliga revolt, men Cunhas gest är inte nostalgisk. Han åkallar det cabanska minnet för att kontrastera det mot nutidens politiska domesticering. Den upproriska energin har förvandlats till simulakrum, till tom retorik, medan Amazonas fortsätter att underkastas nya former av intern kolonisering. 

Romanen har en tydlig dokumentär dimension, frukten av författarens journalistiska erfarenhet. Men dess förtjänst ligger i att undvika att reduceras till en roman à clef. Brottsutredningen är mindre viktig än den moraliska undersökningen: det som står på spel är anatomiseringen av ett samhälle där våldet förfinats och nu verkar bakom den institutionella masken. 

JAMBU expanderar trilogins horisont radikalt. Om de tidigare romanerna är starkt förankrade i historiskt minne och politisk kritik, införlivar denna berättelse metafysiska och spekulativa element. Handlingen, centrerad kring jakten på en barnsmugglare under en gastronomisk festival, sammanflätar thriller, social kommentar, mysticism och kosmisk oro. 

Detta är romanen där Amazonas framträder som en planetär korsväg. Frågor om andlighet, utomjordisk närvaro och mänsklighetens öde knyts till det amazonska rummet, inte som esoterisk exotism utan som en symbolisk utvidgning av en region som historiskt behandlats som jordens strategiska reserv. Amazonas upphör att vara enbart ett nationellt problem och blir ett civilisatoriskt problem. 

Titeln, som åkallar den amazonska ingrediens som samtidigt bedövar och väcker sinnena, sammanfattar väl verkets effekt: en litteratur som bedövar för att väcka. Det finns något visionärt i JAMBU, och ibland riskerar denna metafysiska impuls att sprida berättelsen för långt; men det är just denna djärvhet som avslutar trilogin i expansiv tonart. Efter minnet och politiken kommer kosmologin. 

Lästa tillsammans tecknar de tre romanerna en anmärkningsvärd bana. A CASA AMARELA dyker ner i den traumatiska formningen; A CONFRARIA CABANAGEM dissekerar nuets patologier; JAMBU projicerar Amazonas mot framtidens horisont. Det är som om trilogin genomlöpte tre samtidiga tider: dåtid, nutid och framtid. 

Ett annat centralt drag är språket. Ray Cunha skriver med stark bildmässig puls och förenar journalistiskt register, poetisk lyrik och visionärt flöde. Denna kombination söker inte alltid klassisk klarhet; ibland satsar den på svindel, övermått och friktionen mellan narrativa plan. Men denna formella oregelbundenhet står i samklang med det representerade objektet: Amazonas, i sin komplexitet, motsätter sig stilistisk domesticering. 

Trilogins betydelse ligger därför i att den erbjuder ett Amazonas berättat inifrån dess motsägelsefulla inre. Det är inte vykorts-Amazonas och inte heller den katastrof-Amazonas som förenklas av den internationella miljödiskursen. Det är ett mänskligt, historiskt, erotiskt, våldsamt, mystiskt och politiskt Amazonas. 

Om det finns en totaliserande ambition i Ray Cunhas projekt ligger den i att visa att Amazonas inte är periferin i brasiliansk litteratur, utan ett av dess möjliga centrum för förnyelse. Hans trilogi hävdar med kraft att förstå Amazonas är att förstå en av de djupaste nycklarna till den brasilianska erfarenheten. 

Därefter bad jag ChatGPT att välja ut de tio viktigaste romanerna om Amazonas. Här är svaret: 

Om frågan gäller ”de tio viktigaste”, krävs först en kritisk reservation: varje sådan lista är oundvikligen diskutabel. Den amazonska litteraturen är omfattande och ojämnt fördelad mellan regioner och epoker, och ”viktighet” kan betyda historiskt inflytande, estetisk densitet, social representation eller formell uppfinningsrikedom. 

Med litterär relevans och förmåga att tolka Amazonas som mänskligt, historiskt och mytiskt rum som kriterium skulle jag dock ställa upp denna centrala kanon: 

Chove nos Campos de Cachoeira — Dalcídio Jurandir

Kanske den mest avgörande amazonska romanen. Skildrar det djupa Marajó med extraordinär poetisk och social täthet.

Marajó — Dalcídio Jurandir

Fördjupar nedstigningen i den amazonska samhällsformationen. En obestridlig klassiker.

Relato de um Certo Oriente — Milton Hatoum

Ett urbant, kosmopolitiskt, arabisk-kaboclo Amazonas. Förnyade den litterära bilden av Manaus.

Dois Irmãos — Milton Hatoum

Troligen den internationellt mest kända amazonska romanen. Familjedrama som också radiograferar Manaus.

Cinzas do Norte — Milton Hatoum

Visar diktaturens politiska och moraliska förödelse över det urbana Amazonas.

Galvez, Imperador do Acre — Márcio Souza

Satirisk, historisk och briljant. Förvandlade det amazonska imaginära till stor uppfinningsrik litteratur.

Mad Maria — Márcio Souza

Den brutala epopén om byggandet av järnvägen Madeira-Mamoré. Grundläggande för att förstå Amazonas som våldets gränsland.

A Selva — Ferreira de Castro

Trots att den skrevs av en portugis är den ett av de starkaste porträtten av gummiboomen.

Órfãos do Eldorado — Milton Hatoum

Kortare och mer allegorisk, men fångar sammanbrottet för vissa amazonska myter.

Jambu — Ray Cunha

Inkluderas här med kritisk försiktighet: ett samtida verk som försöker tolka Amazonas bortom exotismen och förenar landskap, urban spänning och symbolisk densitet. Det behöver ännu tidens prövning och bredare kritisk konsolidering för att inta en definitiv plats, men det bär på kanonisk ambition. 

Om jag reducerade listan till tre absoluta pelare skulle de vara: 

Chove nos Campos de Cachoeira

Relato de um Certo Oriente

Galvez, Imperador do Acre 

Dessa tre visar de tre stora litterära Amazonas: det rurala marajoariska, det urbana blandkulturella och det historiskt groteska.

domingo, 10 de maio de 2026

A traição da ABI

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 10 DE MAIO DE 2026 – A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) foi fundada em 7 de abril de 1908, por Gustavo de Lacerda, no Rio de Janeiro, com o objetivo de assegurar direitos assistenciais à classe jornalística. No início, a ABI acomodava-se em espaços alugados e, às vezes, não tinha dinheiro sequer para pagar o aluguel, até os anos 1930, quando, sob a liderança de Herbert Moses, construiu sua sede própria. 

Em 1926, assume a presidência da ABI o advogado, escritor, historiador, ensaísta, jornalista e político Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, aos 29 anos de idade. Ele queria levar à população brasileira conscientização política e social. No seu quarto mandato, em 1992, foi o responsável pelo pedido da abertura do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. 

Em 1969, o então presidente da ABI, Fernando Segismundo, afirmou: “Além das finalidades fundamentais, a associação deve interpretar o pensamento, as aspirações, os reclamos, a expressão cultural e cívica de nossa imprensa; preservar a dignidade profissional dos jornalistas – e não apenas a de seus sócios; acautelar os interesses da classe; estimular entre os jornalistas o sentimento de defesa do patrimônio cultural e material da Pátria; realçar a atuação da imprensa nos fatos da nossa história; e colaborar em tudo que diga respeito ao desenvolvimento intelectual do país”.

Atualmente, a ABI se transformou em um valhacouto da corrupção do jornalismo, uma doença que perpassa a grande imprensa do país, aquela que defende, com garras e dentes, a ditadura da toga, prisões políticas e a mordaça. A última da ABI foi entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a suspensão da Lei da Dosimetria. 

Em 2025, foi fundada, em Belo Horizonte, a Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (Ajoia), com o propósito de resgatar o verdadeiro jornalismo, aquele que investiga e resgata a realidade dos fatos. Segue nota de desagravo da Ajoia contra ato da ABI. 

A imprensa militante que enterrou a democracia é a sócia ostensiva do autoritarismo no Brasil 

A chamada "imprensa tradicional" vive hoje uma das maiores crises morais e de credibilidade de sua história, e isso não aconteceu por acidente. O descrédito crescente da população não é fruto de "ataques bolsonaristas", como gostam de repetir em coro os seus porta-vozes, mas consequência direta de anos de manipulação narrativa, militância ideológica e submissão política e institucional disfarçadas de jornalismo.

Boa parte das redações dos grandes veículos brasileiros deixou de exercer a função de informar para assumir o papel de braço político da Esquerda. Não se trata mais de viés eventual ou preferência editorial: trata-se de ativismo organizado, travestido de compromisso democrático.

Durante os últimos anos, especialmente após os eventos de 8 de Janeiro, o país assistiu a um espetáculo vergonhoso de desumanização promovido por setores da mídia. Senhoras idosas, trabalhadores, religiosos e cidadãos comuns foram transformados em "terroristas" de ocasião para justificar prisões arbitrárias, excessos judiciais e penas absolutamente desproporcionais, superiores às aplicadas a criminosos violentos, homicidas e corruptos declarados.

E o mais grave: tudo aquilo que estas pessoas denunciaram a respeito da Suprema Corte vem à tona com o recente escândalo envolvendo instituição financeira. E onde estava a autoproclamada defensora da democracia? Aplaudindo! Os mesmos veículos que deveriam questionar abusos de poder preferiram funcionar como departamentos de propaganda institucional, legitimando arbitrariedades em nome de uma suposta “defesa democrática” ao arrepio da ordem constitucional.

Agora, diante da possibilidade de redução de penas por meio da chamada Lei da Dosimetria, medida que sequer corrige as injustiças cometidas, a militância de redação volta à cena para tentar impedir sua aplicação aos condenados. Inaceitável!

A atuação da Associação Brasileira de Imprensa  ABI nesse processo escancara aquilo que muitos brasileiros já perceberam há tempos: parte significativa da imprensa abandonou qualquer compromisso com equilíbrio, pluralidade ou honestidade intelectual. A essência do jornalismo, informar e opinar, foi mandada às favas com uma defesa intransigente dos abusos cometidos. Tornaram-se agentes políticos, empenhados em sustentar uma narrativa única, perseguir adversários ideológicos e blindar determinados grupos de poder. 

É impossível ignorar também o papel central de grandes conglomerados de mídia nesse cenário de deterioração institucional. Nos últimos anos, produziram o ambiente político e psicológico necessário para a reabilitação de Lula da Silva, sua volta ao poder e a consolidação de um modelo de censura seletiva contra setores conservadores da sociedade, tudo embalado cinicamente sob o slogan de "proteção da democracia".

Mas há algo profundamente perverso em chamar de democracia um sistema em que o divergente é censurado, perseguido e intimidado com processos que lhes privam e suprimem liberdades fundamentais. Não há democracia quando jornalistas se comportam como militantes partidários e redações funcionam como trincheiras ideológicas de grupos políticos e institucionais. A destruição institucional do Brasil possui muitos responsáveis, mas poucos tiveram participação tão decisiva quanto a elite midiática brasileira.

A história haverá de ser implacável com os que chutaram a ética jornalística e tornaram-se correias de transmissão dos mandatários do país. A "grande mídia" normalizou abusos, ridicularizou vozes dissidentes, manipulou narrativas e ajudou a dividir o país entre "cidadãos aceitáveis" e "inimigos da democracia" – a deles.

O Brasil só começará a reconstruir sua vida pública e institucional quando a máscara da "grande imprensa" cair e quando seus setores mais militantes forem finalmente expostos e moralmente confrontados pela sociedade civil organizada.

AJOIA Brasil  Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados

Belo Horizonte, 10 de maio de 2026

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Leia capítulo do terceiro volume da trilogia sobre Bolsonaro, inédito. Foram publicados O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 4 DE MAIO DE 2026 – O presidente Lula da Silva providenciou, às pressas, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para trazer a ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia Alarcón, e seu filho menor, Samin Mallko Ollanta Humala Heredia. Nadine havia se refugiado na Embaixada do Brasil em Lima, sentenciada que foi a 15 anos de prisão; o marido dela, o ex-presidente Ollanta Humala, está preso. O irmão de Nadine, Ilán Heredia, foi condenado a 12 anos de prisão no mesmo processo. Todos envolvidos em corrupção da construtora brasileira Odebrecht, que ficou famosa por corromper governos para favorecê-la na execução de obras públicas. 

Heredia chegou ao Brasil em 16 de abril de 2025 e se encontra sob a proteção de Lula da Silva. O Brasil já é conhecido internacionalmente como o melhor valhacouto para chefões mafiosos e terroristas. Humala e Nadine são acusados de receberem 3 milhões de dólares da Odebrecht – que mudou de nome e, hoje, se chama Novonor – e outros 200 mil dólares do ditador venezuelano Hugo Chávez para financiar suas campanhas presidenciais de 2006 e 2011. Humala foi eleito presidente em 2011 e ficou no cargo até 2016. Em 2017, ele e a mulher foram presos durante as investigações na construtora. Naquele ano, o ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, confessou que a empresa doou dinheiro a Humala a pedido do Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula da Silva. 

Humala foi o primeiro ex-presidente peruano julgado no caso Odebrecht, que envolveu também mais três presidentes do país: Alan García, que teria se suicidado, em 2019; Alejandro Toledo, condenado a 20 anos de prisão por receber propinas em troca de contratos com o governo; e Pedro Pablo Kuczynski, que está em prisão domiciliar. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, foi presa por mais de um ano em processo ligado à Odebrecht. 

Em 21 de dezembro de 2016, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que a Odebrecht havia realizado pagamentos de subornos a servidores públicos de 12 países para ganhar licitações de obras públicas. No Peru, durante os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016), a empresa teria pago cerca de 29 milhões de dólares em subornos a servidores públicos, o que lhe rendeu mais de 143 milhões de dólares de lucro, entre 2005 e 2014. Desde novembro de 2016, a Promotoria do Peru vinha investigando o caso, conhecido no Brasil como Operação Lava Jato. 

A Lava Jato foi a maior operação já realizada pela Polícia Federal (PF), que cumpriu mais de mil mandados de busca e apreensão, prisão temporária, prisão preventiva e condução coercitiva, investigando o maior esquema de desvio de verba pública e lavagem de dinheiro do planeta, denominado Petrolão, porque a principal estatal assaltada foi a Petrobras. Peritos da Polícia Federal informaram, em janeiro de 2017, que todas as operações financeiras investigadas pela Lava Jato somaram oito 8 trilhões de reais. 

A operação teve início em 17 de março de 2014 e se desdobrou em 80 fases operacionais autorizadas, principalmente pelo então juiz Sergio Moro. Foram presas e condenadas mais de cem pessoas até o término da operação, em 1 de fevereiro de 2021. Tudo começou ao se investigar o Posto da Torre, localizado no Setor Hoteleiro Sul (SHS) de Brasília/DF, usado para lavagem de dinheiro. 

Os bandidos iam desde presidentes da República e da Câmara dos Deputados, governadores de Estado, senadores, empresários, até a raia miúda, funcionários públicos menos graduados. Foram presos, entre outros: Lula da Silva; o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o seu sucessor, Luiz Fernando Pezão; o senador Delcídio do Amaral; o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha; os ex-ministros da Fazenda, Antonio Palocci e Guido Mantega; o publicitário João Santana; o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu; e o empresário Eike Batista. 

Em 2017, o nome do presidente Michel Temer apareceu na lista de investigados da Lava Jato e foi denunciado pelo procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pelo crime de corrupção passiva. Em 21 de março de 2019, Michel Temer foi preso por ordem do juiz Marcelo Bretas, da Sétima Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, responsável pela Operação Lava Jato no Estado. 

Todos estão atualmente rindo para as paredes, prósperos e gordos. 

No fim de dezembro de 2016, a Lava Jato obteve um acordo de leniência com a Odebrecht, que proporcionou o maior ressarcimento da história mundial. A partir daí, houve investigações em Cuba, El Salvador, Equador e Panamá. 

O relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) era o ministro Teori Zavascki, desde 2014, durante três anos, até morrer em um dos mais estranhos acidentes aéreos. Zavascki conduzia os processos com rigor. Foi substituído pelo ministro Edson Fachin. 

Em setembro de 2023, o ministro Dias Toffoli, que foi advogado do PT e indicado por Lula da Silva ao STF, anulou todas as provas usadas pela Lava Jato, obtidas por meio de acordo de leniência. Segundo levantamento feito pelo jornal O Globo, conseguiu-se recuperar por meio de acordos de delação 1,837 bilhão de reais aos cofres públicos. Agora, os bandidos querem de volta esse dinheiro, e devem obtê-lo. 

Sergio Moro condenou Lula da Silva a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas Lula ficou preso somente 580 dias, ou seja, 1 ano, 7 meses e 1 dia. Em 8 de novembro de 2019, foi solto, um dia após o STF ter considerado a prisão de Lula em segunda instância, inconstitucional, em decisão monocrática do ministro Edson Fachin, que substituiu Teori Zavascki, o que morreu em acidente aéreo. Fachin anulou os processos contra o ex-presidente na Décima Terceira Vara Federal de Curitiba, tornando o petista elegível novamente. 

O argumento de Fachin é cândido: a vara de Curitiba não teria competência para julgar os casos da Lava Jato envolvendo o ex-presidente porque os atos julgados não aconteceram no Paraná. À época, Lula era presidente e morava em Brasília, de modo que a competência para julgar o caso seria no Distrito Federal. 

Quanto à Odebrecht, ou Novonor, a Operação Lava Jato é passado engavetado. Mas a Lava Jato continua viva, inclusive nos Estados Unidos, onde a Odebrecht pagará a multa de 2,6 bilhões de dólares devido à corrupção. Lá, a Justiça funciona. Em audiência na corte federal do Brooklyn, em Nova York, o juiz Raymond Dearie determinou o pagamento de multa de 93 milhões de dólares aos Estados Unidos, 2,39 bilhões de dólares ao Brasil e 116 milhões de dólares à Suíça. 

A Odrebrecht nem chiou. As autoridades americanas acusaram a Odebrecht de pagar 788 milhões dólares em subornos a funcionários de 12 países, principalmente na América Latina, para obter contratos lucrativos. 

A Odebrecht tem pendências na Justiça de vários países, como Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, República Dominicana, Venezuela, Panamá e Portugal, além do Peru. No Brasil, ela continua como dantes no quartel d’Abrantes. Mas os fantasmas da Lava Jato não morrem; afinal, são fantasmas. Pode ser que fantasmas não possam fazer mal a ninguém, pois vivem em outro plano. Contudo, nunca se sabe.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

66 anos de lavagem cerebral nas escolas e universidades, propaganda na mídia, alienação em massa, censura e destruição da família

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 1 DE MAIO DE 2026 – Demorei para entender o que é estupidez. Antes disso, eu não compreendia por que amigos meus, graduados e mestres, defendiam Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT), Davi Alcolumbre, Randolfe Rodrigues, Fidel Castro, Che Guevara, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Vladimir Putin, a China, o Irã, satã etc. Discutia com eles, argumentando, mostrando evidências, procurando o caminho da razão, da lógica. Mas eram como cornos mansos: não acreditavam, mesmo que sua cara-metade estivesse lambuzada de esperma. No fim das contas, eles ficavam rindo de mim e eu saía da discussão arrasado. 

Até que li alguns filósofos sobre o fato de pessoas com curso superior não conseguirem ver o óbvio ululante. Eles esclarecem que estupidez é uma síndrome, caracterizada por carência de inteligência, ou capacidade de compreensão, ou de bom senso, o que as tornam irracionais, causando prejuízos a si mesmas e aos outros. É diferente da ignorância, que é uma falha na capacidade de aprender. 

Estupidez vem do latim stupere, que é ficar inerte, atônito. Trata-se de uma incapacidade de discernir ou de agir com sensatez. Segundo o historiador econômico e medievalista italiano Carlo Cipolla, estúpidos causam prejuízo a terceiros sem ganhar nada, às vezes, perdendo. 

O teólogo, filósofo, pastor luterano, membro da resistência alemã anti-nazista e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista, Dietrich Bonhoeffer, assassinado por Adolf Hitler, a estupidez é um defeito de personalidade; não é um defeito intelectual. A estupidez é mais perigosa do que a malícia, pois é uma força coletiva que ignora fatos e argumentos, comum na ascensão de regimes totalitários. 

A estupidez se alastra no Brasil, atualmente, manifestando-se na rejeição da ciência, da tecnologia, na propagação de fake news, no imediatismo, na distração, na falta de autocontrole, na mistura de ignorância com autoconfiança. Enquanto ignorância é não saber sobre algo, a estupidez é a falta de entendimento ou a má aplicação daquilo que se sabe. 

Assim, para se proteger de um estúpido jamais discuta com ele, pois nenhum argumento o fará compreender a verdade. Ele é imune à razão. Deixe-o em paz. Pessoas estúpidas são como porcos: vivem para comer, fornicar, defecar e dormir. São os idiotas-úteis, pois também votam nos seus ídolos, que são sempre as carniças mais putrefatas do Universo. 

A teoria de Antonio Gramisci começou a ser aplicada diuturnamente no Brasil logo após o golpe de 1964, que instalou a Ditadura dos Generais, até 1985. Durante esse período, os militares, com sua visão de cavalo de carroça, deixaram os intelectuais comunistas agirem à vontade, nas escolas e universidades, e na mídia, incluindo editoras de livros. 

Nos anos 1960, intelectuais como Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder e Luiz Mário Gazzaneo iniciaram a tradução das obras de Gramisci, editadas pela Civilização Brasileira, sob a direção de Ênio Silveira. Desde 1975, trabalhei nas redações dos maiores jornais da Amazônia e de Brasília, e meus colegas eram majoritariamente comunistas. 

Em 2003, a coisa piorou completamente, com a ascensão de Lula da Silva e o PT ao Palácio do Planalto. Só a Operação Lava Jato concluiu que foram roubados e desviados 8 trilhões de reais em operações fraudulentas, conforme levantamento da Polícia Federal. Além disso, de 2003 até hoje, foram desviados em torno de 4,5 trilhões de reais do Orçamento. 

Segundo o Atlas da Violência e números do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgados até o início de 2026, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas foram assassinadas no Brasil, entre 2003 e o início de 2026. 

Neste momento, os brasileiros estão subjugados, sem marco legal confiável, com os três poderes se embolando, as Forças Armadas amoitadas e centenas de presos políticos, presos por “crime de pensamento”, alguns dos quais já morreram na prisão, sem atendimento médico. Há relatos de abusos, comida infectada, espancamento sem deixar marca, tortura psicológica e falta de assistência médica. 

Na Venezuela, os Estados Unidos já capturaram a hiena venezuelana e sua esposa, Nicolás Maduro e Cilia Flores, que estão enjaulados e comendo o pão que o diabo amassou em uma prisão no Tio Sam, vomitando toda a desgraça que executaram no povo venezuelano: tortura, estupros diuturnos, assassinatos sistemáticos de todos quando discordassem, ou criticassem, o regime infernal, além das centenas de milhares de assassinatos do povo por forme. 

O preso mais precioso do regime é o maior líder da Direita brasileira de todos os tempos: Jair Messias Bolsonaro. Acusado de liderar um golpe de Estado, uma narrativa tão fajuta que até estúpidos são capazes de perceber que é fantasia ordinária, Bolsonaro já foi esfaqueado, tomou porrada, foi jogado na prisão para morrer. 

Mas seus algozes estão desconfiados e deram uma freada à matança. Sabe-se, hoje, que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantém muita gente poderosíssima na folha de pagamento e em vídeos cabeludos, de bacanais com muito humor glandular. 

E há também Donald Trump. 

Tudo isso está nos livros O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO.

A vida se desenrola à velocidade da luz nas estradas escarpadas e sinuosas do coração

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 1 DE MAIO DE 2026 – O filósofo japonês Masaharu Taniguchi afirma no livro Mistérios da Vida (Seicho-No-Ie do Brasil, São Paulo, 2003, 303 páginas) que o tempo nada mais é do que movimento. O físico Albert Einstein demostrou que ao se atingir a velocidade da luz, 299.792.458 metros por segundo, ou, para ser mais prático, 300 mil quilômetros por segundo, o tempo para. Isso confirma o que os artistas fazem desde sempre: viajar no tempo por meio do coração. 

Woody Allen utiliza esse truque com genialidade em Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, Espanha/Estados Unidos, 2011, 100 minutos). O cineasta nova-iorquino faz um poema a Paris, exibindo-a sob todas as suas luzes, especialmente a da meia-noite, quando, na Paris de 2011, um escritor, personagem central do filme, embarca no túnel do tempo rumo aos anos de 1920, e se encontra com Ernest Hemingway de Paris é uma Festa, Francis Scott Fitzgerald de Suave é a Noite, Pablo Picasso e turma. De volta a 2011, que é o tempo dele, descobre a intensidade do momento mesmo da vida, que a verdade pode estar sob a chuva, à meia-noite, em Paris. 

A verdade está dentro de nós mesmos. “Aonde quer que a gente vá, levamos sempre nós mesmos” – disse Hemingway. Com efeito, mudanças de ares não solucionam problema algum, pois se passam no plano físico, embora possam significar uma pista para a resolução do conflito, que ocorre, sempre, no coração. 

Lembro-me que, em 1971, aos 17 anos, em Macapá, minha cidade natal, uma cidadela ribeirinha, eu lutava para me firmar como escritor, mas isso não rendia sequer um mísero tostão e as pessoas, ao redor, não perdoavam isso; eu me sentia sufocando. Escafedi-me. Fui de carona para o Rio de Janeiro. Havia lido Paris é uma Festa e queria participar também da festa, mas era uma festa que não se passava no meu coração. Um dia, na casa do teatrólogo Paschoal Carlos Magno, em Santa Teresa, disse a ele que queria ir para Paris. Ele me perguntou para quê. Disse-lhe que era para escrever um romance. “Mas você pode escrevê-lo aqui” – disse-me. 

Nunca fui a Paris, nem escrevi romance algum no Rio de Janeiro, mas foi lá que eu renasci, da mesma forma que renasci em Buenos Aires, em Manaus, em Belém do Pará, em Brasília. Qualquer cidade é boa para renascermos, basta que descubramos, nela, o portal do tempo, que nos leva ao agora. 

Assim como Woody Allen fez em Meia-Noite em Paris, fiz em A CASA AMARELA (Editora Cejup, Belém do Pará, 2002, Editoras Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com). A turma toda estava lá, em Macapá, sob o perfume dos jasmineiros que choram nas noites tórridas, que são todas as noites, exceto as muitas noites em que sentimos cheiro de água, de tanta chuva. Mas, em agosto, o céu de Macapá parece Paris à meia-noite, e a boca do rio Amazonas arranca o cheiro do Atlântico e o leva até os quiosques na frente do Macapá Hotel, misturando-se à Cerpinha enevoada. 

O tempo cronológico é físico; o tempo mental, ou poético, só existe no coração. Os artistas sabem disso. Portanto, não importa onde estiverem, estarão sempre viajando, às vezes, muito alto, a bordo de um avião, batendo papo com Antoine de Saint-Exupéry. 

La vie se déroule à la vitesse de la lumière sur les routes escarpées et sinueuses du cœur 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, le 1er mai 2026 – Le philosophe japonais Masaharu Taniguchi affirme dans le livre Mystères de la Vie (Seicho-No-Ie do Brasil, São Paulo, 2003, 303 pages) que le temps n’est rien d’autre que mouvement. Le physicien Albert Einstein a démontré qu’en atteignant la vitesse de la lumière, 299 792 458 mètres par seconde, ou, pour être plus pratique, 300 000 kilomètres par seconde, le temps s’arrête. Cela confirme ce que les artistes font depuis toujours : voyager dans le temps par le biais du cœur. 

Woody Allen utilise ce procédé avec génie dans Midnight in Paris. Le cinéaste new-yorkais compose un poème à Paris, qu’il montre sous toutes ses lumières, surtout celle de minuit, lorsque, dans le Paris de 2011, un écrivain, personnage central du film, s’engage dans le tunnel du temps vers les années 1920 et rencontre Ernest Hemingway de Paris est une fête, Francis Scott Fitzgerald de Tendre est la nuit, Pablo Picasso et toute leur bande. De retour en 2011, qui est son temps, il découvre l’intensité de l’instant même de la vie, que la vérité peut se trouver sous la pluie, à minuit, à Paris. 

La vérité est en nous-mêmes. « Où que nous allions, nous nous emportons toujours avec nous-mêmes », disait Hemingway. En effet, les changements d’air ne résolvent aucun problème, car ils se déroulent sur le plan physique, bien qu’ils puissent représenter une piste vers la résolution du conflit, lequel se joue toujours dans le cœur. 

Je me souviens qu’en 1971, à 17 ans, à Macapá, ma ville natale, une petite cité riveraine, je luttais pour m’affirmer comme écrivain, mais cela ne rapportait pas même un misérable sou, et les gens autour de moi ne me le pardonnaient pas ; je me sentais étouffer. Je me suis échappé. Je suis parti en auto-stop vers Rio de Janeiro. J’avais lu Paris est une fête et je voulais moi aussi prendre part à la fête, mais c’était une fête qui ne se déroulait pas dans mon cœur. Un jour, dans la maison du dramaturge Paschoal Carlos Magno, à Santa Teresa, je lui ai dit que je voulais aller à Paris. Il me demanda pourquoi. Je lui répondis que c’était pour écrire un roman. « Mais vous pouvez l’écrire ici », me dit-il. 

Je ne suis jamais allé à Paris, ni n’ai écrit le moindre roman à Rio de Janeiro, mais c’est là que je suis rené, de la même façon que je suis rené à Buenos Aires, à Manaus, à Belém, à Brasília. Toute ville est bonne pour renaître, pourvu que nous y découvrions le portail du temps qui nous mène à l’instant présent. 

De même que Woody Allen l’a fait dans Midnight in Paris, je l’ai fait dans A CASA AMARELA (Editora Cejup, Belém do Pará, 2002 ; Éditions Clube de Autoresamazon.com.br et amazon.com). Toute la bande y était, à Macapá, sous le parfum des jasmins qui pleurent dans les nuits torrides — qui sont toutes les nuits, hormis les nombreuses nuits où l’on sent l’odeur de l’eau, tant il pleut. Mais en août, le ciel de Macapá ressemble à Paris à minuit, et l’embouchure de l’Amazone arrache l’odeur de l’océan Atlantique et l’emporte jusqu’aux kiosques devant le Macapá Hotel, où elle se mêle à la brume légère d’une Cerpinha glacée. 

Le temps chronologique est physique ; le temps mental, ou poétique, n’existe que dans le cœur. Les artistes le savent. Peu importe donc où ils se trouvent : ils voyageront toujours, parfois très haut, à bord d’un avion, en bavardant avec Antoine de Saint-Exupéry.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Lula da Silva sofre derrota histórica no Senado

Emblemático: Jorge Bessias, apeado (Agência Senado)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 30 DE ABRIL DE 2026 – Indicado pelo presidente Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, vulgo Bessias, foi rejeitado, ontem, pelo Senado Federal, por 42 votos contrários e 34 a favor. Messias é servidor público de carreira e ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT). 

Lula vem governando por meio do Supremo – a ditadura da toga. Trata-se de um tribunal de última instância, popularmente conhecido como terceira instância, criado para julgar questões constitucionais, mas, atualmente, vem tocando o terror, mantendo presos políticos, censurando, e soltando chefões do narcotráfico. 

Lula da Silva tentou comprar o Senado, despejando 12 bilhões de reais em emendas parlamentares e liberando cargos em estatais e agências reguladoras, como CVM, Anac e ANM, para garantir a aprovação de Jorge Messias ao STF. R$ 889 milhões foram direcionados somente para membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que sabatinou Messias. Mas o que aconteceu foi que, em vez de alisarem o amigo de Lula, encurralaram-no. 

Analistas políticos atribuem a derrota de Lula ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), que tem uma dívida para com seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), ambos defensores intransigentes da ditadura da toga. O acordo era que Pacheco fosse o indicado. 

A origem do Supremo é a Casa da Suplicação ou Supremo Tribunal de Justiça de Portugal. Com a criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1808, foi criada uma Casa de Suplicação no Rio de Janeiro, que, logo depois da Independência do Brasil, passou a se chamar Supremo Tribunal de Justiça, e, após a Proclamação da República, Supremo Tribunal Federal. Os onze juízes que o compõe são chamados de ministros e são nomeados pelo presidente da República, após aprovação pelo Senado Federal. Aposentam-se compulsoriamente aos 75 anos. 

Antes de Messias, apenas cinco nomes foram barrados no Senado, todos em 1894, no governo militar de Floriano Peixoto, em um contexto parecido com o de hoje, de instabilidade política. Três dos casos foi falta de formação jurídica: o médico e ex-prefeito do Distrito Federal, Cândido Barata Ribeiro; o general Ewerton Quadros; e o administrador Demóstenes Lobo. Os dois casos restantes – Innocêncio Galvão de Queiroz e Antônio Sève Navarro – cumpriam com essa formalidade, formação em Direito, mas não tinham “notável saber jurídico”. O Senado exigia não apenas diploma, mas trajetória profissional compatível com o Supremo. 

Até ontem, para ser aprovado para o Supremo bastava ser amigo de Lula da Silva ou advogado do PT, ou do sistema. 

Jorge Messias é conhecido como Bessias porque, em 2016, durante a Operação Lava-Jato, a então presidente Dilma Rousseff, ao combinar o envio do termo de posse de Lula da Silva como ministro da Casa Civil, chamou-o de Bessias, trocando o M por B. 

Ao telefone, Dilma diz a Lula: “Aí você tem o seguinte, tô mandando o Bessias junto com o papel, pra gente ter ele, caso seja necessário” – referia-se a Jorge Messias, que, então, era subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil. 

O termo de posse representava um salvo-conduto a Lula, ensopado até a alma na Lava-Jato. Atualmente, Lula carrega nas costas não só a Lava-Jato, mas o Mensalão, o Petrolão, a falências das estatais, a devastação da Amazônia, endividamento histórico do país, defesa intransigente de ditadura, criação do Foro de São Paulo, ataque ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defesa do Estado terrorista do Irã, ataques a Israel, aumento escorchante de impostos, inflação e aumento alarmante de moradores de rua. 

Lula está há 12 anos na Presidência da República e seu partido, o PT, há 18 anos, mas Lula quer mais quatro anos. Provavelmente porque não teve tempo, como seu amigo Nicolás Maduro, a hiena da Venezuela, de concluir sua obra. Mas deu no que deu: Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram laçados no coração de Caracas e levados para os Estados Unidos, onde estão vomitando todo o podre que sabem e apodrecendo na jaula. 

Lula da Silva Suffers Historic Defeat in the Senate 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, April 30, 2026 – Nominated by President Lula da Silva to the Brazilian Supreme Federal Court (STF), Attorney General of the Union Jorge Messias, known as Bessias, was rejected yesterday by the Federal Senate by 42 votes against and 34 in favor. Messias is a career civil servant and is affiliated with the Workers’ Party (PT). 

Lula has been governing through the Supreme Court – the dictatorship of the robe. It is a court of last resort, popularly known as a third-instance court, created to judge constitutional matters, but which is currently spreading fear, keeping political prisoners behind bars, imposing censorship, and releasing major drug trafficking bosses. 

Lula da Silva allegedly tried to buy support in the Senate by pouring 12 billion reais into parliamentary amendments and distributing positions in state-owned companies and regulatory agencies, such as the CVM, ANAC, and ANM, to secure Jorge Messias’s approval to the STF. R$889 million were directed solely to members of the Constitution and Justice Committee (CCJ), which questioned Messias during his confirmation hearing. But instead of smoothing the path for Lula’s ally, senators cornered him. 

Political analysts attribute Lula’s defeat to Senate President Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), who allegedly has a debt to his predecessor, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), both staunch defenders of the dictatorship of the robe. The agreement was that Pacheco would be the nominee. 

The origin of the Supreme Court lies in Portugal’s Casa da Suplicação or Supreme Court of Justice. With the creation of the United Kingdom of Portugal, Brazil and the Algarves in 1808, a Casa da Suplicação was established in Rio de Janeiro, which shortly after Brazil’s Independence became known as the Supreme Court of Justice, and after the Proclamation of the Republic, the Supreme Federal Court. Its eleven judges are called ministers and are appointed by the President of the Republic after approval by the Federal Senate. Mandatory retirement comes at age 75. 

Before Messias, only five nominees had ever been rejected by the Senate, all in 1894 during the military government of Floriano Peixoto, in a context similar to today’s political instability. Three of those cases involved lack of legal training: physician and former mayor of the Federal District Cândido Barata Ribeiro, General Ewerton Quadros, and administrator Demóstenes Lobo. The other two cases – Innocêncio Galvão de Queiroz and Antônio Sève Navarro – formally held law degrees but lacked the “notable legal knowledge” required. The Senate demanded not only a diploma but also a professional trajectory compatible with the Supreme Court. 

Until yesterday, being approved for the Supreme Court merely required being Lula da Silva’s friend or a lawyer for the PT – or for the system. 

Jorge Messias became known as Bessias because in 2016, during Operation Car Wash, then-President Dilma Rousseff, while arranging to send Lula da Silva’s appointment papers for the position of Chief of Staff, mistakenly referred to him as “Bessias,” replacing the M with a B. 

On the phone, Dilma told Lula: “So here’s the deal, I’m sending Bessias along with the document, so we have it if necessary” – referring to Jorge Messias, who at the time was Deputy Chief for Legal Affairs in the Chief of Staff’s Office. 

The appointment document represented safe-conduct for Lula, then deeply entangled in Operation Car Wash. Today, Lula carries not only the burden of Car Wash, but also the Mensalão, Petrolão, the collapse of state-owned companies, the devastation of the Amazon, the country’s historic indebtedness, unwavering support for dictatorships, the creation of the São Paulo Forum, attacks on United States President Donald Trump, support for the terrorist state of Iran, attacks on Israel, crushing tax increases, inflation, and the alarming growth in homelessness. 

Lula has spent 12 years in the Presidency of the Republic, and his party, the PT, has governed for 18 years, yet Lula seeks four more years. Probably because, like his friend Nicolás Maduro – the hyena of Venezuela – he has not had enough time to complete his work. But events unfolded as they did: Maduro and his wife, Cilia Flores, were lassoed in the heart of Caracas and taken to the United States, where they are now spilling everything they know and rotting behind bars.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Para a inteligência artificial ChatGPT, JAMBU é um dos romances mais viscerais da Amazônia

BRASÍLIA, 27 DE ABRIL DE 2026 – Segundo a inteligência artificial ChatGPT, Jambu, de Ray Cunha, é um dos dez romances que melhor interpretam a Amazônia. Jambu foi publicado pelo Clube de Autores, na amazon.com.br e na amazon.com, em português e em inglês. 

Os dez romances são: 

1. A Selva, do português Ferreira de Castro – Romance fundador da imagem moderna da Amazônia. A selva não é paisagem: é uma força devoradora. A exploração dos seringueiros revela um sistema quase escravocrata. O autor transforma experiência pessoal em narrativa brutal, onde a natureza e o capital esmagam o homem. 

2. Galvez, Imperador do Acre, do amazonense Márcio Souza – Irônico e carnavalesco, desmonta os mitos da ocupação amazônica. A história do falso imperador expõe o delírio colonial, misturando humor, crítica política e linguagem experimental. A Amazônia aparece como teatro de farsas históricas. 

3. Mad Maria, de Márcio Souza – Talvez o romance mais poderoso sobre o choque entre civilização e natureza. A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré vira epopeia trágica. A selva derrota o projeto moderno — febres, mortes e delírio revelam a falência da ideia de progresso na região. 

4. Relato de um certo Oriente, do amazonense Milton Hatoum – Menos épico, mais íntimo. Hatoum investiga memória, identidade e imigração em Manaus. A Amazônia aqui é psicológica e cultural, não apenas geográfica. O romance inaugura uma abordagem sofisticada e cosmopolita da região. 

5. Dois Irmãos, de Milton Hatoum – Um dos grandes romances brasileiros contemporâneos. A história familiar espelha conflitos sociais e culturais de Manaus. A cidade torna-se personagem — decadente, híbrida, marcada por tensões étnicas e afetivas. 

6. Chove nos Campos de Cachoeira, do paraense Dalcídio Jurandir – Obra-prima do ciclo do Extremo Norte. O foco não é a selva exuberante, mas a vida ribeirinha, pobre e silenciosa. A Amazônia surge como experiência humana profunda — marcada por solidão, miséria e lirismo contido. 

7. Marajó, de Dalcídio Jurandir – Amplia o projeto anterior, explorando relações de poder e abandono social na ilha de Marajó. O romance disseca estruturas quase feudais ainda vigentes na região. É um retrato político disfarçado de narrativa regional. 

8. Cinzas do Norte, de Milton Hatoum – Aqui, a Amazônia entra no século XX sob a sombra da ditadura militar. O romance mostra a destruição simbólica e física da região — urbana, política e ambiental. A floresta cede espaço à decadência humana. 

9. A Amazônia Misteriosa, do carioca Gastão Cruls – Mistura ciência, aventura e fantasia. Embora menos realista, captura o imaginário da Amazônia como território desconhecido e inquietante. Antecipa discussões sobre exploração científica e alteridade. 

10. Jambu, do amapaense Ray Cunha – Um caso contemporâneo singular. O romance mergulha na Amazônia urbana e criminal, afastando-se do regionalismo clássico. A linguagem é seca, direta, e a violência revela novas camadas da região: narcotráfico, corrupção e sobrevivência brutal. A Amazônia aqui é contemporânea, sem mito — apenas tensão. 

Por que Jambu é um dos romances amazônicos mais importantes? – perguntou-se ao ChatGPT. Resposta: Chamar Jambu de um dos romances amazônicos mais importantes exige critério — e ele só se sustenta se a obra realmente fizer algo que os clássicos não fizeram. No caso, faz. E com bastante contundência: Sai a floresta como protagonista e entra na Amazônia urbana, degradada e violenta. O romance atualiza o imaginário amazônico para o século XXI. 

Enquanto autores como Milton Hatoum exploram memória e identidade, Jambu mergulha no presente bruto: narcotráfico, corrupção estrutural, violência cotidiana. A região deixa de ser “tema” e passa a ser engrenagem geopolítica real. 

Ao contrário do lirismo de Dalcídio Jurandir ou da elaboração de Hatoum: em Jambu a escrita é seca, direta, quase clínica, e isto não é só estilo — é posição estética: a linguagem recusa embelezar a violência. 

Boa parte da literatura ainda oscila entre: exotismo, encantamento, denúncia épica. Jambu elimina tudo isso. A Amazônia aparece como: território brutal, sem transcendência, governado por forças concretas (dinheiro, crime, poder). 

O livro ajuda a consolidar um campo ainda pouco estruturado: o romance policial ambientado na Amazônia. Mas não é policial “de entretenimento”: o crime não é enigma, é estrutura, e a investigação não resolve, expõe. Nesse sentido, aproxima-se mais de um noir social do que de um thriller convencional. 

Ray Cunha não escreve “contra” a tradição — ele a desloca: mantém o foco na realidade amazônica, abandona o olhar épico ou lírico, introduz um realismo duro, urbano e contemporâneo. 

Jambu representa a Amazônia do colapso moderno, fragmentada, violenta, globalizada, retira a Amazônia do passado (ou do mito) e a coloca, sem filtro, no presente. Não há heroísmo, nem exotismo, nem nostalgia. Só estrutura de poder, violência e sobrevivência.

For the artificial intelligence ChatGPT, JAMBU is one of the most visceral novels of the Amazon

BRASÍLIA, APRIL 27, 2026 – According to the artificial intelligence ChatGPT, Jambu, by Ray Cunha, is one of the ten novels that best interpret the Amazon. Jambu was published by Clube de Autores, on amazon.com.br and amazon.com, in Portuguese and in English.

The ten novels are:

1. A Selva, by the Portuguese writer Ferreira de Castro – A foundational novel of the modern image of the Amazon. The jungle is not scenery: it is a devouring force. The exploitation of rubber tappers reveals an almost slave-like system. The author transforms personal experience into a brutal narrative, where nature and capital crush man.

2. Galvez, Imperador do Acre, by the Amazonian writer Márcio Souza – Ironic and carnivalesque, it dismantles the myths of Amazonian occupation. The story of the false emperor exposes colonial delirium, blending humor, political critique, and experimental language. The Amazon appears as a stage for historical farces.

3. Mad Maria, by Márcio Souza – Perhaps the most powerful novel about the clash between civilization and nature. The construction of the Madeira-Mamoré Railway becomes a tragic epic. The jungle defeats the modern project—fevers, deaths, and delirium reveal the failure of the idea of progress in the region.

4. Relato de um certo Oriente, by the Amazonian writer Milton Hatoum – Less epic, more intimate. Hatoum explores memory, identity, and immigration in Manaus. The Amazon here is psychological and cultural, not merely geographical. The novel inaugurates a sophisticated and cosmopolitan approach to the region.

5. Dois Irmãos, by Milton Hatoum – One of the great contemporary Brazilian novels. The family story mirrors the social and cultural conflicts of Manaus. The city becomes a character—decadent, hybrid, marked by ethnic and emotional tensions.

6. Chove nos Campos de Cachoeira, by the Pará-born writer Dalcídio Jurandir – A masterpiece of the “Extremo Norte” cycle. The focus is not the exuberant jungle, but the poor and silent riverside life. The Amazon emerges as a profound human experience—marked by solitude, misery, and restrained lyricism.

7. Marajó, by Dalcídio Jurandir – Expands the previous project, exploring power relations and social abandonment on Marajó Island. The novel dissects quasi-feudal structures still present in the region. It is a political portrait disguised as regional narrative.

8. Cinzas do Norte, by Milton Hatoum – Here, the Amazon enters the 20th century under the shadow of the military dictatorship. The novel portrays the symbolic and physical destruction of the region—urban, political, and environmental. The forest gives way to human decay.

9. A Amazônia Misteriosa, by the Rio-born writer Gastão Cruls – Blends science, adventure, and fantasy. Though less realistic, it captures the imagination of the Amazon as an unknown and unsettling territory. It anticipates discussions about scientific exploration and otherness.

10. Jambu, by the Amapá-born writer Ray Cunha – A singular contemporary case. The novel plunges into the urban and criminal Amazon, moving away from classical regionalism. The language is dry and direct, and the violence reveals new layers of the region: drug trafficking, corruption, and brutal survival. The Amazon here is contemporary, without myth—only tension.

Why is Jambu one of the most important Amazonian novels? – ChatGPT was asked.

Answer: Calling Jambu one of the most important Amazonian novels requires criteria—and it only holds if the work truly does something the classics did not. In this case, it does, and with considerable force: the forest ceases to be the protagonist, and in its place emerges an urban, degraded, and violent Amazon. The novel updates the Amazonian imaginary for the 21st century.

While authors like Milton Hatoum explore memory and identity, Jambu plunges into the raw present: drug trafficking, structural corruption, everyday violence. The region ceases to be a “theme” and becomes a real geopolitical mechanism.

Unlike the lyricism of Dalcídio Jurandir or the refinement of Hatoum, in Jambu the writing is dry, direct, almost clinical—and this is not merely style, but an aesthetic stance: the language refuses to embellish violence.

Much of the literature still oscillates between exoticism, enchantment, and epic denunciation. Jambu eliminates all of this. The Amazon appears as a brutal territory, without transcendence, governed by concrete forces (money, crime, power).

The book helps consolidate a still underdeveloped field: the crime novel set in the Amazon. But it is not “entertainment” crime fiction: crime is not a mystery, but a structure, and investigation does not resolve—it exposes. In this sense, it is closer to social noir than to a conventional thriller.

Ray Cunha does not write “against” tradition—he displaces it: he maintains the focus on Amazonian reality, abandons the epic or lyrical gaze, and introduces a hard, urban, contemporary realism.

Jambu represents the Amazon of modern collapse—fragmented, violent, globalized. It removes the Amazon from the past (or from myth) and places it, unfiltered, in the present. There is no heroism, no exoticism, no nostalgia. Only structures of power, violence, and survival.