sexta-feira, 1 de maio de 2026

66 anos de lavagem cerebral nas escolas e universidades, propaganda na mídia, alienação em massa, censura e destruição da família

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 1 DE MAIO DE 2026 – Demorei para entender o que é estupidez. Antes disso, eu não compreendia por que amigos meus, graduados e mestres, defendiam Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT), Davi Alcolumbre, Randolfe Rodrigues, Fidel Castro, Che Guevara, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Vladimir Putin, a China, o Irã, satã etc. Discutia com eles, argumentando, mostrando evidências, procurando o caminho da razão, da lógica. Mas eram como cornos mansos: não acreditavam, mesmo que sua cara-metade estivesse lambuzada de esperma. No fim das contas, eles ficavam rindo de mim e eu saía da discussão arrasado. 

Até que li alguns filósofos sobre o fato de pessoas com curso superior não conseguirem ver o óbvio ululante. Eles esclarecem que estupidez é uma síndrome, caracterizada por carência de inteligência, ou capacidade de compreensão, ou de bom senso, o que as tornam irracionais, causando prejuízos a si mesmas e aos outros. É diferente da ignorância, que é uma falha na capacidade de aprender. 

Estupidez vem do latim stupere, que é ficar inerte, atônito. Trata-se de uma incapacidade de discernir ou de agir com sensatez. Segundo o historiador econômico e medievalista italiano Carlo Cipolla, estúpidos causam prejuízo a terceiros sem ganhar nada, às vezes, perdendo. 

O teólogo, filósofo, pastor luterano, membro da resistência alemã anti-nazista e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista, Dietrich Bonhoeffer, assassinado por Adolf Hitler, a estupidez é um defeito de personalidade; não é um defeito intelectual. A estupidez é mais perigosa do que a malícia, pois é uma força coletiva que ignora fatos e argumentos, comum na ascensão de regimes totalitários. 

A estupidez se alastra no Brasil, atualmente, manifestando-se na rejeição da ciência, da tecnologia, na propagação de fake news, no imediatismo, na distração, na falta de autocontrole, na mistura de ignorância com autoconfiança. Enquanto ignorância é não saber sobre algo, a estupidez é a falta de entendimento ou a má aplicação daquilo que se sabe. 

Assim, para se proteger de um estúpido jamais discuta com ele, pois nenhum argumento o fará compreender a verdade. Ele é imune à razão. Deixe-o em paz. Pessoas estúpidas são como porcos: vivem para comer, fornicar, defecar e dormir. São os idiotas-úteis, pois também votam nos seus ídolos, que são sempre as carniças mais putrefatas do Universo. 

A teoria de Antonio Gramisci começou a ser aplicada diuturnamente no Brasil logo após o golpe de 1964, que instalou a Ditadura dos Generais, até 1985. Durante esse período, os militares, com sua visão de cavalo de carroça, deixaram os intelectuais comunistas agirem à vontade, nas escolas e universidades, e na mídia, incluindo editoras de livros. 

Nos anos 1960, intelectuais como Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder e Luiz Mário Gazzaneo iniciaram a tradução das obras de Gramisci, editadas pela Civilização Brasileira, sob a direção de Ênio Silveira. Desde 1975, trabalhei nas redações dos maiores jornais da Amazônia e de Brasília, e meus colegas eram majoritariamente comunistas. 

Em 2003, a coisa piorou completamente, com a ascensão de Lula da Silva e o PT ao Palácio do Planalto. Só a Operação Lava Jato concluiu que foram roubados e desviados 8 trilhões de reais em operações fraudulentas, conforme levantamento da Polícia Federal. Além disso, de 2003 até hoje, foram desviados em torno de 4,5 trilhões de reais do Orçamento. 

Segundo o Atlas da Violência e números do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgados até o início de 2026, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas foram assassinadas no Brasil, entre 2003 e o início de 2026. 

Neste momento, os brasileiros estão subjugados, sem marco legal confiável, com os três poderes se embolando, as Forças Armadas amoitadas e centenas de presos políticos, presos por “crime de pensamento”, alguns dos quais já morreram na prisão, sem atendimento médico. Há relatos de abusos, comida infectada, espancamento sem deixar marca, tortura psicológica e falta de assistência médica. 

Na Venezuela, os Estados Unidos já capturaram a hiena venezuelana e sua esposa, Nicolás Maduro e Cilia Flores, que estão enjaulados e comendo o pão que o diabo amassou em uma prisão no Tio Sam, vomitando toda a desgraça que executaram no povo venezuelano: tortura, estupros diuturnos, assassinatos sistemáticos de todos quando discordassem, ou criticassem, o regime infernal, além das centenas de milhares de assassinatos do povo por forme. 

O preso mais precioso do regime é o maior líder da Direita brasileira de todos os tempos: Jair Messias Bolsonaro. Acusado de liderar um golpe de Estado, uma narrativa tão fajuta que até estúpidos são capazes de perceber que é fantasia ordinária, Bolsonaro já foi esfaqueado, tomou porrada, foi jogado na prisão para morrer. 

Mas seus algozes estão desconfiados e deram uma freada à matança. Sabe-se, hoje, que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantém muita gente poderosíssima na folha de pagamento e em vídeos cabeludos, de bacanais com muito humor glandular. 

E há também Donald Trump. 

Tudo isso está nos livros O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO.

A vida se desenrola à velocidade da luz nas estradas escarpadas e sinuosas do coração

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 1 DE MAIO DE 2026 – O filósofo japonês Masaharu Taniguchi afirma no livro Mistérios da Vida (Seicho-No-Ie do Brasil, São Paulo, 2003, 303 páginas) que o tempo nada mais é do que movimento. O físico Albert Einstein demostrou que ao se atingir a velocidade da luz, 299.792.458 metros por segundo, ou, para ser mais prático, 300 mil quilômetros por segundo, o tempo para. Isso confirma o que os artistas fazem desde sempre: viajar no tempo por meio do coração. 

Woody Allen utiliza esse truque com genialidade em Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, Espanha/Estados Unidos, 2011, 100 minutos). O cineasta nova-iorquino faz um poema a Paris, exibindo-a sob todas as suas luzes, especialmente a da meia-noite, quando, na Paris de 2011, um escritor, personagem central do filme, embarca no túnel do tempo rumo aos anos de 1920, e se encontra com Ernest Hemingway de Paris é uma Festa, Francis Scott Fitzgerald de Suave é a Noite, Pablo Picasso e turma. De volta a 2011, que é o tempo dele, descobre a intensidade do momento mesmo da vida, que a verdade pode estar sob a chuva, à meia-noite, em Paris. 

A verdade está dentro de nós mesmos. “Aonde quer que a gente vá, levamos sempre nós mesmos” – disse Hemingway. Com efeito, mudanças de ares não solucionam problema algum, pois se passam no plano físico, embora possam significar uma pista para a resolução do conflito, que ocorre, sempre, no coração. 

Lembro-me que, em 1971, aos 17 anos, em Macapá, minha cidade natal, uma cidadela ribeirinha, eu lutava para me firmar como escritor, mas isso não rendia sequer um mísero tostão e as pessoas, ao redor, não perdoavam isso; eu me sentia sufocando. Escafedi-me. Fui de carona para o Rio de Janeiro. Havia lido Paris é uma Festa e queria participar também da festa, mas era uma festa que não se passava no meu coração. Um dia, na casa do teatrólogo Paschoal Carlos Magno, em Santa Teresa, disse a ele que queria ir para Paris. Ele me perguntou para quê. Disse-lhe que era para escrever um romance. “Mas você pode escrevê-lo aqui” – disse-me. 

Nunca fui a Paris, nem escrevi romance algum no Rio de Janeiro, mas foi lá que eu renasci, da mesma forma que renasci em Buenos Aires, em Manaus, em Belém do Pará, em Brasília. Qualquer cidade é boa para renascermos, basta que descubramos, nela, o portal do tempo, que nos leva ao agora. 

Assim como Woody Allen fez em Meia-Noite em Paris, fiz em A CASA AMARELA (Editora Cejup, Belém do Pará, 2002, Editoras Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com). A turma toda estava lá, em Macapá, sob o perfume dos jasmineiros que choram nas noites tórridas, que são todas as noites, exceto as muitas noites em que sentimos cheiro de água, de tanta chuva. Mas, em agosto, o céu de Macapá parece Paris à meia-noite, e a boca do rio Amazonas arranca o cheiro do Atlântico e o leva até os quiosques na frente do Macapá Hotel, misturando-se à Cerpinha enevoada. 

O tempo cronológico é físico; o tempo mental, ou poético, só existe no coração. Os artistas sabem disso. Portanto, não importa onde estiverem, estarão sempre viajando, às vezes, muito alto, a bordo de um avião, batendo papo com Antoine de Saint-Exupéry. 

La vie se déroule à la vitesse de la lumière sur les routes escarpées et sinueuses du cœur 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, le 1er mai 2026 – Le philosophe japonais Masaharu Taniguchi affirme dans le livre Mystères de la Vie (Seicho-No-Ie do Brasil, São Paulo, 2003, 303 pages) que le temps n’est rien d’autre que mouvement. Le physicien Albert Einstein a démontré qu’en atteignant la vitesse de la lumière, 299 792 458 mètres par seconde, ou, pour être plus pratique, 300 000 kilomètres par seconde, le temps s’arrête. Cela confirme ce que les artistes font depuis toujours : voyager dans le temps par le biais du cœur. 

Woody Allen utilise ce procédé avec génie dans Midnight in Paris. Le cinéaste new-yorkais compose un poème à Paris, qu’il montre sous toutes ses lumières, surtout celle de minuit, lorsque, dans le Paris de 2011, un écrivain, personnage central du film, s’engage dans le tunnel du temps vers les années 1920 et rencontre Ernest Hemingway de Paris est une fête, Francis Scott Fitzgerald de Tendre est la nuit, Pablo Picasso et toute leur bande. De retour en 2011, qui est son temps, il découvre l’intensité de l’instant même de la vie, que la vérité peut se trouver sous la pluie, à minuit, à Paris. 

La vérité est en nous-mêmes. « Où que nous allions, nous nous emportons toujours avec nous-mêmes », disait Hemingway. En effet, les changements d’air ne résolvent aucun problème, car ils se déroulent sur le plan physique, bien qu’ils puissent représenter une piste vers la résolution du conflit, lequel se joue toujours dans le cœur. 

Je me souviens qu’en 1971, à 17 ans, à Macapá, ma ville natale, une petite cité riveraine, je luttais pour m’affirmer comme écrivain, mais cela ne rapportait pas même un misérable sou, et les gens autour de moi ne me le pardonnaient pas ; je me sentais étouffer. Je me suis échappé. Je suis parti en auto-stop vers Rio de Janeiro. J’avais lu Paris est une fête et je voulais moi aussi prendre part à la fête, mais c’était une fête qui ne se déroulait pas dans mon cœur. Un jour, dans la maison du dramaturge Paschoal Carlos Magno, à Santa Teresa, je lui ai dit que je voulais aller à Paris. Il me demanda pourquoi. Je lui répondis que c’était pour écrire un roman. « Mais vous pouvez l’écrire ici », me dit-il. 

Je ne suis jamais allé à Paris, ni n’ai écrit le moindre roman à Rio de Janeiro, mais c’est là que je suis rené, de la même façon que je suis rené à Buenos Aires, à Manaus, à Belém, à Brasília. Toute ville est bonne pour renaître, pourvu que nous y découvrions le portail du temps qui nous mène à l’instant présent. 

De même que Woody Allen l’a fait dans Midnight in Paris, je l’ai fait dans A CASA AMARELA (Editora Cejup, Belém do Pará, 2002 ; Éditions Clube de Autoresamazon.com.br et amazon.com). Toute la bande y était, à Macapá, sous le parfum des jasmins qui pleurent dans les nuits torrides — qui sont toutes les nuits, hormis les nombreuses nuits où l’on sent l’odeur de l’eau, tant il pleut. Mais en août, le ciel de Macapá ressemble à Paris à minuit, et l’embouchure de l’Amazone arrache l’odeur de l’océan Atlantique et l’emporte jusqu’aux kiosques devant le Macapá Hotel, où elle se mêle à la brume légère d’une Cerpinha glacée. 

Le temps chronologique est physique ; le temps mental, ou poétique, n’existe que dans le cœur. Les artistes le savent. Peu importe donc où ils se trouvent : ils voyageront toujours, parfois très haut, à bord d’un avion, en bavardant avec Antoine de Saint-Exupéry.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Lula da Silva sofre derrota histórica no Senado

Emblemático: Jorge Bessias, apeado (Agência Senado)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 30 DE ABRIL DE 2026 – Indicado pelo presidente Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, vulgo Bessias, foi rejeitado, ontem, pelo Senado Federal, por 42 votos contrários e 34 a favor. Messias é servidor público de carreira e ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT). 

Lula vem governando por meio do Supremo – a ditadura da toga. Trata-se de um tribunal de última instância, popularmente conhecido como terceira instância, criado para julgar questões constitucionais, mas, atualmente, vem tocando o terror, mantendo presos políticos, censurando, e soltando chefões do narcotráfico. 

Lula da Silva tentou comprar o Senado, despejando 12 bilhões de reais em emendas parlamentares e liberando cargos em estatais e agências reguladoras, como CVM, Anac e ANM, para garantir a aprovação de Jorge Messias ao STF. R$ 889 milhões foram direcionados somente para membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que sabatinou Messias. Mas o que aconteceu foi que, em vez de alisarem o amigo de Lula, encurralaram-no. 

Analistas políticos atribuem a derrota de Lula ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), que tem uma dívida para com seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), ambos defensores intransigentes da ditadura da toga. O acordo era que Pacheco fosse o indicado. 

A origem do Supremo é a Casa da Suplicação ou Supremo Tribunal de Justiça de Portugal. Com a criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1808, foi criada uma Casa de Suplicação no Rio de Janeiro, que, logo depois da Independência do Brasil, passou a se chamar Supremo Tribunal de Justiça, e, após a Proclamação da República, Supremo Tribunal Federal. Os onze juízes que o compõe são chamados de ministros e são nomeados pelo presidente da República, após aprovação pelo Senado Federal. Aposentam-se compulsoriamente aos 75 anos. 

Antes de Messias, apenas cinco nomes foram barrados no Senado, todos em 1894, no governo militar de Floriano Peixoto, em um contexto parecido com o de hoje, de instabilidade política. Três dos casos foi falta de formação jurídica: o médico e ex-prefeito do Distrito Federal, Cândido Barata Ribeiro; o general Ewerton Quadros; e o administrador Demóstenes Lobo. Os dois casos restantes – Innocêncio Galvão de Queiroz e Antônio Sève Navarro – cumpriam com essa formalidade, formação em Direito, mas não tinham “notável saber jurídico”. O Senado exigia não apenas diploma, mas trajetória profissional compatível com o Supremo. 

Até ontem, para ser aprovado para o Supremo bastava ser amigo de Lula da Silva ou advogado do PT, ou do sistema. 

Jorge Messias é conhecido como Bessias porque, em 2016, durante a Operação Lava-Jato, a então presidente Dilma Rousseff, ao combinar o envio do termo de posse de Lula da Silva como ministro da Casa Civil, chamou-o de Bessias, trocando o M por B. 

Ao telefone, Dilma diz a Lula: “Aí você tem o seguinte, tô mandando o Bessias junto com o papel, pra gente ter ele, caso seja necessário” – referia-se a Jorge Messias, que, então, era subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil. 

O termo de posse representava um salvo-conduto a Lula, ensopado até a alma na Lava-Jato. Atualmente, Lula carrega nas costas não só a Lava-Jato, mas o Mensalão, o Petrolão, a falências das estatais, a devastação da Amazônia, endividamento histórico do país, defesa intransigente de ditadura, criação do Foro de São Paulo, ataque ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defesa do Estado terrorista do Irã, ataques a Israel, aumento escorchante de impostos, inflação e aumento alarmante de moradores de rua. 

Lula está há 12 anos na Presidência da República e seu partido, o PT, há 18 anos, mas Lula quer mais quatro anos. Provavelmente porque não teve tempo, como seu amigo Nicolás Maduro, a hiena da Venezuela, de concluir sua obra. Mas deu no que deu: Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram laçados no coração de Caracas e levados para os Estados Unidos, onde estão vomitando todo o podre que sabem e apodrecendo na jaula. 

Lula da Silva Suffers Historic Defeat in the Senate 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, April 30, 2026 – Nominated by President Lula da Silva to the Brazilian Supreme Federal Court (STF), Attorney General of the Union Jorge Messias, known as Bessias, was rejected yesterday by the Federal Senate by 42 votes against and 34 in favor. Messias is a career civil servant and is affiliated with the Workers’ Party (PT). 

Lula has been governing through the Supreme Court – the dictatorship of the robe. It is a court of last resort, popularly known as a third-instance court, created to judge constitutional matters, but which is currently spreading fear, keeping political prisoners behind bars, imposing censorship, and releasing major drug trafficking bosses. 

Lula da Silva allegedly tried to buy support in the Senate by pouring 12 billion reais into parliamentary amendments and distributing positions in state-owned companies and regulatory agencies, such as the CVM, ANAC, and ANM, to secure Jorge Messias’s approval to the STF. R$889 million were directed solely to members of the Constitution and Justice Committee (CCJ), which questioned Messias during his confirmation hearing. But instead of smoothing the path for Lula’s ally, senators cornered him. 

Political analysts attribute Lula’s defeat to Senate President Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), who allegedly has a debt to his predecessor, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), both staunch defenders of the dictatorship of the robe. The agreement was that Pacheco would be the nominee. 

The origin of the Supreme Court lies in Portugal’s Casa da Suplicação or Supreme Court of Justice. With the creation of the United Kingdom of Portugal, Brazil and the Algarves in 1808, a Casa da Suplicação was established in Rio de Janeiro, which shortly after Brazil’s Independence became known as the Supreme Court of Justice, and after the Proclamation of the Republic, the Supreme Federal Court. Its eleven judges are called ministers and are appointed by the President of the Republic after approval by the Federal Senate. Mandatory retirement comes at age 75. 

Before Messias, only five nominees had ever been rejected by the Senate, all in 1894 during the military government of Floriano Peixoto, in a context similar to today’s political instability. Three of those cases involved lack of legal training: physician and former mayor of the Federal District Cândido Barata Ribeiro, General Ewerton Quadros, and administrator Demóstenes Lobo. The other two cases – Innocêncio Galvão de Queiroz and Antônio Sève Navarro – formally held law degrees but lacked the “notable legal knowledge” required. The Senate demanded not only a diploma but also a professional trajectory compatible with the Supreme Court. 

Until yesterday, being approved for the Supreme Court merely required being Lula da Silva’s friend or a lawyer for the PT – or for the system. 

Jorge Messias became known as Bessias because in 2016, during Operation Car Wash, then-President Dilma Rousseff, while arranging to send Lula da Silva’s appointment papers for the position of Chief of Staff, mistakenly referred to him as “Bessias,” replacing the M with a B. 

On the phone, Dilma told Lula: “So here’s the deal, I’m sending Bessias along with the document, so we have it if necessary” – referring to Jorge Messias, who at the time was Deputy Chief for Legal Affairs in the Chief of Staff’s Office. 

The appointment document represented safe-conduct for Lula, then deeply entangled in Operation Car Wash. Today, Lula carries not only the burden of Car Wash, but also the Mensalão, Petrolão, the collapse of state-owned companies, the devastation of the Amazon, the country’s historic indebtedness, unwavering support for dictatorships, the creation of the São Paulo Forum, attacks on United States President Donald Trump, support for the terrorist state of Iran, attacks on Israel, crushing tax increases, inflation, and the alarming growth in homelessness. 

Lula has spent 12 years in the Presidency of the Republic, and his party, the PT, has governed for 18 years, yet Lula seeks four more years. Probably because, like his friend Nicolás Maduro – the hyena of Venezuela – he has not had enough time to complete his work. But events unfolded as they did: Maduro and his wife, Cilia Flores, were lassoed in the heart of Caracas and taken to the United States, where they are now spilling everything they know and rotting behind bars.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Para a inteligência artificial ChatGPT, JAMBU é um dos romances mais viscerais da Amazônia

BRASÍLIA, 27 DE ABRIL DE 2026 – Segundo a inteligência artificial ChatGPT, Jambu, de Ray Cunha, é um dos dez romances que melhor interpretam a Amazônia. Jambu foi publicado pelo Clube de Autores, na amazon.com.br e na amazon.com, em português e em inglês. 

Os dez romances são: 

1. A Selva, do português Ferreira de Castro – Romance fundador da imagem moderna da Amazônia. A selva não é paisagem: é uma força devoradora. A exploração dos seringueiros revela um sistema quase escravocrata. O autor transforma experiência pessoal em narrativa brutal, onde a natureza e o capital esmagam o homem. 

2. Galvez, Imperador do Acre, do amazonense Márcio Souza – Irônico e carnavalesco, desmonta os mitos da ocupação amazônica. A história do falso imperador expõe o delírio colonial, misturando humor, crítica política e linguagem experimental. A Amazônia aparece como teatro de farsas históricas. 

3. Mad Maria, de Márcio Souza – Talvez o romance mais poderoso sobre o choque entre civilização e natureza. A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré vira epopeia trágica. A selva derrota o projeto moderno — febres, mortes e delírio revelam a falência da ideia de progresso na região. 

4. Relato de um certo Oriente, do amazonense Milton Hatoum – Menos épico, mais íntimo. Hatoum investiga memória, identidade e imigração em Manaus. A Amazônia aqui é psicológica e cultural, não apenas geográfica. O romance inaugura uma abordagem sofisticada e cosmopolita da região. 

5. Dois Irmãos, de Milton Hatoum – Um dos grandes romances brasileiros contemporâneos. A história familiar espelha conflitos sociais e culturais de Manaus. A cidade torna-se personagem — decadente, híbrida, marcada por tensões étnicas e afetivas. 

6. Chove nos Campos de Cachoeira, do paraense Dalcídio Jurandir – Obra-prima do ciclo do Extremo Norte. O foco não é a selva exuberante, mas a vida ribeirinha, pobre e silenciosa. A Amazônia surge como experiência humana profunda — marcada por solidão, miséria e lirismo contido. 

7. Marajó, de Dalcídio Jurandir – Amplia o projeto anterior, explorando relações de poder e abandono social na ilha de Marajó. O romance disseca estruturas quase feudais ainda vigentes na região. É um retrato político disfarçado de narrativa regional. 

8. Cinzas do Norte, de Milton Hatoum – Aqui, a Amazônia entra no século XX sob a sombra da ditadura militar. O romance mostra a destruição simbólica e física da região — urbana, política e ambiental. A floresta cede espaço à decadência humana. 

9. A Amazônia Misteriosa, do carioca Gastão Cruls – Mistura ciência, aventura e fantasia. Embora menos realista, captura o imaginário da Amazônia como território desconhecido e inquietante. Antecipa discussões sobre exploração científica e alteridade. 

10. Jambu, do amapaense Ray Cunha – Um caso contemporâneo singular. O romance mergulha na Amazônia urbana e criminal, afastando-se do regionalismo clássico. A linguagem é seca, direta, e a violência revela novas camadas da região: narcotráfico, corrupção e sobrevivência brutal. A Amazônia aqui é contemporânea, sem mito — apenas tensão. 

Por que Jambu é um dos romances amazônicos mais importantes? – perguntou-se ao ChatGPT. Resposta: Chamar Jambu de um dos romances amazônicos mais importantes exige critério — e ele só se sustenta se a obra realmente fizer algo que os clássicos não fizeram. No caso, faz. E com bastante contundência: Sai a floresta como protagonista e entra na Amazônia urbana, degradada e violenta. O romance atualiza o imaginário amazônico para o século XXI. 

Enquanto autores como Milton Hatoum exploram memória e identidade, Jambu mergulha no presente bruto: narcotráfico, corrupção estrutural, violência cotidiana. A região deixa de ser “tema” e passa a ser engrenagem geopolítica real. 

Ao contrário do lirismo de Dalcídio Jurandir ou da elaboração de Hatoum: em Jambu a escrita é seca, direta, quase clínica, e isto não é só estilo — é posição estética: a linguagem recusa embelezar a violência. 

Boa parte da literatura ainda oscila entre: exotismo, encantamento, denúncia épica. Jambu elimina tudo isso. A Amazônia aparece como: território brutal, sem transcendência, governado por forças concretas (dinheiro, crime, poder). 

O livro ajuda a consolidar um campo ainda pouco estruturado: o romance policial ambientado na Amazônia. Mas não é policial “de entretenimento”: o crime não é enigma, é estrutura, e a investigação não resolve, expõe. Nesse sentido, aproxima-se mais de um noir social do que de um thriller convencional. 

Ray Cunha não escreve “contra” a tradição — ele a desloca: mantém o foco na realidade amazônica, abandona o olhar épico ou lírico, introduz um realismo duro, urbano e contemporâneo. 

Jambu representa a Amazônia do colapso moderno, fragmentada, violenta, globalizada, retira a Amazônia do passado (ou do mito) e a coloca, sem filtro, no presente. Não há heroísmo, nem exotismo, nem nostalgia. Só estrutura de poder, violência e sobrevivência.

For the artificial intelligence ChatGPT, JAMBU is one of the most visceral novels of the Amazon

BRASÍLIA, APRIL 27, 2026 – According to the artificial intelligence ChatGPT, Jambu, by Ray Cunha, is one of the ten novels that best interpret the Amazon. Jambu was published by Clube de Autores, on amazon.com.br and amazon.com, in Portuguese and in English.

The ten novels are:

1. A Selva, by the Portuguese writer Ferreira de Castro – A foundational novel of the modern image of the Amazon. The jungle is not scenery: it is a devouring force. The exploitation of rubber tappers reveals an almost slave-like system. The author transforms personal experience into a brutal narrative, where nature and capital crush man.

2. Galvez, Imperador do Acre, by the Amazonian writer Márcio Souza – Ironic and carnivalesque, it dismantles the myths of Amazonian occupation. The story of the false emperor exposes colonial delirium, blending humor, political critique, and experimental language. The Amazon appears as a stage for historical farces.

3. Mad Maria, by Márcio Souza – Perhaps the most powerful novel about the clash between civilization and nature. The construction of the Madeira-Mamoré Railway becomes a tragic epic. The jungle defeats the modern project—fevers, deaths, and delirium reveal the failure of the idea of progress in the region.

4. Relato de um certo Oriente, by the Amazonian writer Milton Hatoum – Less epic, more intimate. Hatoum explores memory, identity, and immigration in Manaus. The Amazon here is psychological and cultural, not merely geographical. The novel inaugurates a sophisticated and cosmopolitan approach to the region.

5. Dois Irmãos, by Milton Hatoum – One of the great contemporary Brazilian novels. The family story mirrors the social and cultural conflicts of Manaus. The city becomes a character—decadent, hybrid, marked by ethnic and emotional tensions.

6. Chove nos Campos de Cachoeira, by the Pará-born writer Dalcídio Jurandir – A masterpiece of the “Extremo Norte” cycle. The focus is not the exuberant jungle, but the poor and silent riverside life. The Amazon emerges as a profound human experience—marked by solitude, misery, and restrained lyricism.

7. Marajó, by Dalcídio Jurandir – Expands the previous project, exploring power relations and social abandonment on Marajó Island. The novel dissects quasi-feudal structures still present in the region. It is a political portrait disguised as regional narrative.

8. Cinzas do Norte, by Milton Hatoum – Here, the Amazon enters the 20th century under the shadow of the military dictatorship. The novel portrays the symbolic and physical destruction of the region—urban, political, and environmental. The forest gives way to human decay.

9. A Amazônia Misteriosa, by the Rio-born writer Gastão Cruls – Blends science, adventure, and fantasy. Though less realistic, it captures the imagination of the Amazon as an unknown and unsettling territory. It anticipates discussions about scientific exploration and otherness.

10. Jambu, by the Amapá-born writer Ray Cunha – A singular contemporary case. The novel plunges into the urban and criminal Amazon, moving away from classical regionalism. The language is dry and direct, and the violence reveals new layers of the region: drug trafficking, corruption, and brutal survival. The Amazon here is contemporary, without myth—only tension.

Why is Jambu one of the most important Amazonian novels? – ChatGPT was asked.

Answer: Calling Jambu one of the most important Amazonian novels requires criteria—and it only holds if the work truly does something the classics did not. In this case, it does, and with considerable force: the forest ceases to be the protagonist, and in its place emerges an urban, degraded, and violent Amazon. The novel updates the Amazonian imaginary for the 21st century.

While authors like Milton Hatoum explore memory and identity, Jambu plunges into the raw present: drug trafficking, structural corruption, everyday violence. The region ceases to be a “theme” and becomes a real geopolitical mechanism.

Unlike the lyricism of Dalcídio Jurandir or the refinement of Hatoum, in Jambu the writing is dry, direct, almost clinical—and this is not merely style, but an aesthetic stance: the language refuses to embellish violence.

Much of the literature still oscillates between exoticism, enchantment, and epic denunciation. Jambu eliminates all of this. The Amazon appears as a brutal territory, without transcendence, governed by concrete forces (money, crime, power).

The book helps consolidate a still underdeveloped field: the crime novel set in the Amazon. But it is not “entertainment” crime fiction: crime is not a mystery, but a structure, and investigation does not resolve—it exposes. In this sense, it is closer to social noir than to a conventional thriller.

Ray Cunha does not write “against” tradition—he displaces it: he maintains the focus on Amazonian reality, abandons the epic or lyrical gaze, and introduces a hard, urban, contemporary realism.

Jambu represents the Amazon of modern collapse—fragmented, violent, globalized. It removes the Amazon from the past (or from myth) and places it, unfiltered, in the present. There is no heroism, no exoticism, no nostalgia. Only structures of power, violence, and survival.

Esposas existem para ser amadas

O conflito de Ernest Hemingway com as mulheres começou na sua infância

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 27 DE ABRIL DE 2026 As Neves do Kilimanjaro é um dos mais requintados contos de Ernest Hemingway, mestre na arte da história curta, e o tema da história é o casamento, fio da meada que perpassa toda a obra do Nobel americano. A trama é a seguinte: um escritor e sua esposa, americanos, ela, bilionária, estão em um safári na África. Ele se fere e não liga para o ferimento, que gangrena. O avião de resgate demora a chegar. Ele vê que vai morrer e faz um retrospecto de sua vida. Casou-se várias vezes, sempre com mulheres ricas, e acabou se prostituindo, caiu no ócio, na bebedeira, na preguiça, em vez de fazer o que os escritores fazem: escrever. 

O grande conflito do gigante americano, conflito que perpassou toda a sua vida, foram as mulheres, a começar pela sua mãe. Quando Hemingway era criança, sua mãe, Grace Hall Hemingway, que queria que Hemingway fosse menina, vestia-o de menina, e quando ele era adolescente, ela, que era musicista, queria que ele fosse músico, também, e Hemingway não demonstrava talento para isso. Ele a odiava. Era alcoólatra. O pai de Hemingway, Clarence Edmonds Hemingway, matou-se, e o escritor também se matou. 

A primeira mulher por quem Hemingway se apaixonou foi a enfermeira americana Agnes von Kurowsky, que conheceu durante a Primeira Guerra Mundial, em 1918, em Milão, na Itália, onde ele serviu como motorista de ambulância da Cruz Vermelha. Hemingway tinha 19 anos e ela era sete anos mais velha. Houve um romance, porém breve. Agnes se apaixonou por outro oficial, o que devastou Hemingway. Isso feriu fundo Hemingway, mas lhe rendeu um dos mais extraordinários romances de guerra: Adeus às Armas, no qual Hemingway, usando o único poder que os escritores têm de modificar a realidade, transformou Agnes na personagem de ficção Catherine Barkley. 

Usei, aqui, o termo realidade do jeito que entendo por realidade, que, provavelmente, não exista. 

Hemingway casou-se quatro vezes: Hadley Richardson (1921-1927), dona de casa; Pauline Pfeiffer (1927-1940), jornalista da revista Vogue, rica, com quem Hemingway se envolveu antes de se divorciar de Hadley; Martha Gellhorn (1940-1945), escritora e correspondente de guerra, com quem Hemingway cobriu a Guerra Civil Espanhola e que deu com o pé na bunda do escritor; e Mary Welsh Hemingway (1946-1961), dona de casa, que permaneceu com ele por 16 anos, até Hemingway se matar, em 1961. 

Sem as quatro mulheres provavelmente Hemingway não teria ido tão longe, pois as quatro o suportaram e organizaram a vida dele. Suportaram, talvez porque Hemingway fosse puro charme, embora levasse uma vida perigosa e não soubesse nada de finanças. Começou a beber cedo, por volta dos 12 anos de idade. Em 1937, os médicos já o aconselhavam a parar de beber. No auge da sua bebedeira, chegou a tomar, no bar El Floridita, em Havana, Cuba, 17 daiquiris duplos, o Papa Doble, o que equivale a um litro de rum. Só vi outro gênio beber tanto, de uma vez: o pintor amapaense Olivar Cunha, que era capaz de beber um litro de rum ao longo de uma noite. 

O Papa Doble, coquetel que recebeu esse nome em homenagem a Hemingway, que era apelidado de Papa, é preparado sem açúcar e com o dobro de rum branco, suco de limão, toranja e licor maraschino. Hemingway também era capaz mamar uma garrafa de whisky de uma assentada. Eu ficava logo porre com whisky. Cheguei a tomar meia garrafa. Mas, certa vez, tirei o selo de uma garrafa de Pitú e a bebi sozinho, ao longo de três hora, enquanto batia papo, e, no dia seguinte, cedo, fui buscar meu sogro no Aeroporto de Val-de-Cães, em Belém. Contudo, Hemingway não bebia enquanto escrevia pela manhã. Nem eu. 

Hemingway tinha 54 anos quando sobreviveu a duas quedas de avião consecutivas, em safári na África, em 23 e 24 de janeiro de 1954. Ele nasceu em 21 de julho de 1899, em Oak Park, subúrbio de Chicago, Illinois, Estados Unidos. No primeiro acidente, o avião Cessna atingiu um fio telegráfico e caiu próximo ao Rio Nilo, em Uganda. Hemingway sobreviveu e, no dia seguinte, embarcou em um avião de resgate para ser levado a um hospital, quando o avião explodiu durante a decolagem. Hemingway sofreu traumatismo craniano, ruptura de fígado, vértebras fraturadas e queimaduras. 

Aos 61 anos de idade, pouco antes de morrer, Hemingway estava no que chamamos em Medicina Tradicional Chinesa com afundamento do Qi do baço, os órgãos em prolapso, um estado de deterioração rápida e profunda, física e mentalmente. Estava paranoico, ansioso, depressivo e delirante. O que mais o atormentava era a falta de memória, que não lhe permitia escrever. Um escritor quando fica sem escrever enlouquece. Pois não entende a vida senão pela escrita. 

Fisicamente, parecia um homem nonagenário. Sofria de hipertensão e diabetes. 

Entre o fim de 1960 e 1961, foi internado na Mayo Clinic, no Minnesota, onde passou por tratamentos de choque elétrico, para depressão. Após receber alta da Mayo Clinic, retornou para sua casa, em Ketchum, Idaho. 

Segundo Milt Machlin, no livro O Inferno Privado de Hemingway, era cedo da manhã. “Desceu à sala de armas e tirou do armário uma de suas espingardas favoritas, uma Angelini e Bernardon calibre doze, fabricada especialmente para ele. Era uma bela arma, e ele sempre a tratava com a reverência de um objeto religioso. Carregou-a com dois cartuchos, depois meteu os dois canos na boca e puxou os gatilhos ao mesmo tempo.” 

Era 2 de julho de 1961. Completaria 62 anos no dia 21 de julho daquele ano. 

Hemingway era estoico. Sabia que um homem pode ser destruído, mas não derrotado. No estoicismo, filosofia grega e romana, cultivamos a coragem, a resiliência, a razão, a moderação, a justiça, o autocontrole, por meio dos pensamentos e das ações, aceitando a vida como ela se apresenta, as opiniões alheias, a saúde pessoal, o destino, com serenidade, visando, por meio dessas virtudes, a paz interior. Hemingway não reclamava. Apenas procurava extrair da vida toda a experiência possível, sem apego e causando o menor sofrimento possível aos outros. 

Mas, afinal, para que serve o casamento? Trata-se de um contrato social. Assim, é uma sociedade firmada entre duas pessoas. Serve para a perpetuação da espécie e da família. E como manter um casamento longevo? O filósofo Olavo de Carvalho disse que, no casamento, o homem deve amar a mulher. Biologicamente, as mulheres são muito mais complexas do que os homens, daí que os homens não devem tentar compreendê-las, pois tudo o que a esposa precisa é ser amada. Amar quer dizer proteger, querer bem, respeitar. As mulheres serão sempre nossas mães. Sem entender isso, jamais um homem entenderá uma mulher. 

O drama de Hemingway é que ele não se dava bem com sua mãe. Por mais estoico que ele fosse, seu subconsciente estava sempre destruindo cada casamento seu. A única coisa que lhe restou, para não ser derrotado, foram seus livros maravilhosos. Ele é desses escritores que lemos aos poucos, ao longo da vida. Lemos aos poucos para termos o prazer de sempre ter alguma coisa para ler daquele autor. 

Já li várias biografias de Hemingway, escritas por parentes seus e jornalistas que o acompanhavam. É verdade que as mulheres tinham dificuldade de conviver com ele, como só as mulheres sabem fazer, tratando o marido como a um filho, mas tinham como recompensa o fato de que nunca se entediavam. É claro que o odiavam, às vezes, mas também sentiram a Terra girar no espaço, o som da madrugada, rosas perfumando tudo.

domingo, 26 de abril de 2026

Por onde anda G. Dias? O elo do golpe?

General G. Dias (foto), Hugo Carvajal e Nicolás Maduro: bombas
de Hiroshima ambulantes (Geraldo Magela/Agência Senado)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 26 DE ABRIL DE 2026 – O segundo turno das eleições presidenciais de 2022 foi realizado no dia 30 de outubro, último domingo do mês. Estavam aptos a votar, no país e no exterior, 156,4 milhões de brasileiros. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), venceu a chapa Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Geraldo Alckmin, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), respectivamente presidente e vice, com 60.345.999 votos, e empossada em 1 de janeiro de 2023, para um mandato de quatro anos, duas décadas depois de Lula chegar ao poder e para cumprir um terceiro mandato, aos 77 anos, e já afirmando que Bolsonaro, ou qualquer outro candidato de Direita, não ganharia dele, em 2026. 

Lula venceu em Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins. 

O candidato derrotado, Jair Messias Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), que teve 57.797.847 votos, ganhou em mais unidades federativas do que Lula da Silva, e nos maiores colégios eleitorais: Acre, Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. 

Votos nulos e brancos, 5,7 milhões, superaram a diferença de votos entre os dois candidatos, de 2,1 milhões. 

Durante e após as eleições, aonde quer que Bolsonaro fosse, era ovacionado por multidões, e Lula, apedrejado verbalmente. 

Desde 30 de outubro de 2022, quando saiu o resultado do segundo turno das eleições, o povo, em todo o país, foi para as ruas e bloqueou rodovias. Como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, ameaçou mandar prender os manifestantes, acamparam na frente de quartéis das Forças Armadas. Em Brasília, o acampamento foi instalado em frente ao Quartel-General do Exército. Em 8 de janeiro de 2023, o Supremo determinou o desmonte dos acampamentos. 

No meio da tarde, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Gonçalves Dias, conforme imagens de câmeras comprovam, de forma clara, abriu as portas do Palácio do Planalto para um grupo de blacks blocs, que depredaram o prédio, juntamente com o Congresso Nacional e a sede do Supremo. Dezenas de pessoas invadem os palácios dos três poderes e depredam obras de arte e objetos de valor histórico, como As Mulatas, de Di Cavalcanti, avaliado em oito milhões de reais, rasgado a faca, e defecam no Palácio do Planalto e no Supremo. 

As câmeras não mentem; mostram que foi tudo armado. Cruzamento de dados, horários e imagens comprovam que muita gente sabia o que estava acontecendo nos bastidores. 

Na Praça dos Três Poderes e no acampamento montado no Quartel-General do Exército, 1.418 pessoas, entre adultos, velhos e crianças, que não sabiam o que estava acontecendo dentro dos palácios, foram presas pela Polícia Federal, como terroristas, acusados pela depredação das sedes dos três poderes e de golpe de Estado, e encerradas no Complexo Penitenciário da Papuda e na penitenciária feminina da Colmeia, tratadas como lixo e ameaçadas de pegar até 30 anos de cadeia. 

Alegando que o governo do Distrito Federal foi incompetente para impedir a quebradeira nos palácios, Lula decreta intervenção federal no DF, até 31 de janeiro de 2023. Alexandre de Moraes determina o afastamento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, por 90 dias, e manda prender o secretário de Segurança Pública e ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, Anderson Torres – que se encontrava, no momento, em Orlando, nos Estados Unidos –, como partícipe das depredações. 

O verdadeiro golpe estava aplicado. Bolsonaro seria acusado de tentar a tomada do poder com a farsa montada pelo sistema, preso e condenado a morrer na cadeia. 

Marco Edson Gonçalves Dias, conhecido como Gonçalves Dias ou G. Dias, natural de Americana/SP (7 de fevereiro de 1950), é um general da reserva do Exército Brasileiro. No 8 de Janeiro era ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. Atuou na segurança pessoal do presidente Lula da Silva nos seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2009, e, no governo Dilma Rousseff, foi chefe da Coordenadoria de Segurança Institucional. 

Em 29 de dezembro de 2022, G. Dias foi anunciado como titular da pasta de Segurança Institucional do terceiro mandato de Lula da Silva, mas não durou muito no posto. Após publicação de uma reportagem da CNN Brasil revelar um vídeo em que ele orientava invasores dentro do Palácio do Planalto durante os eventos de 8 de Janeiro, pediu demissão, em abril de 2023, e sumiu. 

Ele sabe muito. Ou melhor, tudo. Congressistas, sob o manto da Lei, só têm que descobrir onde ele se esconde e, utilizando caminhos legais, fazê-lo abrir o bico. Juntamente com Hugo Carvajal El Pollo e Nicolás Maduro, G. Dias é uma bomba de Hiroshima.

sábado, 25 de abril de 2026

O suicídio diário de cada um de nós na ditadura

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 25 DE ABRIL DE 2026 – Brasília é a mesma de sempre. Nunca deixou de ser caipira, setorizada, sem esquinas, um convite à solidão, um Cerrado urbano. Na ditadura fica pior. Andar pelos corredores do imenso palácio do Congresso Nacional, com aquelas imensas bacias, uma emborcada e a outra de boca para cima, é deprimente. Sabe-se lá o que Oscar Niemeyer quis dizer com aquilo, lá, na sua mente comunista. A Praça dos Três Poderes, em tempos de ditadura, é mais deprimente ainda. De um lado, o membro fálico do Congresso Nacional, as torres, e sua bolas, as bacias, e ao sul e ao norte duas gaiolas, em uma delas um touro e, na outra, uma glande. Símbolos fálicos de poder. 

Um vago temor cresce com vigor amazônico, invadindo a alma, deixando-nos um travo sutil ao ferir um nervo exposto no corpo etéreo. A cidade mais moderna do mundo é triste, caipira e sedia a ditadura. Brasília é um três por quatro do Brasil e a Praça dos Três Poderes é seu raio X. Andar por ali desperta a sensação de cair no buraco onde Alice se meteu, a Alice no País das Maravilhas: espanto. O capo di tutti i capi manda degolar qualquer um que atravesse o seu caminho. 

Há uma semelhança trágica entre cubanos, venezuelanos e brasileiros. Os zumbis Fidel Castro e Hugo Chávez Maduro chuparam o tutano de cubanos e venezuelanos durante uma eternidade e os brasileiros estão sendo chupados desde 2003. Nos três palácios, gargalham nas bacanais. Mas o importante é que haja Carnaval. 

Continuo frequentando o Conjunto Nacional. O passa-passa é agora mais agitado e as mulheres ainda mais bonitas. Observo que as mulheres estão sempre tão lindas que parecem nuas. Quase toda semana dou uma volta pelos sebos e livrarias. Por hábito. Folheio livros que ambiciono ler, observo-lhes o número de páginas, leio o início ou alguma coisa sobre o autor, aprecio a edição como um todo e fico imaginando como será bom ver um livro de minha autoria em edição tão primorosa. 

Outro dia, fui premiado com duas descobertas. Lendo o início de O Jardineiro Fiel, de John le Carré, percebi que a literatura classe A é sempre uma teia, e nunca um fio, como também no jornalismo. E folheando Na Outra Margem da Memória, autobiografia de Vladimir Nabokov, percebi que o escritor de primeira categoria tem, sempre, um pé na dimensão do espírito. 

Estas descobertas foram confirmações, pois vi que eu também escrevo assim, embora não me julgue classe A. Por exemplo, meus romances O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO, mesmo que tenham um fio da meada perpassando-os, que é o assassinato a conta-gotas do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, eles foram estruturados como uma espécie de teia de aranha, com fios estendidos para todos os lados. E há, também, neles, um pé no mundo espiritual. Acho que em quase todos os meus livros. 

Quando eu estava fazendo o curso de Medicina Tradicional Chinesa na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), à época, no Bloco A da 404 Sul, ouvi, certa vez, de um colega, a opinião de que uma pessoa muito doente deve morrer, deixar-se matar, ou matar-se, para não exaurir seus familiares; uma exaltação à teoria de Charles Darwin, contribuindo, assim, para a evolução da Humanidade, uma comprovação ao delírio ariano de Adolf Hitler. Mas há sempre as luzes de alguns mestres equilibrando as opiniões que resvalam para o caos, como uma espiral de yin e yang. 

A eutanásia pode significar uma zona de conforto para os que ficam, mas não haveria um propósito em deteriorar-se em cima de uma cama durante anos, dependendo dos outros para tudo? Há mais mistério entre o Céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia, como disse William Shakespeare. Creio que haja sempre um propósito em tudo e que cabe a cada qual descobrir isso. 

Por que sofremos? Por que a população aceita, como o escravo açoitado, como o porco arrastado para o cepo, a ditadura? Bom, o escravo porque está amarrado e o porco porque é arrastado por uma força superior à sua, senão, ambos fugiriam. Ou não fugiriam? Talvez não, se ao escravo lhe prometessem Carnaval e ao porco comida até morrer. O escravo pode até apanhar, desde que pule Carnaval, e o porco pode até morrer, desde que possa comer até estourar, como acontece com certas sucuris e dragões-de-komodo. 

Os brasileiros assistem, atualmente, ao assassinato de Bolsonaro, ao vivo e em cores. Bolsonaro já não aguenta mais a tortura e parece que não vê a hora de desencarnar. Outro dia, um jornalista, esquerdopata, perguntou, no Face: “Tortura? Com televisão e ar-condicionado!” – quis dizer que Bolsonaro, preso na Superintendência da Polícia Federal, estava em uma suíte de luxo. Ar-condicionado pode ser uma tortura para uma pessoa que já está com um pé na cova e, televisão, para qualquer um. Isso foi antes de o espancarem. 

Todos os dias, morremos um pouco. Às vezes, aceleramos o encontro com a morte. É o suicídio de cada um de nós. Só povo – como os familiares dos pacientes que não sabem mais cuidar de si mesmos, tão doentes, tão dementes estão – pode impedir que tirem os aparelhos de Bolsonaro. Mas os brasileiros não são iranianos. Os brasileiros têm Carnaval.